<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854</id><updated>2011-12-04T07:09:25.386-02:00</updated><title type='text'>Nuclear-Mushroom</title><subtitle type='html'>Quando o planeta já não mais podia suportar a humanidade, uma luz brilhou no horizonte e subiu aos céus.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>107</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-9072623328717021853</id><published>2011-08-22T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-08-22T08:58:13.986-03:00</updated><title type='text'>107. Por do Sol</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O gincho agudo e ameaçador do novo rato, quase o dobro do tamanho do outro, ecoou pelos cantos do estacionamento, retornando&amp;nbsp;instantes depois, como se centenas de outros roedores estivessem respondendo ao chamado. Sem esperar para descobrir, enfiei&amp;nbsp;uma bala na criatura asquerosa e pulei alguns degraus subindo a escada, sem nem ver o estrago causado. O primeiro roedor,&amp;nbsp;assustado com o barulho e minha correria, fugiu escada acima, saiu pelo corredor e sumiu no saguão do prédio. Ignorando-o,&amp;nbsp;torci para que os diabos o encontrassem na rua. A escada para o esconderijo de Passan estava a poucos passos dali. Peguei o&amp;nbsp;rádio e chamei por Lisie. O aparelho chiou em resposta um pouco depois mas não houve resposta. Um instante mais e a voz suave&amp;nbsp;de Lisie respondeu atrás de mim, fazendo-me pular de susto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Ê assustado!&lt;/span&gt; -brincou, com um risinho. Ela então se aproximou um pouco mais e pude sentir um cheiro suave de perfume que me&amp;nbsp;arrepiou mais que o susto.&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt; -Venha, vamos descer, achei algumas peças e acho que podemos consertar a antena!&lt;/span&gt; -me puxando pelo&amp;nbsp;braço seguimos ao alçapão. Agradeci à penumbra por esconder meu rosto vermelho de vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passan rapidamente nos explicou como retirar as partes danificadas sem acabar de vez com o equipamento e como soldar as novas&amp;nbsp;usando um antigo aparelho elétrico. Eu ainda atacava uma lata de carne em conservas quando partimos uma vez mais à cobertura&amp;nbsp;do prédio. Lá, o vento continuava implacável, e parecia estar se esforçando para nos jogar fora do prédio. Sem Lisie para&amp;nbsp;bloquear o vento, provavelmente não teria conseguido evitar que as minúsculas peças eletrônicas fossem levadas embora pelas&amp;nbsp;rajadas geladas, quando minhas mãos trêmulas de frio as derrubaram incontáveis vezes. Levamos cerca de cinco horas para&amp;nbsp;trocar todas as peças, parando de tempos em tempos para aqueçer os dedos congelados e comer alguma coisa. Já começava a&amp;nbsp;anoitecer quando finalmente terminamos, e não houve sinal algum dos Deuses ou qualquer outra movimentação estranha por&amp;nbsp;Bermil. Comecei a guardar minhas coisas, já imaginando-me tomando um banho quente e comendo uma comida gostosa, mas percebi o&amp;nbsp;olhar triste de Lisie. Ela ainda pensava nos amigos, e aquela antena voltar a ser funcional era a oportunidade para que&amp;nbsp;pudesse reencontrar parte deles. Abracei-a quando uma lágrima começou a escorrer de seus profundos olhos azuis. Ela me&amp;nbsp;abraçou ainda mais forte, deitando seu rosto em meu peito. Respirávamos lentamente, em silêncio. O vento parara de soprar e o&amp;nbsp;frio dera lugar a uma mormaço gostoso. No horizonte, por debaixo da infinitamente longa cama de nuvens, um sol tímido surgiu&amp;nbsp;e pintou a cidade de vermelho com sua luz rubra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma fração de segundo Lisie colara seus lábios nos meus, o rádio gritava a voz de Passan, e um ponto negro surgia bem no&amp;nbsp;meio do sol poente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-9072623328717021853?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/9072623328717021853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=9072623328717021853&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/9072623328717021853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/9072623328717021853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/08/107-por-do-sol.html' title='107. Por do Sol'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-9005757751650168562</id><published>2011-03-28T00:00:00.000-03:00</published><updated>2011-05-16T10:27:24.317-03:00</updated><title type='text'>106. Roedor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mantive-me imóvel por um segundo. O som ecoou baixinho pelos confins do estacionamento e morreu na imensidão vazia. De olhar fixo na escuridão e coração acelerado, como se esperasse que um monstro pulasse das sombras e me arrancasse a cabeça, coloquei a lanterna sobre uma caixa e me afastei. Em completo silêncio me escondi atrás de outras caixas, mais ao fundo do depósito, onde apoiei meu fuzil AK-47 e preparei a mira. Esperei quase sem piscar que algo passasse pelo facho de luz. Vez em quando um ruído quase inaudível rompia&amp;nbsp; o silêncio tangível do estacionamento, mas nada aparecia. Depois de alguns minutos a impaciência já começava a lutar com a adrenalina e o medo, a agonia aumentava a cada instante transformando o depósito em uma arapuca. Queria sair do esconderijo, pegar as peças que faltavam e retornar à companhia de Lisie e Passan, mas podia sentir que algo se movia na escuridão, sorrateiro. Com minha sorte, assim que deixasse o esconderijo daria de cara com o que quer que fosse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O som abafado, como se algo pesado fosse largado ao chão, se repetiu ainda duas ou três vezes, mas nada cruzou ou entrou pela porta do depósito. Esperei ainda mais 10 ou 15 minutos, lutando com meus receios, mas já estava mais bravo e impaciente com a situação que temeroso. Mandei à merda a prevenção, deixei o abrigo das caixas e avancei rumo à entrada do lugar. Peguei minha lanterna e iluminei o exterior, em busca de algo diferente. Ao redor havia apenas os mesmos carros abandonados e suas manchas de sangue seco pelo estacionamento. A porta do elevador de serviço parecia intacta, com seu aço inoxidável corta-fogo resistindo à ação do tempo. Satisfeito, dei uma última vasculhada com o facho de luz e voltei para pegar as peças. Ajoelhei-me ao lado da pequena caixa de papelão que estava usando para colocar os componentes e recomecei a busca. Levei ainda cerca de 20 minutos até recolher tudo o que podia, mas ainda faltavam uma ou duas que não fui capaz de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha cabeça latejava, meu pulmão reclamava da podridão do ar e meu cérebro parecia estar derretendo dentro do crânio. Quando pus o pé fora do depósito da rádio já conseguia me imaginar descendo a escada para o esconderijo de Passan. Infelizmente, como minha má sorte predizia, uma massa de pelos cinzento do tamanho de um gato acabou com o pensamento de descanso.&amp;nbsp;Por pouco não deixei cair a caixa, e estivesse com a arma em punho provavelmente teria disparado por puro reflexo na hora do susto.&amp;nbsp;Apoiado nas duas patas traseiras estava um dos maiores roedores que provavelmente já existiu. A criatura meio pelada meio peluda me encarava com seus olhinhos escuros enquanto roía um pedaço de papelão seguro pelas mãozinhas esqueléticas. Como se me analisasse, a &amp;nbsp;pequena figura dentuça terminou sua refeição calmamente e pôs-se me circular, seguido pelo rabo magrelo quase tão grande quanto o corpanzil. Precedendo um ataque traiçoeiro acompanhei seus movimentos girando no lugar, mantendo-me sempre de frente. Depois de um círculo completo e meio, o roedor soltou um guincho assustado e correu desembestado pela escuridão do estacionamento. Confuso, dei um risinho para mim mesmo e balancei a cabeça. Contive minha curiosidade de segui-lo e desejei apenas que o que quer que rondasse por aquela escuridão, encontrasse de frente com esse rato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiante do caminho a seguir, retornei à entrada do estacionamento rapidamente. Estava feliz em deixar para trás aquela catacumba de concreto e seus habitantes asquerosos. Pelo caminho ainda ouvi os ruídos e guinchos quase inaudíveis, mas agora sabia sua origem e não me incomodei em parar para olhar. Subia os primeiros degraus da escada que levava ao térreo quando levei outro susto. No topo do primeiro lance da escada estava novamente o monstruoso rato, que apoiado nas patas traseiras tinha a altura de meus joelhos. Fiquei a imaginar qual altura ele seria capaz de atingir em um único salto, e sem paciência para descobrir a resposta saquei minha pistola e apontei para o maldito. Mirei entre seus olhos, mas me detive por um instante, vendo sua curiosidade ser aguçada por meus movimentos. E nesse momento de indecisão ouvi o som que originou todos os temores da última hora se repetir agourento atrás de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-9005757751650168562?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/9005757751650168562/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=9005757751650168562&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/9005757751650168562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/9005757751650168562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/03/106-roedor.html' title='106. Roedor'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-164428020644861712</id><published>2011-03-21T00:00:00.006-03:00</published><updated>2011-04-22T10:20:12.607-03:00</updated><title type='text'>105. Estacionamento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tentava colocar corretamente o telescópio em sua base, descontando minha frustração em grandes colheradas de sopa, quando Passan veio com a notícia: outro passeio no frio assassino. Dei uma risada meio irônica, aceitando o fardo, e pus-me a arrumar a mochila às costas. Lisie também pegou a sua e deixamos a segurança e o calor do abrigo. Dessa vez, ao menos, sabíamos o que procurar. A emissora de rádio que um dia operara através daquela antena provavelmente tinha peças de reposição em algum lugar, bastava encontrá-las. E&amp;nbsp;depois de Passan vasculhar em alguns arquivos antigos conseguimos ter uma idéia melhor de quais andares poderiam contê-las.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos despedimos com um longo abraço e desejos de sorte. Lisie seguiu rumo aos andares superiores, em busca das peças diretamente na antiga rádio. Já eu me aventurei por quatro ou cinco andares de estacionamentos subterrâneos, em busca de algum depósito, armazém ou coisa parecida. Levávamos um rádio cada, mas o meu deixou de funcionar pouco depois de descer a escada para o primeiro subsolo. Não me importei na hora, já que estava acostumado a estar sozinho e em lugares escuros, mas em pouco tempo comecei a me sentir desconfortável lá em baixo.&amp;nbsp;Apenas minha lanterna cortava a escuridão e meus passos quebravam o silêncio sepulcral.&amp;nbsp;E apesar de haver pouca ou nenhuma circulação de ar, o lugar era tão ou mais frio que o lado de fora do prédio.&amp;nbsp;O ambiente era extremamente pesado e sombrio, enquanto o ar parecia já ter sido respirado completamente incontáveis vezes. Pra finalizar, um cheiro de podridão e mofo impregnava o nariz e fazia doer minha cabeça.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acelerei o passo, decidido a encontrar logo onde as empresas e lojas do prédio mantinham seus depósitos. Andava próximo à parede, em busca de alguma indicação que me&amp;nbsp;dissesse&amp;nbsp;para onde seguir, mas todas as placas e pinturas estavam arruinadas pela água que escorria lentamente pelas paredes, tornando o lugar um enorme labirinto de colunas e veículos abandonados. Destes últimos havia muitos, de todos os tipos e tamanhos. &amp;nbsp;Alguns estavam batidos contra paredes e postes, outros tinham sua lataria e para brisas alvejados, com marcas escuras de sangue salpicadas no vidro e no chão, vários&amp;nbsp;haviam ardido em chamas até restar apenas a carcaça,&amp;nbsp;enquanto uns poucos pareciam intocados, a não ser pela umidade e pelo tempo. Em nenhum dos que me desviei pelo caminho havia corpo ou vestígio humano além de sangue seco e objetos abandonados. Se alguém havia morrido ali, e estava muito claro de ter ocorrido, estranhamente não havia mais nada para contar a história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente, depois de andar a esmo na&amp;nbsp;imensidão&amp;nbsp;escura por quase meia hora, encontrei a porta do elevador de serviço. Perto dali, grandes portas de grade se espalhavam&amp;nbsp;igualmente pela parede. A maioria ainda tinha o símbolo da empresa dona do depósito pintado no metal, o que facilitou muito a busca pela rádio Digital Global, com seu logotipo de uma antena parabólica com desenhos de continentes. Houve, anos antes, cadeados enormes mantendo trancadas as portas, mas todos haviam sido arrombados e os interiores dos depósitos saqueados. O da rádio tinha sua porta aberta apenas parcialmente, e seu interior estava quase tão arrasado quanto as ruas de Bermil. Peças eletrônicas, cabos e equipamentos estavam espalhados pelo chão num caos completo. Pela quantidade de coisas, eu sabia que provavelmente todas as peças de que precisávamos&amp;nbsp;estariam&amp;nbsp;ali, mas encontrá-las já seria trabalhoso o bastante se tudo estivesse organizado, naquele estado então seria praticamente impossível. Provavelmente teria resistido a sair do abrigo se soubesse com antecedência do que me aguardava, mas estando ali, só conseguia pensar em encontrar as peças logo e deixar aquele lugar asqueroso e fétido.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda faltava pouco mais da metade das peças a ser encontrada quando,&amp;nbsp;como se meus sentidos já estivessem acostumados a coisas estranhas acontecendo perto de mim, olhei para trás, para a escuridão que me cercava. Um barulho súbito e abafado ecoou pela imensidão vazia do estacionamento um instante depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-164428020644861712?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/164428020644861712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=164428020644861712&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/164428020644861712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/164428020644861712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/03/105-estacionamento.html' title='105. Estacionamento'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4667901606118617249</id><published>2011-03-10T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-21T11:56:39.141-03:00</updated><title type='text'>104. Peças Sobressalentes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltar lá para cima não foi agradável. Eu não estava completamente recuperado, e o vento parecia ainda mais gélido e cortante que antes, como se soubesse que quase me vencera na noite anterior e quisesse terminar o serviço. Eu tinha roupas mais adequadas dessa vez, e um estoque de barras de cereais -vencidas fazia dez ou quinze anos, mas intactas no sabor- para não haver surpresas. Minha mochila também estava às costas, com meus pertences de viagem, por garantia. Levava ainda o rádio e uma mini-câmera, para filmar o painel avariado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não foi difícil encontrar onde estava o problema. Logo de cara, a tampa de ferro que deveria proteger o painel do mundo exterior estava aberta, batendo com o vento. O painel de transmissão estava bastante danificado, com neve e ferrugem em praticamente todos os componentes eletrônicos. Mas não parecia estar faltando nada. Filmei minuciosamente cada detalhe com a câmera e parti de volta para o abrigo. Antes de descer o primeiro lance de escadas, porém, dei uma última olhada ao redor. No fundo, tinha esperanças de ver o helicóptero dos Deuses partindo ao longe para não mais voltar, mas sabia que minha sorte não era tão boa assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante a descida encontrei com Lisie, que havia tirado uma folga de cuidar de mim e do filhote de Diabo, e estava explorando um dos andares do prédio, seguindo recomendações de Passan. Ela voltava com uma caixa abarrotada de inúmeras peças e componentes eletrônicos dos mais variados tipos e tamanhos, e pendurada às costas estava um tubo revestido de couro preto de mais de um palmo de grossura e um metro e meio de comprimento. Pensei em lhe perguntar do que se tratava o curioso objeto, mas sua animação em narrar sobre como éramos afortunados de encontrar tantas peças assim tão facilmente me fez esquecer o assunto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No interior do abrigo, enquanto me servia de mais um tanto de sopa quente, Lisie e Passan analisavam cuidadosamente cada segundo das imagens que eu havia feito. Procuravam por quais peças poderiam estar quebradas, e dentre elas quais poderiam ser trocadas pelas que Lisie encontrara. Mas a animação dos dois foi diminuindo rapidamente, enquanto praticamente nada do que tínhamos seria de serventia. Tentei me distrair olhando o Diabinho choramingar dentro da caixa, balançando o corpinho de um lado para o outro sem sair do lugar, mas não conseguia deixar de pensar em um meio de consertar a antena. Foi então que percebi, no chão ao lado da caixa, o tubo que Lisie trouxera.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Lis, o que é esse tubo que você trouxe?&lt;/span&gt; -perguntei, tentando fazê-los parar de resmungar e praguejar a cada peça não encontrada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-O que? &lt;/span&gt;-demorou ela a processar minha perguntar. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Ah, isso? Um telescópio, eu acho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4667901606118617249?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4667901606118617249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4667901606118617249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4667901606118617249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4667901606118617249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/03/104-pecas-sobressalentes.html' title='104. Peças Sobressalentes'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2933738281525376657</id><published>2011-03-05T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-18T14:56:48.361-03:00</updated><title type='text'>103. Opções</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Três meses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Mesmo com todos os recursos que os Deuses dispõem, eles levaram três meses para encontrar o local da queda?&lt;/span&gt; -me surpreendi. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Tem algo errado aí, só pode!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Queria poder fazer algo a respeito...&lt;/span&gt; -choramingou Lisie, inspirando fundo&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt; -pelos meus companheiros do RR.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Vocês não tentaram&amp;nbsp;contatar outras unidades do RR?&amp;nbsp;Talvez eles possam ajudar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Eu queria ter tentado, mas a antena no topo do prédio foi avariada alguns anos atrás, segundo Passan.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Infelizmente é isso mesmo&lt;/span&gt; -completou Passan, entrando no dormitório com outro prato de caldo fumegante. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Desde o fim da guerra eu vinha transmitindo, para quem pudesse e quisesse ouvir, as músicas que encontrei no &lt;i&gt;music-player&lt;/i&gt; em meu passeio pela cidade, mas alguns anos atrás uma tempestade destruiu a caixa de transmissão na base da antena.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Ao meu ver, temos algumas opções. Podemos consertar a antena, pedir ajuda ao exército de Amrak, investigar por nós mesmos ou simplesmente ignorarmos tudo isso e deixarmos que eles sem matem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco depois me arrependi de ter dado as opções e continuado com aquela história. Eu sabia que o exército de Amrak não faria o menor esforço em nos ajudar. Pelo contrário, dar essa informação a eles seria adicionar mais uma variável à equação já bastante complicada. Até minha saída das forças armadas da cidade de Amrak eles aparentemente nada sabiam sobre a queda de tal aeronave, e não seria eu a lhes contar. Deixar a história de lado também parecia fora de cogitação, segundo o olhar triste de Lisie. E como eu não estava para missões suicidas, apesar das inúmeras besteiras e situações de riscos que já me colocara antes, investigarmos por nós mesmos estava fora da minha lista. Restava apenas dar um jeito na antena, e torcer para que ela nos colocasse em contato com o resto dos rebeldes do Rosa Radioativa. Mas obviamente não seria assim tão simples:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Passan, você sabe exatamente o que há de errado com o transmissor e onde conseguimos peças de troca?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Nem um nem outro. Depois que a passagem pelas escadas foram fechadas nunca mais subi lá. Quando a antena parou de funcionar, tentei fazer o possível remotamente, mas não houve meio. Parei de fazer as transmissões, e desde então só consigo recebê-las. Lisie foi lá em cima olhar para mim, uns tempos atrás, mas não conseguiu identificar o problema.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Sei...&lt;/span&gt; -e respirei fundo, sabendo que outro passeio ao terraço me aguardava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Talvez haja peças para troca aqui mesmo no prédio!&lt;/span&gt; -tentou ser otimista, enxugando as lágrimas do rosto e sorrindo para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Sei... &lt;/span&gt;-repeti, e comecei a me preparar mentalmente.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2933738281525376657?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2933738281525376657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2933738281525376657&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2933738281525376657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2933738281525376657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/03/103-opcoes.html' title='103. Opções'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6540439124019017828</id><published>2011-02-25T00:00:00.001-03:00</published><updated>2011-04-17T14:35:09.506-03:00</updated><title type='text'>102. Ataque ao RR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Estávamos com sorte, pensamos. Uma de nossas patrulhas levou apenas três dias para encontrar o local da queda, em uma das barreiras de contenção de um dos rios que corta Nova Bermil. Ao fim da tarde estávamos a cerca de dez quadras do impacto, e até ali nenhum sinal dos Deuses ou de qualquer gangue. Mas então a coisa toda aconteceu. Mal o primeiro carro chegou ao topo da ladeira que nos levaria à parte baixa da cidade a rua inteira explodiu. Os dois primeiros veículos sumiram na bola de fogo. O terceiro foi arremessado sobre o que eu estava. Me encolhi no banco traseiro o máximo que pude para escapar, mas os outros não tiveram a mesma sorte. Mal tive tempo de pensar no que fazer a seguir. Senti o veículo que vinha logo atrás atingir o meu e, em meio ao cheiro de combustível que vazava, uma chuva de disparos atingiu-nos de todos os lados.&amp;nbsp;Abri a porta da caminhonete aos chutes e corri para dentro de uma casa. Um segundo depois o veículo irrompeu em chamas, e enquanto eu começava minha fuga por entre entre os escombros ele finalmente explodiu.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Nos primeiros quarteirões ainda podia ouvir os zumbidos e estampidos dos disparos com clareza, mas logo eles ficaram distantes e cessaram. Não sei por quanto tempo corri, mas parei apenas quando a noite caiu. Ainda tinha minha arma, pendurada na bandoleira, mas a mochila tinha se perdido junto com a caminhonete. Tinha apenas dois carregadores de munição, uma ração de viagem e uma pequena lanterna comigo, presos ao cinto. Subi ao segundo andar de um antigo sobrado e derrubei as escoras que mantinham a escada de pé. Passei ali aquela primeira noite em Bermil, assistindo de longe o fogo que consumia os veículos do Rosa Radioativa e atraia os Diabos como moscas. Chorando em silêncio passei a noite acordada, e aos primeiros sinais de claridade pulei para a rua e comecei a vagar pelas ruas da cidade. Fazia muito tempo desde a última vez em que tinha ficado sozinha por minha própria conta. Já estava acostumada a ter outras pessoas por perto, para me ajudar e apoiar, e então, de uma hora para outra, estava completamente sozinha outra vez.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Por duas vezes tentei abater um Diabo durante a noite para que tivesse algo para comer, mas assim que um caia morto, os outros se amontoavam com ferocidade para devorar a carne magra. E então, três dias depois do ataque, com fome, cansada e sofrendo de hipotermia, cheguei a uma rua comprida tomada por prédios dos dois lados. De tão fraca, mal conseguia pensar, quanto mais andar, e tão logo entrei em uma casa a procura de abrigo para a noite, minhas forças me abandonaram e tudo ficou escuro. Quando acordei estava deitada em uma cama quente e confortável, podia sentir novamente meus dedos dos pés e das mãos, e no ar havia um delicioso cheiro de cozido. Sabia que estava segura, mas também sabia que as coisas não seriam mais as mesmas a partir dali.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Passan te salvou, assim como salvou a mim&lt;/span&gt; -concluí a história, enxugando uma lágrima que lhe escorria pelo rosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Eu queria apenas esquecer essa história toda, Nuke. Sua chegada veio me trazer forças para esquecer a perda e deixar o que houve de lado&lt;/span&gt; -confessou Lisie, entre soluços. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Mas agora essa coisa toda volta à tona. Se não foram os Deuses que nos atacaram aquele dia... não sei quem pode ter sido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Ou o porquê.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6540439124019017828?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6540439124019017828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6540439124019017828&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6540439124019017828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6540439124019017828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/02/102-ataque-ao-rr.html' title='102. Ataque ao RR'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7146085836529994669</id><published>2011-02-18T00:00:00.001-02:00</published><updated>2011-04-17T14:36:18.026-03:00</updated><title type='text'>101. Caldo Quente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite foi longa. Dentre as mais longas que já tinha vivido até então.&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;A fome apertava o estômago e me fazia desejar os pedaços de carne de rato seca que muitas vezes comi. Sem vestimentas adequadas, o frio entrava pela roupa e congelava meu corpo pouco a pouco. As horas se arrastaram agoniantes, e às primeiras luzes do amanhecer meu corpo tremia incontrolavelmente. Ouvi os soldados saírem para a rua e retomarem os reparos no blindado assim que o último uivo dos Diabos cessou. Tentei levantar, mas meus braços pareciam grudados em volta dos joelhos, que por sua vez congelaram um ao outro. Controlando os músculos e contendo a tremedeira me forcei a levantar e caminhar ao corredor. Com ainda mais esforço retirei a barricada de mesas e cadeiras do caminho e arrastei os pés até a escada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem sequer lembrar de me preocupar com a presença de algum soldado, desci as escadas. Tamanho frio sentia, mal reparei nas marcas dos ganchos que haviam usado para acessar o primeiro andar. Me espremi pelo vão no topo de destroços que bloqueavam o acesso da escada e me estatelei no chão abaixo. Depois, literalmente, engatinhei rumo ao alçapão. Pensava em como fazer meu corpo sobreviver à queda pelo buraco do esconderijo, já que meus braços não aguentariam me descer pelos degraus da escada, quando o alçapão se abriu e um par de mãos me puxou para dentro. Quando me dei conta estava deitado em uma das camas do dormitório, coberto da cabeça aos pés com cobertores, enquanto Lisie me servia um caldo quente ralo, porém revigorante. Me lembro de ter apagado e acordado algumas vezes ao longo do dia, e em todas elas Lisie estava sentada ao lado da cama, massageando minhas mãos e pés. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me lembro quanto tempo levei para me recuperar completamente. Por dias ainda teria tremeliques esporádicos e calafrios, mas assim que recobrei de vez a consciência imediatamente comecei a falar, narrando o que havia visto. Lisie esboçou um sorriso, e colocando o indicador em meus lábios, me fez calar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Nós sabemos, Nuke. Vimos pelas câmeras. Tentamos te avisar, mas...&lt;/span&gt; -seus olhos se encheram de lágrimas e sua respiração pessou. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Eu devia ter contado antes, mas... achei que eles tinham desistido, que tinham ido embora. E eu só queria esquecer.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Eles quem? Desistido do que? Esquecer o que?&lt;/span&gt; -perguntei, surpreso. Mas novamente Lisie me fez calar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Esses homens são os Deuses. Um exército que age, segundo eles, sob as ordens do Governo. Ou do que restou dele. Mas na verdade são gafanhotos, roubando e matando aqueles quem se metem em seu caminho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;-Eu sei, conheço eles. Eles...&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;-comecei, mas uma lágrima caiu de seus olhos azuis e escorreu pelo rosto alvo como a neve, e minhas palavras se perderam em sua tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-Minha unidade do Rosa estava pela região&lt;/span&gt; -começou, com a voz engasgada e os lábios trêmulos &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3d85c6;"&gt;-quando uma luz iluminou as nuvens, cruzou os céus e caiu sobre Bermil. A princípio achamos que fosse apenas a queda de algum avião que alguém havia tentado fazer voar, mas logo percebemos que o rastro deixado não era de um motor normal. Corremos para a cidade o mais rápido possível, em busca do ponto de impacto. Aeronaves são raríssimas hoje em dia, ainda mais voando, e não por isso não podíamos ignorar o acontecimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Mas então alguma coisa deu errada... &lt;/span&gt;-concluí. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra lágrima escorreu quando Lisie confirmou com a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7146085836529994669?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7146085836529994669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7146085836529994669&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7146085836529994669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7146085836529994669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/03/101-caldo-quente.html' title='101. Caldo Quente'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4376369327868053659</id><published>2011-02-08T00:00:00.112-02:00</published><updated>2011-04-08T09:16:31.308-03:00</updated><title type='text'>100. Dormente</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma descarga de adrenalina percorreu todo meu corpo, arrepiando os pelos do braço.&amp;nbsp;Meu braço estremeceu e meus dedos se&amp;nbsp;contraíram. Num esforço em conter o impulso, estiquei o polegar para a frente e evitei bem a tempo o disparo.&amp;nbsp;Os soldados invadiram a sala segundos depois. Mal podia contá-los enquanto entravam pela porta, gritando ordens uns aos outros. O líder, um homem enorme e truculento, com o lado esquerdo do peito repleto de medalhas e insígnias, se aproximou do soldado imóvel. Eu ainda o mirava, mas sequer respirava, com medo de ser encontrado a poucos metros dali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;-SOLDADO! PELO AMOR DA PUTA QUE TE PARIU, MAS QUE BUCETA&amp;nbsp;CANCEROSA&amp;nbsp;QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FAZENDO&lt;/span&gt;? -gritou o homem, já sem a máscara, a plenos pulmões.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;-Des-desculpe, senhor! E-eu...&lt;/span&gt; -gaguejou o soldado amedrontado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;-SENHOR. DESCULPE, SENHOR!&lt;/span&gt; -corrigiu o líder, fazendo as medalhas chacoalharem no uniforme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;-Sen-senhor. Des-desculpe senhor! E-eu...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;-DESCULPA O CARALHO! SAIA DA MINHA FRENTE AGORA&lt;/span&gt; -e berrou ainda mais a última palavra- &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;OU O PRÓXIMO DISPARO DESSA ARMA VAI SER NA SUA CABEÇA! VAMOS, SUMA!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #999999;"&gt;-Senhor. Sim, senhor&lt;/span&gt; -concluiu o soldado, arrasado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cabisbaixo e ainda tremendo, o soldado saiu apressado. Os demais permaneceram imóveis, de armas em punho, voltados ao seu líder. Ele encarou cada um dos seus por alguns instantes, com raiva transbordando do rosto vermelho, colocou de volta a máscara e saiu sem dizer palavra. Sem jeito, os soldados o seguiram, sumindo na escuridão do corredor. Pensei em levantar, mas preferi aguentar as&amp;nbsp;cãibras nas pernas e nos braços por mais algum tempo e esperei. Apenas quando os ouvi montando uma barricada com mesas e cadeiras para barrar o vento é que deixei o abrigo e saí de perto das janelas. Procurei um canto protegido e comecei a massagear meus pés, dormentes por causa do frio e do vento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demorou quase meia hora até que voltasse a sentir a ponta dos dedos dos pés. Com fome e frio, até meu cérebro começava a diminuir o ritmo. Eu podia ouvir as vozes abafadas dos soldados em salas do outro lado do andar, mas entender o que diziam era impossível. Tentei me manter focado, para que o sono não viesse. Se dormisse ali, sem uma fonte de calor ou proteção contra o vento, morreria congelado durante o sono sem ao menos perceber. Lembrei-me então da transmissão que o helicóptero havia feito e que o rádio do soldado tinha captado. Aumentei o volume do meu aparelho e comecei a ouvir, atento. Mas hoje, o que lembro de ter ouvido aquele dia, é apenas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Repito. Local da queda encontrado. Local da queda encontrado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4376369327868053659?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4376369327868053659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4376369327868053659&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4376369327868053659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4376369327868053659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/02/100-dormente.html' title='100. Dormente'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6256603783309178518</id><published>2011-02-05T00:00:00.000-02:00</published><updated>2011-03-28T17:56:27.117-03:00</updated><title type='text'>99. Na Mira</title><content type='html'>Mal dava para ver o caminho, tão escuro estava. Acendi a lanterna, mas mantive sua luz apontada para baixo, para que seu facho não me traísse. Pouco me importei com os chutes e tropeções nas coisas que estavam quase invisíveis nos corredores escuros, queria apenas chegar ao alçapão no andar de baixo. Os soldados só poderiam ter se escondido na entrada do esconderijo, e ajudar Lisie e Passan era tudo que conseguia pensar. Corri o mais rápido que pude até a porta de emergência e já pensava no que fazer depois quando vi outros fachos de luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo do térreo, pela escada externa, luzes de lanternas cortavam a escuridão e se projetavam para cima. Parei de correr de imediato, deslizando alguns centímetros na poeira e na neve. Abri os braços procurando equilíbrio, e assim como parei, voltei a correr no sentido oposto. Já não me importava esconder a luz, apenas fugir o mais rápido possível. Podia ouvir a voz dos soldados conversando entre si enquanto avançavam pelos degraus. E mal tive tempo de chegar à sala na fachada do prédio quando na outra ponta do corredor suas silhuetas apareceram à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um facho de luz iluminou todo o corredor e parte da sala onde eu estava. Alguém gritou uma pergunta, mas não houve resposta, e depois a luz se apagou. Voltei à janela de onde a pouco os tinha observado e esperei. Tinha esperanças de que continuassem subindo, a procura de um lugar para ficarem, mas não confiava em minha sorte. Conferi minha arma, deitei entre algumas mesas jogadas e mirei a porta. Meu pé direito estava para fora do prédio, pelo vão onde a janela que ia do chão ao teto estivera. Dali, eram pelo menos cinco metros de queda até a escadaria de entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu temia, a movimentação dos soldados continuou pelo andar. Os focos de luz iam e vinham, cruzando a porta de entrada. Não demorou mais que dois ou três minutos até que um deles entrasse para revistar a ampla sala onde eu estava. Acompanhei-o com a mira. Sabia que se dependesse deles atirariam primeiro e perguntariam depois. Então seria eu a&amp;nbsp;atiraria sem hesitar. O homem havia tirado o capuz branco que cobria a cabeça, mas mantinha a máscara ocultando-lhe &amp;nbsp;a face. Sua respiração era ruidosa através do filtro de ar, seu ritmo lento e compassado dava calafrios ainda maiores que o vento gelado que entrava da rua. Mas mantive-me focado, expulsando da mente todos os pensamentos. E quando os passos puderam ser ouvidos logo adiante, coloquei o dedo no gatilho e prendi a respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Águia para Raposa, na escuta?&lt;/span&gt; -gritou o rádio, acompanhando o disparo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6256603783309178518?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6256603783309178518/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6256603783309178518&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6256603783309178518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6256603783309178518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/02/99-na-mira.html' title='99. Na Mira'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4867713112434686276</id><published>2011-01-30T00:00:00.005-02:00</published><updated>2011-03-24T21:54:26.760-03:00</updated><title type='text'>98. Escondidos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desci até o primeiro andar do prédio o mais rápido que pude. Caminhei em completo silêncio corredores de escritórios arruinados até a fachada do prédio, de onde podia observar o blindado parado na rua, cinco ou seis metros abaixo. Os soldados que tentavam colocá-lo em funcionamento haviam interrompido o serviço e agora terminavam de recolher suas ferramentas. Os outros não podiam ser vistos, mas pelas vozes que ecoavam do&lt;i&gt; hall&lt;/i&gt; de entrada pude perceber que haviam outros ali, esperando no topo da escadaria que subia da rua. Alguém gritava ordens, mas o vento forte e meu coração disparado abafavam as vozes e me impediam de entender com clareza o que planejavam. Estava óbvio, infelizmente, que não passariam a noite no blindado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os uivos e grunhidos dos diabos aumentavam rapidamente, a medida que todos deixavam suas tocas em busca de presas desavisadas pela cidade. Os soldados, por sua vez, pararam de falar subitamente. Eu não podia ouvir, mas podia imaginar o desespero crescente naqueles homens com a aproximação de tais criaturas. Fiquei esperando, torcendo para que corressem ao blindado assim que os primeiros diabos entrassem pela porta e avançassem por sua carne, mas duvidava que fossem tão inexperientes a ponto de não conhecerem os perigos de se passar uma noite desprotegido nem Bermil. Aqueles não eram soldados de Amrak, com certeza, mas tampouco eram burros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo os diabos vieram, às centenas, com seus dentes pontudos e sua pele esticada sobre os ossos. Saltavam e rosnavam, mordendo uns aos outros em um frenesi sanguinário. Muitos entraram no prédio desembestados, provavelmente procurando novos corpos para um banquete fácil, mas em poucos minutos todos tinham saido sem sucesso. Nem um único disparo foi dado, ou ao menos não pode ser ouvido, e isso só poderia significar que os diabos não haviam encontrado os soldados. Tentei me lembrar de um lugar onde aqueles homens pudessem ter se escondido, mas todas as portas do térreo haviam sido arrancadas muito tempo atrás, e não havia material nem tempo suficiente para que uma barreira fosse construída de modo a isolá-los em algum cômodo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou eles haviam sumido, ou ainda estavam por ali em algum lugar. E quando esse lugar me veio à mente...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4867713112434686276?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4867713112434686276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4867713112434686276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4867713112434686276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4867713112434686276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/01/98-escondidos.html' title='98. Escondidos'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1472110104234084459</id><published>2011-01-21T00:00:00.002-02:00</published><updated>2011-03-24T13:52:55.352-03:00</updated><title type='text'>97. Angústia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recostado no parapeito, podia sentir meu coração bater forte no peito. Não fosse pelos óculos, meus olhos congelariam, tão abertos estavam, enquanto minha mente pensava em milhares de possibilidades ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Lobo para Águia &lt;/span&gt;-chiou o rádio, com uma voz desconhecida e diferente das anteriores. Para meu alívio. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Estamos retornando. Câmbio e desligo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tentei me tranquilizar, convencendo a mim mesmo de que Passan tinha suas câmeras espalhadas, e que provavelmente sabia antes mesmo de mim da presença dos soldados. Mas ainda me preocupava que pudessem empreender uma busca mais detalhada ao encontrar os vestígios dos dias anteriores no interior do prédio. Os Diabos tinham se refestelado com os corpos dos caçadores, mas em troca haviam deixado sangue espalhado por todo o andar térreo do lugar. Senti uma vontade&amp;nbsp;súbita de descer as escadas e ajudar meus companheiros, mas algo dentro de mim dizia para esperar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda meio assustado levantei-me e olhei para baixo. Os dois soldados tinham voltado a caminhar pela rua, checando cada construção nos arredores, mas os que haviam entrado no prédio continuavam fora de vista. Corri então para o outro lado da cobertura e olhei para o antigo jardim que fazia fundos para outros prédios. Temia que pudessem subir pelas escadas de emergência e vasculhar o prédio todo. E apesar de o primeiro lance de escadas ter sido bloqueado com entulhos quase duas décadas atrás, ainda havia no topo uma pequena passagem entre os blocos de concreto e tijolo, pela qual eu me espremia para subir aos outros andares. Duvidava que eles subissem, mesmo que não houvesse a pilha de escombros, mas não saber onde estavam era angustiante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o passar das horas a angústia apenas aumentou. Os soldados tinham se concentrado, aparentemente, na entrada do prédio, deixando apenas dois dos seus na rua a cuidar dos reparos do blindado. Não vi comoção entre eles, e deduzi que felizmente não haviam encontrado Passan e Lisie. Em compensação o frio tinha aumentado muito durante a tarde, o vento parecia cortar minhas bochechas desprotegidas, e o pequeno lanche que eu havia levado há muito acabara. A noite se aproximou lentamente, escurecendo as nuvens e enchendo as ruínas de Bermil com sombras ameaçadoras. E então, quando a noite chegou e os uivos dos Diabos começaram, o medo espantou a angústia e se alojou em mim com unhas e dentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou os soldados deixavam o prédio, ou a noite seria longa. Muito longa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1472110104234084459?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1472110104234084459/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1472110104234084459&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1472110104234084459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1472110104234084459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/01/97-angustia.html' title='97. Angústia'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5161466615391934223</id><published>2011-01-09T00:00:00.001-02:00</published><updated>2011-03-14T23:14:58.871-03:00</updated><title type='text'>96. Raposa Enguiçada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O som do blindado vinha da frente do prédio. Levantei e já começava a correr em direção ao parapeito quando o barulho de um segundo motor se sobressaiu ao vento. Em um susto me joguei de volta ao esconderijo e observei o helicóptero passar rasante, quase ensurdecedor. Torci para que não tivessem me visto e me encolhi de medo apenas de pensar na possibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Águia para Raposa. Estamos na escuta. Temos autonomia para apenas mais uma passagem, e então retornaremos. Câmbio&lt;/span&gt; -gritou o rádio, ainda no volume máximo, fazendo-me arregalar os olhos e disparar o coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o coração martelando no peito, girei o botão do volume até quase deixá-lo no mudo. Era impossível que alguém ouvisse o som do rádio, mesmo em um dia sem vento, mas eu não estava para me arriscar. Esperei pacientemente, enquanto tentava relaxar e por as idéias em ordem, que o helicóptero fizesse a volta e passasse por ali novamente. Mas logo perceberia que o helicóptero seria o menor dos problemas. Tão logo a aeronave passou em rasante pela região, o rádio captou nova transmissão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Raposa para Águia. Não temos condições de retornar, precisamos parar e reparar o veículo. Câmbio e desligo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio no rádio. Esperei alguns segundos mais e deixei o esconderijo. Consegui ver o ponto branco se afastar ao longe, seguindo para o sul pelo rumo do rio. Me aproximei então do parapeito e olhei para baixo. O blindado estava parado, com uma das lagartas sobre a calçada, bem a frente da escadaria de entrada do prédio. &amp;nbsp;Dois soldados vestindo roupas camufladas brancas andavam pela rua, de armas em punho, enquanto outros dois subiam os degraus.&amp;nbsp;Meu sangue congelou, e o coração quase parou de bater. Lisie e Passan estavam para serem descobertos! Peguei o rádio, coloquei na&amp;nbsp;frequência&amp;nbsp;de Passan e apertei o botão para falar. De&amp;nbsp;súbito percebi a enorme burrada. Soltei o botão e de olhos fechados desejei ardentemente que os dois não tivessem ouvido a tentativa de chamada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas instantes depois o rádio chiou quando uma nova conexão foi estabelecida. Imediatamente os soldados que estavam na rua estacaram, olhando ao redor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5161466615391934223?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5161466615391934223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5161466615391934223&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5161466615391934223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5161466615391934223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/01/96-raposa-enguicada.html' title='96. Raposa Enguiçada'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7385056732147611463</id><published>2011-01-02T00:00:00.003-02:00</published><updated>2011-03-13T15:31:38.319-03:00</updated><title type='text'>95. Raposa Blindada</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Subi os lances de escada até o último andar o mais rápido que pude. Mesmo tendo um preparo físico invejável, sugava o ar gelado em grandes golfadas ao atingir a cobertura do prédio, exausto. Quando finalmente consegui me recompor e olhar em volta já não havia nada a se ver. O helicóptero tinha desaparecido de vista, camuflado nos infinitos tons de cinza e branco que cobriam a cidade e nublavam o céu. Me concentrei, tentando ouvir o barulho do motor, mas o vento era forte demais ali em cima.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;A aparição misteriosa daquele helicóptero deixou rapidamente meus pensamentos ao contemplar Bermil. Daquele lugar privilegiado praticamente toda a antiga metrópole podia ser avistada. Colinas delimitavam o que foi a área urbana a leste, ao sul podia-se divisar os restos agonizantes de um rio assoreado pelos escombros da cidade, ao norte e oeste uma planície começava pouco antes do horizonte, indicando onde a área rural da região um dia estivera. Nada se movia na paisagem. Nada era colorido até onde a vista podia alcançar. E ainda assim a visão era maravilhosa. Levei muitos minutos admirando cada detalhe, tentando imaginar como seria morar em um lugar junto a milhares de outras pessoas. Aquilo tudo era desconhecido para mim, e para sempre continuaria a ser.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Deixei os sonhos de lado e voltei a me preocupar com o helicóptero. Aquela era a primeira aeronave que eu via efetivamente voando. Todas as que eu já havia visto estavam destroçadas, reduzidas a pilhas de metal enferrujado, ou sem combustível suficiente para fazê-las funcionar. Ver em funcionamento, e sobrevoando uma área urbana completamente arrasada por bombardeiros duas décadas atrás, era algo altamente incomum -até mesmo para um mundo como esse. Desejei que o helicóptero estivesse apenas de passagem, mas no fundo sabia que não estava. Eu podia&amp;nbsp;senti-lo fazendo a volta ao longe, para novamente sobrevoar a cidade. Peguei o rádio, pensando em alertar Passan e Lisie, mas temi que, do mesmo modo como pude ouvir a chamada, quem quer que fosse também poderia me ouvir. Então me escondi o melhor que pude sob uma cobertura no telhado e esperei.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;Poucos minutos se passaram até o barulho de motor pudesse ser novamente ouvido por entre as rajadas de vento. Mas dessa vez vinha de baixo, da rua.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Raposa para Águia, Raposa para Águia. Na escuta?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;O som das lagartas de um blindado se arrastando pelo asfalto logo se tornou inconfundível.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7385056732147611463?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7385056732147611463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7385056732147611463&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7385056732147611463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7385056732147611463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2011/01/95-raposa-blindada.html' title='95. Raposa Blindada'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5745352822405144949</id><published>2010-12-22T00:00:00.004-02:00</published><updated>2011-03-10T13:43:57.440-03:00</updated><title type='text'>94. Águia de Ferro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Joguei-me para o lado com uma cambalhota, ficando de joelhos, agora de costas para onde eu olhava e de frente para o corredor por onde entrei. Alguém apontando uma arma teria disparado no vazio, e antes que pudesse mirar novamente estaria alvejado. Poucas coisas boas me lembro de Amrak e seu exército, e esse movimento é uma delas. Mas felizmente não havia ninguém, e o susto não passou de imaginação. Ainda assim, decidi deixar aquele lugar sombrio e abandonado, vigiado pelos fantasmas do passado. Peguei o rádio e avisei Passan e Lisie que não havia problema e que ira explorar os próximos andares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já havia explorado até o 10o andar, mesmo que apenas rapidamente, ao procurar pelo leite do diabinho. Mas ainda havia outros 30 ou 35 andares a explorar. Milhares de pessoas trabalhavam naquele prédio antes da Explosão, e as coisas deixadas para trás na pressa de salvarem suas vidas são como ouro para sobreviventes como eu. Ainda que Passan dispusesse de praticamente tudo o que eu poderia querer, meu instinto de sobrevivente me forçava a explorar cada canto por onde eu passava em busca de qualquer coisa útil. E aquele prédio, um dos poucos a não ter sido saqueado -provavelmente em todo o mundo-, era mais que uma mina de ouro, era um paraíso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segui pelo corredor, rumo à saída de emergência. Com alguns chutes e encontrões consegui desemperrar a porta, aumentando consideravelmente a corrente de ar que circulava pelo andar. Cruzei os braços e apertei o casaco no pescoço ao sentir o frio assassino que soprava em Bermil. Mesmo acostumado e com óculos especiais,&amp;nbsp;semi-cerrei os olhos à claridade de toda aquela neve do lado de fora.&amp;nbsp;Subi pelas escadas externas até o próximo andar e parei diante da porta fechada. Senti uma enorme preguiça em forçar mais uma porta a abrir, e a julgar pelo que pude ver através da janela ao lado da porta, o interior estava intacto às intempéries. Quebrar o vidro seria expor o interior ao vento e à neve depois de tantos anos ileso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomei alguns instantes para ponderar sobre como agir. Pensei em disparar contra a trava da porta, ou usar um pé-de-cabra, mas ambas as alternativas arruinariam o mecanismo, que não mais manteria a porta fechada depois que eu saísse. Sem ter outras idéias, decidi perguntar a Passan por novas, e peguei novamente o rádio. Antes de apertar o botão para chamá-lo percebi um aviso piscando na tela, indicando que o &lt;i&gt;scan&lt;/i&gt; do aparelho tinha detectado a presença de outra&amp;nbsp;freqüência&amp;nbsp;ativa em seu alcance. Reconfigurei o receptor para aquela faixa de&amp;nbsp;freqüência, mas não havia nada. Aumentei o volume, mas sequer a estática podia ser ouvida. O sinal estava limpo, perfeito, mas não&amp;nbsp;transmitia&amp;nbsp;nada. Cerrei o cenho, pensativo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então que comecei a ouvir um barulho ao longe, aumentando gradualmente. Parecia um motor, mas vinha de cima.&amp;nbsp;Subitamente&amp;nbsp;o rádio berrou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Águia em&amp;nbsp;sobrevôo no setor leste. Raposa, na escuta? Câmbio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O helicóptero passou&amp;nbsp;rasante&amp;nbsp;na cobertura do prédio, jogando uma tempestade de neve para baixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5745352822405144949?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5745352822405144949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5745352822405144949&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5745352822405144949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5745352822405144949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/12/94-aguia-de-ferro.html' title='94. Águia de Ferro'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3678528240058335695</id><published>2010-12-15T00:00:00.003-02:00</published><updated>2011-02-21T09:52:49.202-03:00</updated><title type='text'>93. Décimo Primeiro Andar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Subi pela escada de incêndio. Olhei pela janela e vi o corpanzil de um dos enormes ratos que eu havia chutado no dia anterior, cuja barrigada havia sido parcialmente devorada e espalhada pelo corredor. Logo todo ele teria sido comido pelos de sua espécie. Um vento forte cortava Bermil naquela manhã, fazendo meus ossos congelarem, depois de me acostumar com o calor aconchegante do esconderijo de Passan. Decidi deixar que os ratos se acabassem e subi outro lance de escada. A porta estava emperrada, enferrujada com os anos, mas a janela do corredor tinha tido seu vidro quebrado. Com um pouco de cuidado consegui entrar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A enorme sala para a qual o corredor de emergência se abriu ocupava quase toda a extensão daquele andar. A área estava dividida em incontáveis micro-salas, separadas por paredes de madeira prensada de um metro e meio de altura. Os computadores que não haviam sido saqueados estavam arruinados pelo chão, junto a um mar de folhas de papel e outros materiais de escritório. Algumas das janelas, que iam do chão ao teto, estavam quebradas, fazendo uma corrente de vento constante cortar os corredores e erguer redemoinhos de papel e neve pelo ar. De arma em punho, entrei esperando que algo ou alguém pulasse sobre mim, mas quando senti o vento frio cortar meu rosto relaxei um pouco. Ali não era um bom lugar para um ser vivo comum se abrigar, e a julgar pela força do vento e pela bagunça espalhada pelo chão, bem como pelas quantidades enormes de neve acumuladas em cada lugar possível, nada nem ninguém vivia ali por muitos anos. Ainda assim não abaixei a arma.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei a circular pelos corredores que separavam as baias onde antigamente pessoas trabalharam. Me senti como se andando pelas lápides de um cemitério, onde as memórias daqueles que um dia estiveram ali&amp;nbsp; pairavam pelo ar, intocadas pelo vento que soprava feroz e parecia lhes dar voz, como fantasmas atormentados. Eu quase podia ver as pessoas andando apressadas, de um lado para o outro, em seu último dia naquele lugar, completamente alheias ao que lhes estaria reservado para o dia seguinte. Imaginei os olhos inchados de quem chora sem parar, as mãos sujas de sangue e poeira, e o sentimento de desespero e medo, não da morte, mas da solidão. Quando o véu da realidade finalmente ruiu, duvido que alguém estivesse preparado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agachei e peguei um porta-retratos no chão. Uma moça bonita de cabelos castanhos segurava uma menininha nos braços, sorrindo alegres em uma praia ensolarada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Estaria eu preparado?&lt;/span&gt; -e na hora não soube se disse num sussurro, ou se alguém mais dissera.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3678528240058335695?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3678528240058335695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3678528240058335695&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3678528240058335695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3678528240058335695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/12/93-decimo-primeiro-andar.html' title='93. Décimo Primeiro Andar'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3982755602864886856</id><published>2010-12-08T00:00:00.001-02:00</published><updated>2011-01-26T14:32:49.380-02:00</updated><title type='text'>92. Conservantes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recostei-me na parede em frente à porta da antiga creche. Fiquei alguns instantes pensando, enquanto recuperava o fôlego, no começo daquele covil de roedores. Pouco depois de todas as pessoas abandonarem o prédio -ou antes, provavelmente - os ratos começaram a se alimentar dos alimentos armazenados na despensa. Sem mulheres histéricas dando chiliques ao vê-los, eles se reproduziram livremente, provavelmente devorando uns aos outros na falta de alimento melhor, até atingirem tamanhos assustadores e números inimagináveis. Então me surgiu um pensamento que me fez ter calafrios e arregalar um pouco os olhos, tirando completamente de minha mente o som que viera do andar de cima. Se os cachorros e ratos daquela cidade haviam crescido e se tornado máquinas de matar, o que seria das baratas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que as suspeitas aparecessem se arrastando em minha frente em forma de insetos cascudos do tamanho de bolas de futebol, segui minha busca. Se antes eu havia levado vinte minutos subindo pelas escadas de incêndio até o 10o andar, e outros cinco dentro da colônia de ratos, levei quase duas horas explorando cada salinha de café e copa em busca de algo que já não houvesse virado fezes de algum roedor. Finalmente, no 3o andar, encontrei dentro de um armarinho de inóx o objetivo de tanto trabalho. A lata de leite-em-pó estava intacta, protegida dos dentes afiados dos ratos pelo inóx e pelo aço inoxidável, e de microorganismos pelos inúmeros conservantes criados pelas indústrias alimentícias -e se tem algo que eu agradeço até hoje por terem inventado são os conservantes de alimento, que mantém a comida boa... isto é, comestível, indefinidamente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levei a lata de volta a Lisie junto de uma mamadeira que encontrei pelo chão. Fiquei observando-a alimentar o pequeno diabo, tentando ignorar o aviso que sentia dentro de mim dizendo que aquilo não era boa idéia. Tentei mudar de pensamentos repassando pela mente o surgimento daquela colônia de ratos, imaginando se eles utilizavam os encanamentos para se locomover e de onde conseguiam àgua para tantos indivíduos, até que subitamente me lembrei do barulho que tinha ouvido vindo do 11o andar. Levantei num pulo, com os pêlos arrepiando na nuca. Lisie e Passan me olharam interrogativamente. Não queria alarmá-los, mas não conseguia pensar em nenhuma desculpa decente para me entupir de armas e subir novamente os andares do prédio. Então disse a verdade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: white; text-align: justify;"&gt;-Acho que ouvi alguma coisa vindo do 11o andar enquanto procurava pelo leite. Vou voltar lá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3982755602864886856?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3982755602864886856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3982755602864886856&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3982755602864886856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3982755602864886856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/12/92-conservantes.html' title='92. Conservantes'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6611107982708374867</id><published>2010-12-01T00:00:00.002-02:00</published><updated>2011-01-26T14:30:33.039-02:00</updated><title type='text'>91. Leite-em-pó</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro que apareceu na minha frente cruzou a pequena sala de entrada voando e por pouco não saiu pela janela. Os ratos que haviam tomado aquele lugar eram maiores do que qualquer outro que eu já tivesse visto. A cada chute dois ou três roedores voavam de encontro às paredes. Eram centenas, talvez milhares deles. Corriam e pulavam por entre os brinquedos empoeirados, como se brincassem com eles. Havia fezes em toda parte e o ar estava impregnado com um cheiro medonho de carniça e mofo. Carcaças de ratos e outros restos mortais se espalhavam pelos cantos em amontoados de quase meio metro de altura, de onde eles entravam e saiam sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a cruzar a enorme sala, onde provavelmente as crianças passavam boa parte de seu tempo brincando com as monitoras enquanto seus pais trabalhavam em algum escritório pelo prédio, mas havia um exército de roedores no caminho. Na parede oposta havia uma porta de onde se podia ver algumas mesas, e imaginei que a cozinha e a despensa deveriam ser naquela direção. Com sorte encontraria uma lata ou duas de leite-em-pó, que serviriam de alimento ao diabinho. Mas infelizmente não fui muito longe. Antes de chegar à metade da sala os pequenos soldados dentados, que até então tinham ignorado minhas investidas violentas contra alguns de seus familiares, pareceram acordar para o perigo. Como se fossem um, mostraram os dentes e se ergueram nas patas traseiras, guinchando em desafio. Me imobilizei de imediato, tentando não demonstrar ameaça, mas não houve sequer tempo de pensar em como agir. Do tamanho de um gato, vindo do banheiro, surgiu o que provavelmente era o rei daqueles ratos. Com dentes tortos e amarelos ele avançou com o corpanzil pelo meio de suas fileiras de guerreiros roedores, guinchando estridente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive tempo apenas de tapar as orelhas e me encolher enquanto corria para o corredor, em meio à uma chuva de ratos kamikazes, que se atiravam ao ar das prateleiras de brinquedo tentando me atingir. Fechei a porta atrás de mim com um chute, e com outros dois dei cabo dos roedores que tinham conseguido sair da creche, jogando-os para longe e fazendo-os correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a respiração ofegante já estava pensando em uma desculpa para dar a Lisie quando um barulho soou sobre minha cabeça. Abaixei-me por reflexo, e de olhos semi-cerrados olhei para cima. Só então percebi que o som viera do andar de cima. Havia alguém lá.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6611107982708374867?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6611107982708374867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6611107982708374867&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6611107982708374867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6611107982708374867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/12/91-leite-em-po.html' title='91. Leite-em-pó'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3591431477046862662</id><published>2010-10-30T00:00:00.003-02:00</published><updated>2011-01-24T10:50:41.838-02:00</updated><title type='text'>90. Diabinho</title><content type='html'>Dormi muito. Muito e muito bem. Pela primeira vez em anos eu tinha uma cama só minha, com lençóis limpos, travesseiros e cobertores. A preocupação constante que havia em dormir em um buraco na neve ou em uma casa abandonada não existia, e isso era quase tão reconfortante - se não mais - do que uma boa cama. Quando finalmente acordei minha barriga roncava tão alto que talvez ela mesma tenha me acordado. Deixei um dos muitos quartos com beliches que havia no abrigo e fui a procura de Lisie e Passan. Esperava encontrá-los na cozinha, com alguma coisa gostosa pronta para eu comer, mas os encontrei no hall de entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Bom... dia?&lt;/span&gt; - arrisquei, apesar de não fazia idéia de que horas eram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Boa &lt;i&gt;noite&lt;/i&gt;!&lt;/span&gt; - corrigiu Passan, sentado à pequena mesa de centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-Dormiu, hein!&lt;/span&gt; - falou Lisie sorrindo, e então se aproximou de mim trazendo nas mãos uma caixa de sapatos. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;;"&gt;-Veja! Saí essa manhã para explorar o prédio e encontrei isto!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma pequena bolota vermelho-acinzentada coberta de minúsculos pelos brancos inchava e murchava ritimadamente em meio a um amontoado de roupas velhas. Demorei um tempo para reconhecer do que se tratava, e as exclamações de "mas não é uma graça?!" e "é tão fofinho!" de Lisie não ajudavam muito. Por fim, depois que um focinho vermelho apareceu, seguido de um ganido agudo, percebi que aquilo era um filhote de Diabo de Bermil - ou um Diabinho, como foi apelidado pela ala feminina do abrigo. Fiquei surpreso, claro, mas fiquei ainda mais ao ver a animação de Passan e Lisie com o pequeno animal.&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Alguém aí lembra que essa &lt;i&gt;coisinha&lt;/i&gt;, daqui não muito tempo, vai virar uma moedor de carne ambulante?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-Ah, Nuke, pára com isso! Olha pra ele!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desisti de argumentar, dei um sorriso para eles e fui pra cozinha encher a pança. Duas latas de feijão e uma de legumes depois eles ainda estavam lá, admirando o choro baixinho da criatura. Mas antes tivesse continuado a comer. Mal cheguei e fui obrigado a fazer algo que não gostaria de fazer por um bom tempo: sair do abrigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-Ele deve estar com fome, não para de chorar e se chacoalhar pra cá e pra lá. Deve estar procurando a mamãe&lt;/span&gt;&amp;nbsp;- falou Lisie, com voz melosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Porque não o deixaram com a mãe?&lt;/span&gt; - mas já imaginava a resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-Ela não resistiu. Era aquela que os caçadores seguiam. Deu a luz à três filhotinhos, mas só esse ainda estava vivo quando os encontrei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Você saiu lá fora sem saber se o Diabo estava vivo ou não?&lt;/span&gt; - ergui as sobrancelhas, meio surpreso meio preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-Relaxa, Nuke. Eu sei me cuidar, lembra?&lt;/span&gt; - e ela sabia mesmo, mas era uma coisa que eu viria a me esquecer com facilidade daquele tempo em diante. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-De qualquer forma, é sua vez de se arriscar um tiquinho por nós. Passan me disse que no décimo andar ficava a creche do prédio. Será que você não poderia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Lá vem...!&lt;/span&gt; - interrompi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #3366ff;"&gt;-... buscar uma lata de leite em pó?&lt;/span&gt; - continuou ela, fingindo não me ouvir. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #3366ff;"&gt;-Assim podemos dar de comer ao pobrezinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-No meio da noite?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não podia negar. Não àquele olhar pidão que só as mulheres sabem fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo que soubesse que o décimo andar ainda estava em uso como creche, não teria negado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3591431477046862662?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3591431477046862662/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3591431477046862662&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3591431477046862662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3591431477046862662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/10/90-diabinho.html' title='90. Diabinho'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-8039043807654256338</id><published>2010-10-26T00:00:00.008-02:00</published><updated>2010-10-28T22:41:09.345-02:00</updated><title type='text'>89. Ganido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro desejei com todas as minhas forças ter uma lanterna. Depois me amaldiçoei por ter deixado a segurança do abrigo sem o mínimo de equipamentos para tal - está certo que eu não imaginava correr atrás de um homem de mais de 40 anos pelas ruas de uma cidade em ruínas pouco antes do anoitecer, mas foi uma tremenda burrice que não cometi muitas vezes mais em minha vida. A cada segundo que se passava o corredor escurecia mais e mais, e mesmo meus olhos treinados logo tornaram-se tão inúteis quanto os de um cego. Fiquei imóvel, tentando ouvir qualquer sinal de que o perigo avançasse. Mas no fundo sabia que, se ele viesse, não haveria tempo de reação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquele Diabo já tinha se mostrado capaz de atacar em uma fração de segundo com uma ferocidade aparentemente incompatível com seu corpo franzino, e isso obviamente não saía de minha cabeça. Ainda assim não tinha perdido toda a esperança de sobreviver. O animal ainda não tinha atacado, e fora o movimento e o ganido iniciais, não houve outro sinal de vida por segundos que pareceram horas. Se ele não havia atacado ainda, então talvez não atacasse. E, torcendo para que eu estivesse certo, dei um passo atrás. Não houve reação. Outro passo. Nada novamente. Três passos seguidos, e finalmente um som em resposta. Meus sentidos se aguçaram, meus músculos se retesaram, mas não foi o Diabo que se mostrou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um ponto brilhante surgiu no final do corredor. Um facho de luz cortou a escuridão densa, fazendo-me apertar os olhos com a claridade repentina. Eu continuava praticamente cego, mas tinha certeza de quem segurava aquela lanterna e respirei profundamente aliviado. Sorri envergonhado quando ela se aproximou e seus olhos azuis se iluminaram saindo da escuridão. Tentei disfarçar, mas meu embaraço era mais que evidente. Lisie ainda disse alguma coisa tranquilizadora enquanto seguíamos para o alçapão, mas não cheguei a prestar atenção, a adrenalina deixava meu corpo e um alívio extremo dominava minha mente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Onde está o Diabo?&lt;/span&gt; -perguntei quando passamos pelos corpos dos caçadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;span style="color: #3366ff;"&gt;-Está bem ali&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;- falou Lisie, apontando o facho de luz para os escombros na escada. Uma massa avermelhada de sangue e poeira estava amontoada entre grandes blocos de concreto.&amp;nbsp;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: blue;"&gt;&lt;span style="color: #3366ff;"&gt;-Vimos pelas câmeras quando ele se arrastou para aquele canto. Mal se moveu desde então. Deve estar pra morrer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já descia a escada do alçapão quando um ganido muito baixo e agudo veio dos escombros. Não era o Diabo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-8039043807654256338?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/8039043807654256338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=8039043807654256338&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8039043807654256338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8039043807654256338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/10/89-ganido.html' title='89. Ganido'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7288199390767668889</id><published>2010-10-22T00:00:00.004-02:00</published><updated>2010-10-22T21:02:22.830-02:00</updated><title type='text'>88. Necessário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não era um matador. Menos ainda um assassino. Mas assim eu me senti minutos depois de deixar o esconderijo de Passan. O homem ainda estrebuchava no chão, sua barriga aberta sorvendo sangue no meio da rua, quando virei as costas e comecei a correr de volta ao esconderijo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demorei longas noites para esquecer aqueles olhos. Quando gritei para que parasse, o homem virou em minha direção com olhos de fúria, arma em punho e dedo no gatilho. Um segundo - e três tiros na barriga - depois, seus olhos transbordaram medo e desespero, enquanto sua vida se esvaia pela poeira da rua. Fiquei aturdido, preso por aquele olhar. Era incrível, e até fascinante, ver quanto medo um homem podia sentir, e o quanto esse medo se tornava visível à beira da morte. Mas o fascínio, naquele momento, durou apenas isso, um momento. E então, enquanto corria de volta, tentei me convencer de que a morte daquele homem não tinha sido apenas um assassinato, mas uma morte necessária - se é que existem, realmente, mortes necessárias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corri o mais rápido que podia. A caçada tinha acabado e a noite avançava rápido pelo céu nublado. Não tinha percebido, mas corri por muito mais quadras do que esperava quando persegui o homem.&amp;nbsp;E agora temia não voltar ao esconderijo antes que a noite estendesse seus reinos pela cidade e os Diabos dominassem as ruas com seus dentes mortíferos. Saltei por pilhas de escombros e carcaças de carros sem raciocinar, usando apenas o instinto. E, quando as sombras dos prédios começaram a se fundir em uma escuridão crescente, uivos e latidos distantes ecoaram pelas ruas. Subi a escadaria na entrada do prédio com as pernas bambas e a garganta ardendo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu só carregava minha arma naquele dia, mas mesmo ela parecia pesar muitos quilos mais que o normal depois daquela corrida. Levei alguns segundos para me recompor, estatelado no meio do saguão de entrada, mas a escuridão e os sons da noite me ajudaram na decisão de levantar. Praticamente me arrastei até o corredor, imaginando Lisie e Passan me olhando pelas câmeras de segurança. Queria apenas entrar pelo alçapão e me deitar no chão do esconderijo até que meus músculos se recuperassem um pouco. Mas então eles se retesaram de novo. Ainda que estivesse muito escuro e eu muito cansado, meus olhos não tinham perdido sua sensibilidade para o perigo, e vi quando alguma coisa se moveu no final do corredor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respiração presa na garganta. Um ganido baixinho, quase inaudível. E eu já sabia qual era meu inimigo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7288199390767668889?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7288199390767668889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7288199390767668889&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7288199390767668889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7288199390767668889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/10/88-necessario.html' title='88. Necessário'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2715161323951409332</id><published>2010-09-20T00:00:00.000-03:00</published><updated>2010-09-21T21:50:06.280-03:00</updated><title type='text'>87. Caça e Caçador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coisa foi de mal a pior muito rápido. O primeiro homem entrou no pequeno hall e seguiu a trilha de sangue para debaixo da escada de arma em riste. Sua surpresa foi evidente, mesmo pela câmera, quando não encontrou sua presa amuada naquele canto escuro. Seus companheiros chegaram em seguida, também tentando observar o vão sob a escada. Conversaram por alguns instantes e então dois deles voltaram à porta, mas o terceiro continuou olhando para o espaço escuro. Dentro do esconderijo&amp;nbsp;ninguém respirava ou se movia enquanto olhávamos fixamente para a tela sem sequer piscar. O homem então se agachou para olhar mais de perto e então chamou seus companheiros, que voltaram apressados. Passan pareceu sair de um transe quando a imagem do alçapão sendo aberto apareceu na tela. Levantou estabanado da cadeira e quase foi ao chão, seu rosto rechonchudo estava suado e sua pele quase tão branca quanto a de Lisie. Tentou falar alguma coisa, mas conseguiu apenas arregalar os olhos e escancarar a boca. Pela primeira vez em duas décadas seu esconderijo tinha sido descoberto. Eles eram os caçadores, e quando nos descobrissem, seríamos a caça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A porta do esconderijo estava fechada, mas podíamos ouvir em nossas mentes o ranger das dobradiças do alçapão sendo abertas. Me aproximei da porta de aço de arma em punho. Aquela porta de aço era a única coisa que nos separava do mundo assassino que reinava no lado de fora, e pensar nisso fazia minhas pernas fraquejarem. Lisie manteve seu olhar incrédulo na tela, atenta a qualquer mudança, enquanto Passan continuava preso em seu desespero paralisante. Menos de um minuto se passou desde que o primeiro homem vestindo sua roupa camuflada desceu pela escada do alçapão, mas, ao contrário do que eu esperava, ninguém forçou a tranca da porta. Um segundo companheiro o seguiu, mas a porta continuou intocada. Quando o terceiro homem começou a descer pela abertura, eu me revezava&amp;nbsp;freneticamente&amp;nbsp;entre olhar a tela no fundo da sala e a tranca da porta, sem conseguir raciocinar coisa alguma. Mas foi então que a caçada começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisie gritou do fundo da sala. Sem pensar abandonei a porta e corri até ela, passando por Passan. Trêmula, ela apontava o telão na parede. Virei o olhar e também fiquei pasmo. O pequeno quadrado que&amp;nbsp;exibia&amp;nbsp;a câmera do corredor mostrava uma mancha cinza-avermelhada se projetando para dentro do alçapão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-O Diabo está descendo!&lt;/span&gt; -deixei escapar, enquanto um arrepio percorria toda minha coluna e se espalhava por cada membro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Diabo não desceu. Com metade de seu corpo para fora do alçapão a criatura fazia força com as patas traseiras, que derrapavam no chão liso. Instantes de desespero depois o animal conseguiu tirar seu corpo de dentro do buraco. Mas não o fez sozinho. Preso entre seus dentes protuberantes estava o pescoço do último homem a descer pelo alçapão. O Diabo arrastou o corpo inerte até o corredor e lambeu faminto o sangue que escorria da ferida. No fundo da imagem mostrada pela câmera pudemos ver quando um dos outros dois homens colocou metade do corpo pra fora e disparou seu rifle. Não ouvimos o tiro através da porta, nem pudemos ver se o disparo atingiu o alvo, mas o que aconteceu a seguir foi ainda mais difícil de entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Diabo, atingido ou não, avançou assim que percebeu a presença do perigo, e no instante seguinte se jogava em cima do atirador. Seus dentes cravaram fundo no braço do homem, que ficou tentando se desvencilhar desesperadamente. Amedrontado e visivelmente tomado pela dor o pobre coitado foi arrastado para fora do alçapão ainda se debatendo. O último homem surgiu então na abertura no chão. Primeiro colocou a cabeça para fora, procurando o inimigo, então apoiou o rifle no chão e apontou para os Diabo e seu companheiro, que lutavam por cima do cadáver da primeira vítima. Era obviamente impossível um tiro limpo naquelas condições, mas o disparo foi feito. Instantâneamente a luta acabou. O homem e o diabo estavam imóveis, caídos um por cima do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assustado e sozinho, o último dos homens de roupa camuflada passou correndo por cima dos corpos no corredor, sem se importar com os gemidos e espasmos de dor do companheiro ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Nuke, ele sabe do esconderijo!&lt;/span&gt; -berrou Passan, saindo do torpor que o dominou durante toda a luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu era o caçador. E a caça não podia escapar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2715161323951409332?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2715161323951409332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2715161323951409332&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2715161323951409332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2715161323951409332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/09/87-caca-e-cacador.html' title='87. Caça e Caçador'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4271824314348924285</id><published>2010-09-14T00:00:00.008-03:00</published><updated>2010-09-14T21:24:58.061-03:00</updated><title type='text'>86. Caçadores de Diabos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passan não estava feliz. Mesmo o conhecendo a poucas horas era visível sua irritação com tudo aquilo. Seus quase vinte anos de sobrevivente tinham sido o mais planejados e previsíveis possível, mas as últimas vinte e quatro horas tinham sido uma surpresa atrás da outra. Pensei que ele pudesse por a culpa em mim, mas felizmente não o fez. Simplesmente sentou em frente a um dos monitores, digitou alguma coisa e então ficou com o dedo em cima de um botão do teclado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Desgraçados, se entrarem aqui vai ser um problema...&lt;/span&gt; -esbravejou Passan, sem esconder a irritação. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Desmiolados de merda, deviam ter ficado na fossa onde se criaram... junto com os outros da ganguezinha.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lisie arregalou os olhos para Passan, e então desviou o olhar para mim com preocupação. Entendi de imediato o que ela queria dizer: Passan pretendia detonar explosivos caso aqueles homens entrassem no prédio. Precisei intervir:&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Passan, você vai explodi-los?&lt;/span&gt; -perguntei tentando me mostrar calmo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-É claro...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Mas... bem, isso não pode derrubar a entrada do prédio? Ou mesmo ele todo? Vamos acabar presos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Claro que não! Não coloquei tantos explosivos assim!&lt;/span&gt; -sua voz era de irritação. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Eu coloquei só algumas cargas, e...&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt; &lt;/span&gt;-percebi a exitação de Passan e soube que ele não era bom com explosivos o suficiente para saber quão grande seria a explosão.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white;"&gt;-Passan, vamos deixar que eles entrem, vasculhem o que queiram e vão embora. Nem sabemos se eles vão entrar, e se entrarem provavelmente vão querer apenas o Diabo. Além do mais, você me deixou entrar e não me explodiu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Só deixei porque Lisie pediu, do contrário...&lt;/span&gt; -e dizendo isso tirou o dedo do botão. Uma sensação de alívio se espalhou por mim e diminuiu a tensão em meus músculos ao ver que não morreríamos soterrados por concreto e ferro, mas também em saber que Lisie tinha feito o pedido para que eu entrasse no esconderijo.&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt; -Tudo bem, vamos ver o que eles querem. Mas se der merda, eu te dou de comida àquele Diabo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minutos depois os três homens camuflados se aproximaram da escada de entrada do prédio, portavam antigos rifles de caça com mira telescópica e levavam facas na cintura. Passan se moveu nervosamente na enorme cadeira giratória que ficava logo abaixo do telão das câmeras de vigilância. Os homens subiram a escada de armas em punho, observaram rapidamente o hall de entrada e seguiram para o corredor. Passan apertou os braços da cadeira com força, visivelmente tenso. O caçador mais a frente agachou-se na entrada do corredor e passou os dedos em uma pequena mancha de sangue, então levou-os à boca e os lambeu. Em seguida apontou para o fundo do corredor e pôs-se de pé. Os três ergueram as armas e apoiaram-nas nos ombros, engatilhando uma bala na agulha.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em outra câmera, o Diabo eriçava-se em seu esconderijo entre dois blocos de concreto. Dentro do abrigo Passan prendia a respiração.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A caçada ia começar. Apenas não sabíamos quem era a caça, ou o caçador.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4271824314348924285?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4271824314348924285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4271824314348924285&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4271824314348924285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4271824314348924285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/09/86-cacadores-de-diabos_14.html' title='86. Caçadores de Diabos'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7636165481601216288</id><published>2010-09-07T00:00:00.004-03:00</published><updated>2010-09-08T15:27:52.431-03:00</updated><title type='text'>85. Farejados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus músculos se contraíram em uma fração de segundo e em seguida me  impulsionaram para frente com toda a força que puderam fornecer. Me  joguei contra a pesada porta de aço numa trombada estrondosa. Meu ombro  direito latejava devido ao impacto, mas ignorei a dor e girei a trava da  porta, selando-nos no interior do abrigo. Passan chegou em seguida com  nossas armas, que seguramos e apontamos para a porta, como se  esperássemos que um monstro gigantesco fosse abri-la à pancadas. É claro  que nada abriu a porta, mas ainda assim esperamos bons minutos ali, a  poucos passos de distância. Não podíamos mais ouvir o som de metal sendo  raspado, apenas nossa respiração e o chiado constante dos equipamentos  da sala ecoavam pelo lugar, e isso servia apenas para aumentar  exponencialmente a tensão em nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Chega dessa merda. Lisie,  amplie a câmera 15 no telão&lt;/span&gt; -disse Passan abaixando a arma e caminhando  para o fundo da sala, logo atrás de Lisie. Eu ainda olhei uma vez mais  para a porta, conferindo a tranca, e então os segui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadrado da câmera quinze tinha sido ampliado e mostrava, de um ângulo superior, um corredor  com uma escada de serviço destruída ao fundo. Logo reconheci o lugar  como sendo a entrada do esconderijo. Quem quer que quisesse entrar tinha  que obrigatoriamente passar por ali. Apertamos a vista, tentando identificar algo, mas não havia nada ali. Passan navegou pelas diferentes câmeras, tentando encontrar o que havia feito os barulhos, mas em nenhuma delas havia qualquer coisa suspeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Mas que...&lt;/span&gt; -resmungou Passan, parando antes de soltar o palavrão mas completando com um soco na mesa. Ele estava visivelmente frustrado e preocupado com a origem dos sons, e sua testa estava molhada de suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Passan, porque não voltamos a imagem da câmera do corredor até a hora em que ouvimos o barulho&lt;/span&gt; -lembrou Lisie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Verdade, acabamos de usar isso e já me esqueci&lt;/span&gt; -Passan parecia mais aliviado com essa alternativa. Provavelmente ele pensara o mesmo que eu: cedo ou tarde teríamos que abrir a porta, fosse no dia seguinte ou semanas depois, e então teríamos de enfrentar quem, ou o que, estivesse ali. Descobrir com o que teríamos de lidar com era essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passan retrocedeu as imagens da câmera 15 para alguns instantes antes de ouvirmos os sons e então deixou-a prosseguir. Levou poucos segundos, mas todos prendemos a respiração. Um Diabo surgiu na parte debaixo da imagem, onde começava o corredor, e caminhou lentamente em direção à escada. Parou sobre o alçapão e abaixou a cabeça até o chão, voltou ao corredor e fez a mesma coisa nos cantos das paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Ele nos farejou!&lt;/span&gt; -exclamou Lisie, percebendo antes de Passan e eu o que o Diabo fazia ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na imagem, a criatura tinha voltado ao alçapão e começado a raspar com as patas a tampa disfarçada do esconderijo de Passan.  Parou por uns instantes, cheirou por todo o hall da escada, e então voltou a raspar o alçapão com ainda mais empenho, mas não por muito tempo. Desistindo de abrir a tampa o Diabo se aproximou da escada atulhada de escombros e se aninhou entre dois blocos de concreto, colocou a cabeça para trás e começou a lamber uma das patas traseiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Essa coisa está fazendo o que?&lt;/span&gt; -perguntou Passan, fazendo careta de dúvida e incredulidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Esperando a gente sair para nos atacar&lt;/span&gt; -respondeu Lisie, como se fosse óbvia a conclusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Acho que não... acho ele está é se escondendo&lt;/span&gt; -e apontei para uma das câmeras que mostrava a rua do prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele exato momento três figuras vestindo roupas camufladas cruzavam a rua e sumiam atrás de um prédio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7636165481601216288?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7636165481601216288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7636165481601216288&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7636165481601216288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7636165481601216288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/09/85-farejados.html' title='85. Farejados'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2082949258277411619</id><published>2010-09-04T00:00:00.006-03:00</published><updated>2010-09-08T15:28:14.604-03:00</updated><title type='text'>84. À Luz do Dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todas as câmeras do interior do prédio mostravam a mesma imagem assustadora. Durante todo o tempo em que Passan e eu conversamos no hall do prédio havia algo esgueirando-se pelas sombras, observando-nos. Fitamos a tela atônitos, sem acreditar. Apenas quando descemos pelo alçapão e a criatura deixou o prédio é que finalmente percebemos o que era. E isso só nos deixou ainda mais espantados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;-É um... &lt;/span&gt;-começou Lisie a falar, mas foi completada por Passan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Diabo de Bermil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;-Como pode? À luz do dia?!&lt;/span&gt; -sua voz era um misto de surpresa e medo. &lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;-Eu... estava lá fora... na mesma hora... não é possível!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos observando as imagens. O cachorro, que não passava de um punhado de pele e pelos sobre uma frágil carcaça de ossos, desceu pela escadaria do prédio em direção à rua, parando ocasionalmente para lamber as poças de sangue seco no chão. Caminhava lentamente, com a cabeça baixa e olhar assustado. Seus dentes afiados ficavam à amostra, mal sendo cobertos pela pele esticada, e uma de suas patas traseiras parecia ferida. Era a segunda vez em que eu via um Diabo, mas tinha ouvido muitas histórias dos soldados do acampamento de Amrak. Sabia que os Diabos saiam apenas durante a noite, passando todo o dia escondidos em tocas nos escombros. Todos temiam encontrar uma dessas tocas durante as escavações nos escombros, por isso nenhum soldado fazia o trabalho e esse tipo de história era totalmente proibida próxima aos trabalhadores. E, portanto, sabia quão estranho era ver uma daquelas criaturas ali, no meio da rua, à luz do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Vivo nesta cidade desde muito antes de sua destruição. Vi essas criaturas surgirem dos escombros e se reproduzirem&lt;/span&gt; -contou Passan, ainda com os olhos vidrados.&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt; -Vi o terror e o medo que elas causam em quem passa por aqui crescer junto com elas. Mas nunca havia visto um Diabo vi à luz do dia. Algo está errado. Muito errado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato algo estava muito estranho naquilo tudo. Nem mesmo os mais amedrontados pelas histórias dos Diabos poderiam imaginá-los caminhando pelas ruínas de Bermil tranqüilamente à luz do dia. O amanhecer sempre significou o fim dos uivos e ganidos que inundam a noite e atormentam o sono daqueles que vivem no que restou da cidade, e pensar que as horas de claridade também seriam assombradas por aquelas criaturas era algo assustador demais. O medo sempre foi uma constante na vida de quem luta para sobreviver sob os escombros da sociedade do mundo antigo, mas os Diabos davam uma nova dimensão a esse medo, principalmente àqueles que um dia tiveram um cão como companheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, arrancando-nos de nossos devaneios e trazendo-nos de volta à realidade, um barulho metálico ecoou pelo corredor. O som de metal sendo arranhado bateu em meus ouvidos como num tambor. Meu coração disparou e um arrepio desceu pela coluna, ouriçando os pelos de minhas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Lisie, você trancou as portas quando desceu?&lt;/span&gt; -falou Passan, com pavor na voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta fora retórica. A porta de aço reforçado estava semi-aberta, e pelo vão deixado por ela a escuridão do corredor tentava se arrastar para dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Fodeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2082949258277411619?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2082949258277411619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2082949258277411619&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2082949258277411619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2082949258277411619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/09/84-luz-do-dia.html' title='84. À Luz do Dia'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3438699063027224843</id><published>2010-08-31T00:00:00.003-03:00</published><updated>2010-09-14T10:01:51.648-03:00</updated><title type='text'>83. Luz, Câmera, Sombra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A tela que se iluminou estava vazia. Bom, não vazia, já que mostrava uma  esquina atulhada de escombros e uma rua cheia de esqueletos de prédios  semi-destruídos, mas nada de anormal estava à vista. Passan soltou um  risinho e resmungou alguma coisa, puxou um teclado mais para perto e se  pôs a digitar. Instantes depois a tela piscou novamente, mas dessa vez a  imagem exibida era escura, em tons de preto e azul. Primeiro não  entendi, mas logo manchas vermelho e laranja começaram a se materializar  em meio à escuridão. Passan tinha mudado para a câmera para visão de  calor, e agora quem se escondia em meio aos escombros brilhava como  lanternas na noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: rgb(102, 102, 102); text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Eles  são de uma gangue do outro lado da cidade. Comerciei com eles nos  primeiros anos, mas um dia, quando estavam doidões, tentaram me forçar a  mostrar meu esconderijo e quase me mataram. Deixei três deles de jantar  para os diabos e nunca mais troquei nada com eles, ainda que insistam  todos os anos. Devem estar desesperados atrás de suprimentos e  equipamentos pois cruzam essa região pelo menos uma vez por mês. Talvez  estejam me procurando, mas quase nem me preocupo, são burros demais.  Acho que eles pensam que ninguém consegue vê-los com aquelas roupas  camufladas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato aqueles caras eram difíceis de ser ver  quando estavam parados, a espera de uma vítima, mas qualquer um que  estivesse observando uma passagem ou uma rua com um pouco mais de  atenção seria capaz de vê-los se aproximando. Mas Passan não estava para  brincadeira, ainda que duvidasse da capacidade intelectual daquela  gangue de mortos de fome, e não tirou os olhos do monitor. Seu indicador  estava apoiado em um dos botões do teclado, pronto para ser apertado.  Não resisti e perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Por acaso esse botão aí vai detonar uma bomba nuclear, é?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Nuclear não, mas se aqueles imbecis entrarem aqui&lt;/span&gt; -respondeu Passan em tom um pouco sério- &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;vão ter uma bela dor de cabeça pra juntar as partes de seus corpos pelo chão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei  uma risada, comi o último pêssego em calda da lata e comecei a observar  o imenso telão no fundo da sala que mostrava todas as câmeras  instaladas por Passan. Era uma tela quadrada de pelo menos um metro e  meio, dividida em vinte e cinco quadrados menores, cada um mostrando uma  imagem diferente. Uns 4 ou 5 quadrados mostravam apenas chuvisco, de  modo que pelo menos 20 câmeras estavam em funcionamento. Lisie se  aproximou para olhar o monitor e senti quando seu braço quase esbarrou  no meu, fazendo os pelos arrepiarem em uma onda até o ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Vamos ver o seu susto de hoje cedo?&lt;/span&gt;  -e dizendo isso clicou em um dos quadrados da tela que mostrava o hall  de entrada do prédio. O quadrado aumentou de tamanho, ocupando alguns  dos quadrados adjacentes e botões surgiram próximos à base. Lisie  apertou o botão "voltar" várias vezes, mas a imagem mostrada pareceu  imóvel. Apenas a variação de luminosidade do hall indicava o passar das  horas. Quando a luz começou a ficar mais fraca e uma figura se moveu  rápido pela tela Lisie parou. &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Pronto, Passan está se aproximando de você, de braços erguidos. E você... tremendo como uma vara verde!&lt;/span&gt; -pôs-se a gargalhar, apontando o dedo para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Devo admitir que fiquei com medo de você se assustar e puxar o gatilho... Nunca se sabe, não é?&lt;/span&gt;  -Passan tinha decidido que o caminho tomado pela gangue de homens  camuflados seguia em uma direção segura e tinha se juntado à Lisie na  chacota contra mim.&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt; -Um cachorrinho assustado é mais perigoso do que parece... ainda mais quando dão a ele um Ak-47!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  nunca tinha visto um gato de verdade, apenas fotos em revistas e  desenhos em livros, mas sorri amarelo, fazendo careta, quando ambos se  puseram a rir juntos de mim. Estava pensando em algo para tirar sarro  dos dois quando uma coisa me chamou a atenção no telão e me fez virar o  rosto de repente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Vocês viram aquilo?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Aquilo o que?&lt;/span&gt; -retrucou Passan, arregalando os olhos e se aproximando da tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Volte a imagem, Lisie... isso, pare!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu  e Passan cruzávamos o hall do prédio e nos dirigíamos para o corredor  onde ficava o alçapão. Pouco antes de sumirmos da visão da câmera uma  sombra cruzou uma porta do outro lado do salão. Lisie retrocedeu a  imagem quadro a quadro, e parou no momento exato em que uma mancha  escura saltava de um lado ao outro da porta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3438699063027224843?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3438699063027224843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3438699063027224843&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3438699063027224843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3438699063027224843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/08/83-luz-camera-sombra.html' title='83. Luz, Câmera, Sombra'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7185370736229049152</id><published>2010-08-28T13:13:00.010-03:00</published><updated>2010-10-22T16:10:29.294-02:00</updated><title type='text'>82. Pêssegos em Calda</title><content type='html'>Passamos horas jogando conversa fora. Passan trouxe latas de frutas em calda e uma enorme garrafa de refrigerante. Pensei no quanto aquelas coisas valeriam em uma cidade como Tradeport, mas Passan não parecia saber disso, ou não se importava, e eu decidi que não me importaria também. No momento queria me preocupar apenas em aproveitar aquelas iguarias e a boa companhia  dos meu novos amigos.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Logo descobri que fora Lisie quem disparou o sinalizador na noite anterior. Ela havia se demorado em uma de suas incursões pela cidade, em busca de comida ou qualquer coisa útil, e acabou cercada pelos Diabos em um prédio próximo. Então Passan, vencendo sua aversão em sair de seu esconderijo, principalmente durante a noite, saiu em resgate de sua nova pupila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-Ela me lembra minha irmã. Não podia deixá-la à própria sorte&lt;/span&gt; -me confidenciou Passan, meio bêbado com o excesso de açúcar no sangue depois de uma lata inteira de doce de pêssego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisie já estava morando ali havia algum tempo. Sua unidade do Rosa Radioativa fora debandada depois de um combate sangrento e Nova Bermil tinha sido uma feliz coincidência em seu caminho sem rumo. À beira da morte, de fome e frio, Passan a encontrou desmaiada em um beco da cidade. Seu instinto foi deixá-la lá, à própria sorte, como havia feito outras tantas vezes com outros que encontrou. Passan temia, com razão, que a localização de seu esconderijo pudesse ser delatada quando a pessoa se recuperasse e quisesse ir embora, e por essa razão tinha vencido o instinto de ajudar todas as vezes. Mas certo dia, ao se deparar com uma pilha magricela de pele, ossos e farrapos, não pode deixar de se apiedar e se aproximou. Reconheceu a rosa no símbolo do RR em meio aos restos de roupa que cobriam aquela criatura e decidiu deixar os riscos de lado. Quem quer que lutasse pelo RR, acreditava, não poderia ser má pessoa. Passan poderia ter pensado que alguém simplesmente tinha encontrado aquelas roupas em algum cadáver, tinha matado um dos soldados do RR e tomado sua roupa, ou que fosse um traidor deserdado, mas felizmente não pensou. E Lisie estava salva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eles se ajudavam. Passan tinha mapas e equipamentos, mas não tinha a habilidade e a agilidade necessárias para incursões pela cidade, enquanto Lisie não tinha nada além de suas habilidades e seus treinamentos militares. Juntando forças eles agora tinham recuperado suprimentos e equipamentos de todos os prédios próximos, de modo que Passan pode terminar de montar sua rede de vigilância em torno do esconderijo. Nada nem ninguém passava a menos de duas quadras de distância do subsolo daquele prédio sem que Passan soubesse. E enquanto me explicava todos os censores, câmeras e auto-falantes espalhados pelas redondezas um bipe começou a ser emitido de um dos equipamentos da sala, sendo seguido imediatamente por um monitor de computador, que piscou e ligou exibindo a imagem de uma das câmeras externas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666;"&gt;-A cada ano eles vem mais cedo... &lt;/span&gt;-falou Passan quase num sussuro, metendo outra colher de pêssegos na boca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7185370736229049152?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7185370736229049152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7185370736229049152&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7185370736229049152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7185370736229049152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/08/82-pessegos-em-calda.html' title='82. Pêssegos em Calda'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-452932819662518071</id><published>2010-08-24T00:00:00.003-03:00</published><updated>2010-08-31T19:47:50.302-03:00</updated><title type='text'>81. Lisie</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o rádio chiou em cima da mesa e uma voz feminina chamou por Passan quase tive um ataque fulminante. Mas foi quando ela entrou no abrigo que o Universo parou por um instante para admirá-la. Acho que esqueci de respirar por alguns minutos, pois quando dei por mim estava ofegante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Passan, veja o que encontrei no terceiro andar. Parece que...&lt;/span&gt; -sua voz se perdeu quando seu olhar cruzou o meu. Seus lábios se moveram, mas não falaram. Seus olhos arregalaram e o que quer que estivesse segurando foi ao chão. Achei que fosse gritar de medo, mas uma única palavra inundou a sala. &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Nuke!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o mesmo olhar de que me lembrava a garota se jogou contra mim em um abraço apertado. Muitos meses tinham se passado desde que a vi pela primeira vez. Na verdade, ela me vira primeiro. Eu havia acabado de fugir do acampamento dos Escravizadores e tinha passado boa parte da noite correndo na escuridão. Pouco antes de cair exausto entrei em um veículo abandonado e adormeci profundamente. Pouco depois estava sob a guarda do RR, o exército rebelde Rosa Radioativa, que cuidou dos meus ferimentos e me deu roupas e equipamentos para continuar minha jornada solitária. Mas o RR também levou algo de mim, dentro dos olhos azuis de uma de suas combatentes. E apenas agora eu me dava conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Pelo visto já se conhecem mesmo, não é?&lt;/span&gt; -disse Passan com um sorriso. &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Venham, vamos nos sentar, comer alguma coisa e botar a conversa em dia. Tenho uma ou duas latas de feijão que venho guardando pra uma ocasião como esta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passan trouxe os feijões e um vidro de geléia de amoras. Eu tenho vagas lembranças de ter comido feijão quando era um garotinho, mas geléia era a primeira vez que comia. Não me lembro bem do gosto, mas acho que era bom. Eu estava mais interessado em ouvir o que aqueles olhos azuis tinham a dizer, de modo que comer, pensar ou falar estavam em segundo, talvez até em terceiro plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Obrigada por tê-lo deixado entrar, Passan. Mas não precisava tê-lo assustado daquele jeito, não é? Eu ouvi tudo lá de cima. Até que foi engraçado, mas o coitadinho deve ter morrido de medo&lt;/span&gt; -então eles já sabiam quem eu era. Ela sabia! &lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-Veja como ele ainda está meio avoado. Deve estar assustado ainda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava mesmo avoado, e realmente era por causa do susto. Mas não do que Passan me dera, e sim do que ela me dera. Sua presença ali era quase inacreditável e completamente inesperada. Não sabia o que dizer, e em minha mente só ficava imaginando quais as chances de isso ter acontecido. Ainda assim, depois de quase engolir a colher e engasgar com o feijão tentando juntar coragem, falei pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-A-ainda não nos apresentamos&lt;/span&gt; -comecei sem jeito. &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-B-bom, você sabe meu nome... mas, eu não...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;Lisie&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 102, 255);"&gt;.&lt;/span&gt; Muito prazer!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-452932819662518071?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/452932819662518071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=452932819662518071&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/452932819662518071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/452932819662518071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/08/81-lisie.html' title='81. Lisie'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4601696282164749192</id><published>2010-07-27T00:00:00.000-03:00</published><updated>2010-07-27T18:52:33.633-03:00</updated><title type='text'>80. Passado de Passan</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;O aviso de bombardeio tinha sido dado em todas as cidades. Em todas as cidades do mundo, talvez. Não havia local seguro conhecido. Todos os locais eram alvos potenciais, tanto urbanos quanto rurais. Poucos conseguiram deixar as cidades onde estavam para encontrar amigos ou familiares em outras cidades. As rodovias congestionaram antes que os destinos fossem alcançados e, com o passar do tempo, sem policiamento, tornaram-se intermináveis campos de batalha, onde a população com medo e sem auxílio se enfrentava irracionalmente até a morte. O exército foi convocado a intervir, mas não havia contingente suficiente para cobrir todas as estradas, a enorme maioria das tropas já estava mobilizada nas fronteiras ou em outros países, preparando-se para a guerra iminente.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Eu e uns poucos colegas de trabalho morávamos em outras cidades, e portanto não tivemos para onde ir. Nos abrigamos no estacionamento subterrâneo do prédio, sobrevivendo com os suprimentos estocados no porão por ordem do governo. Mas comida não alimenta o espírito, e meus companheiros não suportaram a dor da espera. Mesmo as ruas tomadas por saqueadores e gangues parecia menos perigosa que ficar aprisionado em um lugar escuro com sua própria mente. E um dia antes de o céu irromper em chamas eles deixaram o prédio. Nunca mais os vi.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Mesmo sozinho, comecei a organizar e colocar em funcionamento os equipamentos que haviamos transportado para o estacionamento. Tínhamos a esperança de que a guerra fosse passageira e que nosso trabalho depois dela fosse ajudar a população a se reestabelecer. Trabalhávamos em uma rádio de alcançe nacional, transmitindo notícias à centenas de cidades, e decidi que faria sozinho o máximo que pudesse. Mas a guerra não acabou, e então não havia mais o que transmitir.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Quando a cidade parou de fumegar e o fogo consumiu seu último pedaço de madeira, tropas começaram a marchar. Mas mesmo os exércitos, um dia, terminaram de se exterminar, e apenas almas perdidas passaram a vagar por Nova Bermil. Inclusive eu. E foi em uma de minhas longas caminhadas pelos escombros que encontrei algo que me fez voltar ao trabalho. Em uma casa, no subúrbio da cidade, havia uma garagem com um carro esporte. Fiquei imaginando como um carro daquele ainda estava ali, intacto. Me aproximei um pouco e logo ficou claro o motivo de não terem tocado no veículo: uma ogiva havia atravessado o teto de madeira e assentado no banco traseiro. Eu não me importava, naquela época, em ser varrido por uma explosão, e sentei-me no banco ao lado, só para ouvir o &lt;/i&gt;tic-tac&lt;i&gt; da morte vindo daquele tubo de metal recheado de explosivos. &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Adormeci com o som e acordei apenas com o frio da noite. Quando saltei fora do carro pisei em um casaco esquecido ali, semanas atrás, e achei-me sortudo por não ter de caminhar em companhia do frio. Mas foi apenas quando retornei ao porão do prédio que me dei conta da sorte que havia no bolso do casaco: um mini &lt;/i&gt;music-player&lt;i&gt;.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4601696282164749192?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4601696282164749192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4601696282164749192&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4601696282164749192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4601696282164749192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/07/80-passado-de-passan.html' title='80. Passado de Passan'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3916436406120737137</id><published>2010-07-22T00:00:00.005-03:00</published><updated>2010-08-31T19:49:02.964-03:00</updated><title type='text'>79. Alçapão</title><content type='html'>Segui Passan pelos corredores do primeiro andar do prédio. Eu já havia checado todos aqueles cômodos no dia anterior, mas nada disse a Passan, que parecia determinado em seus passos pesados. Seguimos até as escadas de emergência, protegidas no passado por portas-corta fogo, cujo acesso aos andares superiores estava bloqueado por uma muralha de destroços. Passan percebeu meu olhar perdido e falou:&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Relaxe, não vamos por aí. Os militares bloquearam todas as passagens para os andares superiores, de todos os prédios da cidade. Mataram todos os que encontraram e se certificaram de não deixar esconderijos para atiradores. Nós vamos por aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passan se abaixou com dificuldades debaixo do vão da escada. Ali, camuflado por escombros de uma explosão que demoliu a porta e parte da parede do corredor, estava um alçapão. Uma escada de aço inoxidável descia em meio à escuridão. Espremendo a barriga protuberante Passan desceu os degraus lentamente. Segui-o, esforçando-me para fazer minha mochila caber na abertura. Dez metros de puro concreto abaixo havia uma pequena sala com uma única porta de aço. Não havia maçaneta ou tranca, mas ao lado havia um &lt;i&gt;scanner&lt;/i&gt; de cartão, brilhando com seus &lt;i&gt;LEDs&lt;/i&gt; fluorescentes. Passan tirou um crachá de identificação do bolso e passou na abertura. A porta emitiu um estalo e girou, revelando um corredor mal iluminado e outra uma porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Se alguém lá dentro fechar essa segunda porta, não há como abrir pelo lado de fora. Uma medida para que &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;hackers&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt; não pudessem entrar no abrigo. Veja. Essas travas de aço resistiriam até mesmo à explosivos. Sem falar que...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que Passan disse a seguir não foi captado por meu cérebro. Eu tinha caminhado pelo pequeno corredor que havia adiante e entrado pela porta e, a partir de então minha mente estava abalada, tentando compreender a enorme quantidade de equipamentos e luzes piscantes que havia naquele lugar. Um zumbido fazia a trilha sonora da sala e me mantinha em transe. Na parede oposta havia um gigantesco monitor, cobrindo metade da parede, cuja tela estava dividida em quadrados menores, cada qual mostrando uma imagem diferente. Já me aproximava para observar melhor quando uma voz ecoou pela sala vinda de um robusto aparelho de rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;-Passan, na escuta? Passan?&lt;/span&gt; - disse uma familiar voz feminina, que me fez um nó na garganta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3916436406120737137?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3916436406120737137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3916436406120737137&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3916436406120737137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3916436406120737137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/07/79-alcapao.html' title='79. Alçapão'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4166331929157189606</id><published>2010-07-16T00:00:00.003-03:00</published><updated>2010-07-25T22:54:08.624-03:00</updated><title type='text'>78. Passan</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda descia o terceiro degrau quando uma voz estrondosa ecoou pelo hall de entrada do prédio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-ESPERE. ESPERE, GAROTO.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meus músculos se retesaram, da testa ao calcanhar, e em uma fração de segundo me jogaram contra a parede. Podia sentir a adrenalina correndo em minhas veias, enquanto agarrava com força minha arma. Olhei de um lado ao outro da rua, mas nada havia além de escombros e neve. Chequei mais uma vez, apertando os olhos para enxergar mais longe, mas nada se movia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-CALMA GAROTO, CALMA.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lutei para que minhas pernas me obedecessem. Retornei ao interior do prédio em um só pulo, com o dedo no gatilho da arma. Também não havia ninguém ali. Mas a voz continuou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-GAROTO, SE PROMETER ABAIXAR A ARMA, EU APAREÇO.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é claro!, pensei. Claro que eu não abaixaria. Voltei para o local onde havia feito a fogueira, de lá eu podia observar a rua sem me expor. No peito, meu coração estava a ponto de explodir, mas continuava tentando bater mais e mais rápido. Olhei novamente pela rua. Nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-OLHA, GAROTO, VOU APARECER, MAS VÊ SE NÃO APERTA ESSE GATILHO, NÃO QUERO TE FAZER MAL.&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Virei-me de costas para a parede e fiquei observando a rua com o canto do olho, pela borda da janela. Minhas mãos comprimiam o cabo da arma, meu indicador roçava o gatilho, pronto para disparar. Quase molhei as calças quando um homem rechonchudo, de barba farta e cabelos sebosos cruzou a recepção do prédio em minha direção. Um microfone com fones-de-ouvido pendia em seu pescoço. O homem caminhava devagar, com os  braços abertos e olhos meio assustados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#FFFFFF;"&gt;-Q-quem é você&lt;/span&gt;? -gaguejei, apontando a arma em sua direção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"&gt;-EU SOU...&lt;/span&gt; - a voz reverberou nas paredes. O homem fez uma careta e então, num movimento lento e calculado, sem tirar os olhos de mim, apertou um botão num dos fones do aparelho. &lt;span class="Apple-style-span"  style="color:#666666;"&gt;-Alô? Isso. Desculpe. Agora sim, podemos conversar. Meu nome é Passan, e o seu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda hoje não acredito em minha sorte quando relembro momentos como este. O homem podia ser um louco, assassino, canibal, em busca de sua próxima presa fácil. Mas isso sequer me passou pela cabeça naquele momento. Seu olhar não parecia esconder segundas intenções, e meu sexto sentido dizia que era de confiança. Quando me estendeu a mão, querendo me cumprimentar, estiquei-lhe a minha. Alguma coisa naquele homem me lembrava Thompson, e isso trazia algum conforto em mim que não podia ser ignorado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembrei-me também de Anne, Lyriel, Yoseph e até de Von Ricky. Bons amigos, por mais curta que minha convivência com eles tenha sido. E, naquelas lembranças, não reparei quando os primeiros raios de sol que aquele mundo via em duas décadas escaparam de sua prisão de nuvens e iluminaram a entrada do prédio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4166331929157189606?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4166331929157189606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4166331929157189606&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4166331929157189606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4166331929157189606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/07/78-passan.html' title='78. Passan'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3329659823958228879</id><published>2010-02-01T00:00:00.001-02:00</published><updated>2011-03-24T14:43:12.218-03:00</updated><title type='text'>77. Sono, Sonho e Sangue</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdi a noção do tempo. Vaguei sem rumo pelas ruas, sorrateiro. As sombras da noite pareciam se mover, fechando-se sobre mim. Cada canto escuro parecia esconder olhos a espreita. Ao longe podia ouvir os uivos e ganidos dos Diabos. A brisa que soprava incessante gelava meu corpo como se eu estivesse nu. E, bem verdade, era assim que me sentia dentro de cidades. Muitos esconderijos, armadilhas e inimigos bastando atravessar uma rua não é boa pedida para um cara sozinho e mal equipado. Já espaços abertos são perigosos contra rifles, claro, mas olhos atentos e um pouco de sorte são suficientes para a maioria dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito tempo depois de deixar o acampamento comecei a observar a silhueta que a cidade formava contra os primeiros raios de sol que venciam a grossa camada de nuvens. A aproximação do amanhecer trazia um pouco de esperança. Não que eu temesse ficar preso ou mesmo morrer na cidade, mas um novo dia era sempre um novo dia, por mais clichê que isso soasse nos livros em que li. E quando minhas pernas pediam descanso e meus olhos começavam a se fechar pela falta de sono de dois dias, procurei abrigo em um prédio abandonado. As janelas tinham se quebrado há muito,  apenas alguns lugares ainda tinham uma fraca camada de tinta cobrindo os tijolos, as portas tinham sido arrancadas, e no topo da escada que levava ao hall de entrada apenas os vasos de planta ainda mantinham-se inteiros... sem planta alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi os degraus de três em três. Sair dos destroços da rua era um alívio, mas pensar em descansar era ainda mais reconfortante. As nuvens no céu se iluminavam quando terminei de fazer uma rápida inspeção no andar térreo do prédio. A porta para os andares de cima estava trancada, e não parecia haver outro modo de subir. Aproveitei para juntar uma boa quantidade de madeira. Acendi uma bem-vinda fogueira próxima a uma janela, de modo que a fumaça não tomaria conta do lugar, estiquei-me no saco-de-dormir e esperei que o cansaço dominasse meu corpo e me levasse para o mundo dos sonhos. E não demorou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei assustado. O som de uma explosão ecoou pelas ruas. Em seguida o som de sirenes anti-aéreas inundou a brisa que entrava pela janela. Em seguida o barulho das correntes de um blindado e de uma tropa em marcha começou a aumentar na rua. Encolhi-me o máximo que pude na quina das paredes, já com minha arma em punho, esperando que um exército invadisse o prédio. De repente, o som de um foguete cortando o ar e uma explosão de fogo e ferro contorcido, iniciou o combate. O som das metralhadoras cuspindo balas era frenético, enquanto o de corpos tendo suas cabeças dilaceradas por disparos certeiros era inconfundível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo silenciou, ainda esperei alguns instantes mais. Finalmente ergui a cabeça pela janela e olhei para a rua. Não havia fogo, destroços de veículos, corpos ou qualquer coisa que remetesse a um combate recente. Ainda assustado, pus-me de pé e segui para a porta de entrada. Finalmente, do outro lado da rua, avistei morte. Não me aproximei, mas pude ver o corpo de alguns Diabos dilacerados em cima de uma pilha de detritos. A julgar pelos ratos que atacavam os corpos, as mortes eram recentes. Uma trilha de sangue atravessava a rua e seguia para o prédio em que eu  estava. Algo ou alguém tinha se ferido e buscado abrigo ali também. Eu não estava sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais dúvidas em mente retornei à fogueira. Uma batalha sangrenta deveria ter acontecido do lado de fora, mas simplesmente desapareceu. Uma trilha de sangue entrava no prédio, mas não seguia a lugar nenhum dentro dele. E, finalmente, mas de maneira nenhuma menos importante, eu havia posto madeira na fogueira suficiente para durar oito longas horas de sono, mas as cinzas e o carvão restantes estavam gelados como a neve do lado de fora. Peguei meus pertences, guardei o saco-de-dormir e me preparei para voltar à caminhar. Antes de sair, lembrei de adicionar mais um motivo para não gostar de cidades: coisas estranhas acontecem dentro delas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3329659823958228879?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3329659823958228879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3329659823958228879&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3329659823958228879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3329659823958228879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/05/77-sono-sonho-e-sangue.html' title='77. Sono, Sonho e Sangue'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1111242418798905929</id><published>2010-01-31T00:00:00.017-02:00</published><updated>2010-09-04T15:29:21.282-03:00</updated><title type='text'>73. Diabos de Bermil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu primeiro turno de doze horas foi ainda no dia em que cheguei a Bermil. Um grupo de dez trabalhadores me tinha sido designado, e sua segurança dependia de mim. Meu trabalho era simples: impedir que algum deles morresse. Nos dirigimos à montanha de escombros na qual eles trabalhariam, a cerca de um quilómetro do acampamento, e de lá sondei os arredores. Estávamos sobre os restos de um prédio de escritórios de vinte andares, que ocupara metade da quadra antes de desabar, e que agora estava esparramado sobre prédios menores. Era um lugar com boas chances de se encontrar peças de computador, o que dava ânimo extra ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei que trabalhassem e me posicionei no segundo andar de um sobrado do outro lado da rua. Estávamos em uma área considerada segura, mas não eram raros os casos de soldados abatidos nessas áreas. Sentado em uma pilha de tijolos, podia observar o grupo trabalhando sob as placas de concreto, ao mesmo tempo em que tinha uma visão desobstruída dos dois lados da rua e de metade da rua perpendicular. Um casal de corujas brancas foi o maior perigo que avistei durante todo o dia. Pelo menos para elas ainda havia comida de sobra no mundo, já que ratos e ratazanas se fartando com tudo o conseguiam roer era o que não faltava em Bermil. Retornamos ao anoitecer para o acampamento, sem que muito tivesse sido recuperado do antigo prédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele primeiro dia tinha me animado, não tinham acontecido problemas, e todos estavam vivos e intactos de volta ao acampamento, fazendo-me esquecer um pouco da tristeza que tinha se abatido em mim por deixar Anne e Thompson em Amrak sem aviso. É claro, eu não tinha tido muita escolha entre vir ou não para Bermil, mas também não tinha me esforçado em avisá-los. Mas logo eles me procurariam e alguém os avisaria de onde eu estava, eu esperava. E absorto nesses pensamentos não vi o segundo dia passar, chegando a meu segundo turno, dessa vez noturno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dessa vez eu não teria que proteger ninguém. Trabalhar a noite não era arriscado, como descobri logo, era impossível. Um soldado veterano me acompanhou nessa primeira noite em claro em Bermil. Seu nome era Prank, tinha olhos duros de quem já viu mortes demais e viveu além do que gostaria, e sua barba estava por fazer. Mas ainda que sua função fosse me ensinar, não precisei de muitas palavras ou horas de vigia para aprender com o que eu teria de me preocupar. Nos abrigamos no mesmo lugar em que fiz meu primeiro turno, mas dessa vez Prank barricou a porta com escombros. Tão logo a noite avançou sobre as cidade em ruínas sombras começaram a se mexer por toda a parte, grunhindo, rosnando e uivando. Os soldados os chamavam de Diabos, e à primeira visão daqueles dentes afiados e olhos vermelhos, concordei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1111242418798905929?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1111242418798905929/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1111242418798905929&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1111242418798905929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1111242418798905929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/01/73-diabos-de-bermil.html' title='73. Diabos de Bermil'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2640325739021875200</id><published>2010-01-31T00:00:00.016-02:00</published><updated>2010-06-14T10:44:44.215-03:00</updated><title type='text'>76. Voluntário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Como todos devem estar sabendo, um pedido de ajuda foi avistado no céu cerca de meia hora atrás -disse o general &lt;/span&gt;-o qual sequer soube o nome- que comandava as tropas em Bermil àqueles que estava ali. &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Não temos informações de que seja algum dos nossos, e nem dispomos de um contingente que permita o envio de um grupo de ajuda neste momento. Ao amanhecer um dos grupos de extração fará uma breve missão de reconhecimento e...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Senhor, eu me voluntário para a missão&lt;/span&gt; -falei de subto, fazendo alguns soldados próximos me olharem com espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Não me lembro de ter pedido voluntários, soldado &lt;/span&gt;-retrucou o general, enfatizando a última palavra. Abriu levemente os lábios, como se fosse continuar o discurso, quando parou e pensou um segundo ou dois, então virou-se novamente para mim e continuou. &lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Muito bem, soldado. Se está tão animado assim, vá. Pegue seus pertences, o que lhe é direito do soldo e deixe este acampamento. Dou-lhe uma hora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos pareciam ter prendido a respiração para ouvirem com clareza cada palavra dita pelo general. Não se ouvia nem mesmo o vento. Ignorando todos os olhares bati continência, dei de costas e segui para minha barraca, onde recolhi minha mochila. Em seguida me dirigi ao depósito de suprimentos e equipamentos, onde me pagaram pelos meses de trabalho em Amrak e as semanas a serviço do exército. Meu salário não havia rendido muito, mas descobri que Thompson havia vendido o carro que Mark nos dera em Tradeport e mandado o dinheiro a mim, de modo que pude comprar roupas, suprimentos e armas. Gastei cada crédito que pude antes de me tirarem a pulseira, não deixaria para eles nem um tostão ganho com meu suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houveram despedidas ou conselhos. Dois soldados me guiaram para a saída do acampamento, e dali olharam com olhos frios eu me afastar. Sequer pude esperar o amanhecer, mas me consolava saber que os Diabos já deviam estar se fartando com a carne de um pobre coitado a essa hora. Eu não esperava encontrar sobreviventes, nem mesmo sabia em que direção seguir. Sabia apenas que aquela era mais uma das oportunidades que apareciam em minha infinita jornada para que eu mudasse de rumo e seguisse adiante. Eu era novamente livre, e adiante de mim havia apenas um vasto jardim de neve e ruínas pronto para explorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Nuke! Nuke!&lt;/span&gt; -chamou-me alguém, enquanto eu já me adiantava pelas ruas de Bermil. Virei-me e vi Prank correndo em minha direção com alguma coisa nas mãos. &lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Um amigo seu enviou isso algumas horas atrás. Acabei de encontrar lá na sua barraca, parece que só entregaram agora. Ainda bem que cheguei a tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o pequeno pé de morangos de Thompson. As folhas estavam amassadas e ressecadas pelo frio, mas parecia bastante saudável para uma planta tão frágil em condições tão adversas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2640325739021875200?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2640325739021875200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2640325739021875200&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2640325739021875200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2640325739021875200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/01/76-voluntario.html' title='76. Voluntário'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1637616003398528031</id><published>2010-01-31T00:00:00.013-02:00</published><updated>2010-06-14T10:43:10.938-03:00</updated><title type='text'>75. Fogo no Céu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podíamos ouvir as garras arranhando a parede e a barricada no andar debaixo. Mesmo a quatro metros de altura, a janela parecia ser apenas um pouco mais alta do que os cães conseguiam saltar. O focinho de um deles chegou a aparecer de relance, e em uma fração de segundo Prank conteve o impulso de disparar. Mesmo sob o vento que corria pelas ruas destruídas era possível distinguir o som de dezenas de criaturas cheirando e fuçando em cada canto, procurando um modo de nos alcançar. A tensão quase podia ser sentida com as mãos. Por um tempo incontável mal respiramos, na esperança que desistissem de nós, mas a possibilidade de carne fresca dava àquelas aberrações uma determinação impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De olhos vidrados na janela, Prank mexeu as pernas num espasmo estranho. Pensei que ele se levantaria e pularia pela janela, mas então chacoalhou a cabeça e piscou vigorosamente, como se voltasse à realidade. Olhou para mim e passou o dedão pela garganta, num sinal entendido pelos militares como uma ordem para matar. Fiz que não com a cabeça, mas ele simplesmente se levantou, apoiou a metralhadora no ombro e se aproximou da janela procurando um alvo. Eu já me preparava para levantar e me juntar à matança quando um grito quase inaudível fez tudo silenciar. Ao longe alguém gritava de desespero, em meio a disparos de espingarda. Imediatamente, como uma gigantesca sombra se movendo pela rua, as criaturas que nos cercavam avançaram em direção aos sons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me pouco do que aconteceu em seguida. Sei que Prank e eu olhamos um para o outro e concordamos no mesmo instante que aquela era hora de partir. Pulamos a janela em segundos e desatamos a correr pelos escombros da rua, agora vazia. Corremos sem olhar para trás, e não paramos nem mesmo para ajudar um ao outro quando inevitáveis tropeços e escorregões aconteceram. Quando finalmente nos aproximamos do acampamento de Amrak um enorme facho de luz nos cegou, fazendo-nos parar em uma derrapada. Protegemos os olhos com os braços, mas já estávamos ofuscados. Mal pude ver quando dois homens se aproximaram de nós, de armas em punho, e nos mandaram erguer os braços. Não tínhamos muita escolha, então obedecemos. Eu já suspeitava que o acampamento estivesse tomado, e já me preparava mentalmente para enfrentar o que quer que viria, mas felizmente não houveram surpresas. Um dos guardas tinha vindo comigo de Amrak e me reconheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Ei, é aquele cara que veio comigo de Amrak. Desculpem amigos, podem abaixar os braços e pegar suas armas. Estamos sendo precavidos, parece que uns tipos estranhos andaram passando perto demais do acampamento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sequer tivemos chance de perguntar ou contar algo sobre os Diabos quando um ponto luminoso escalou o breu da noite e estourou em uma cascata de fagulhas pouco abaixo da camada de nuvens manchando de vermelho-sangue a escuridão. Alguém pedia ajuda do outro lado das ruínas de Bermil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1637616003398528031?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1637616003398528031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1637616003398528031&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1637616003398528031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1637616003398528031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/01/75-fogo-no-ceu.html' title='75. Fogo no Céu'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5754858393589995340</id><published>2010-01-31T00:00:00.012-02:00</published><updated>2010-06-14T10:42:57.418-03:00</updated><title type='text'>74. Melhor Amigo do Homem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De cada fenda, vão ou buraco uma sombra se ergueu. Eram centenas, talvez milhares. Pareciam rastejar na poeira e na neve, por entre os destroços da cidade. Se espalharam pelas ruas, farejando e fuçando por todo lado. Aqui e ali um rato podia ser ouvido tentando correr por sua vida, mas logo uma onda de sombras se mexia e os guinchos do roedor davam lugar ao som de rosnados e ganidos, num emaranhado de corpos lutando pela carne fresca. As brigas e disputas duraram por uma ou duas horas, e só pararam quando um uivo cortou a escuridão. Prank e eu nos encolhemos de súbito, atordoados pela melancolia que se abateu sobre a noite. Não sabíamos de onde vinha, mas era como se todas as mulheres e crianças que morreram naquela cidade chorassem ao mesmo tempo, criando um lamento único e devastador para quem ouvisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Veja, eles estão se amontoando ali&lt;/span&gt; -falou Prank, apontando para uma pilha de escombros quase no final da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o binóculos podíamos ver claramente as criaturas se reunindo em volta dos restos de um prédio. O uivo ficou ainda mais forte e detrás dos escombros surgiu um enorme animal. Tinha metade da altura de um homem, e provavelmente seria muito maior que um ao ficar sobre as patas traseiras. Seu pelo era curto, sua pele parecia esticada demais sobre o esqueleto e os músculos, suas orelhas eram pontudas e seu rabo era quase tão grande quanto o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Esse deve ser o líder da matilha, com certeza&lt;/span&gt; -disse Prank, num sussurro quase inaudível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Mas o que eles são, afinal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Eles já foram um dia o melhor amigo do homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Cães?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Quando seus donos morreram ou fugiram por causa da guerra, só lhes restou uma opção para sobreviverem: instinto. Aqueles que não sucumbiram pela fome, doenças ou frio, reproduziram-se e tornaram-se no que você vê hoje. Devem ter se misturado com os lobos, e provavelmente são mais fortes e ferozes que eles. Verdadeiras máquinas de matar sobre quatro patas. Podem farejar comida à grande distância. Com certeza sabem que estamos aqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ecoei essas últimas palavras de Prank em minha mente, enquanto reparava que várias daquelas criaturas miravam seus olhares para nossa direção de quando em quando. Eles definitivamente sabiam que estávamos ali. Não havia como eles subirem até nós, a não ser que fossem capazes de saltar mais de quatro metros de altura, mas ainda assim eu não me sentia plenamente seguro. Conferi minha arma e deixei-a em punho. Prank me olhou de soslaio. Pensei que fosse rir de mim, mas então engatilhou a própria arma e deixou-a também à postos. Como se pressentissem nossos temores as criaturas se espalharam novamente pela escuridão num piscar de olhos. E num jogo de gato e rato, apareciam e desapareciam nas sombras. Minutos de tensão culminaram em fungadas e rosnados logo abaixo da janela que escolhemos para fazer vigília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Eles sabem que estamos aqui. Estão tramando alguma&lt;/span&gt; -sussurrei desconfiado, tentando não deixar o medo transparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Querem nos assustar, estão brincando conosco. São criaturas inteligentes, mestres da sobrevivência.&lt;/span&gt; -Prank não se preocupou em esconder o medo, mas pareceu confiante de que os cães -ou o que quer que fossem- não poderiam nos alcançar ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente um silêncio tomou conta da noite. Até mesmo a brisa que soprava constante por entre as ruínas da cidade tinha prendido a respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Que Deus tenha piedade de nós...&lt;/span&gt; -ouvi Prank murmurar, fazendo o sinal da cruz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5754858393589995340?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5754858393589995340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5754858393589995340&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5754858393589995340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5754858393589995340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2010/02/74-melhor-amigo-do-homem.html' title='74. Melhor Amigo do Homem'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5587589543200720749</id><published>2009-12-31T00:00:00.006-02:00</published><updated>2010-09-04T14:26:15.986-03:00</updated><title type='text'>72. Campo de Exploração de Destroços</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A inesperada e súbita partida a Bermil aconteceu ainda aquela noite. Quando fui embarcado no veículo que me levaria aos campos de exploração de destroços, descobri que minha bagagem tinha sido arrumada e já estava embarcada. O caminhão que faria o transporte era grande, e dentro haviam cerca de outros vinte soldados de Amrak, todos pouco mais velhos que eu, com excessão de dois, que pareciam ter idade para ser pai qualquer outro ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém conversou muito durante todo o percurso, que não era maior que vinte quilómetros, mas pelas poucas palavras trocadas pude perceber que havia mais em comum entre nós além da idade: todos havíamos, de algum modo, tocado em um ponto indevido das fundações político-militares de Amrak e seu exército, e de suas relações com outras cidades e facções. Bermil não era simplesmente uma fonte extra de recursos e riquezas, era um lugar suficientemente longe de Amrak no qual espertinhos curiosos podiam ser mantidos longe de descobrirem mais sobre o que não deviam. Chegamos com a noite ainda escurecendo as nuvens e fomos mandados direto às barracas de campo, onde teríamos pouco menos de duas horas de sono antes que começássemos nossas novas funções ao nascer do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela manhã pudemos vislumbrar pela primeira vez o que nos aguardava. Aquele ambiente era novo para a maioria, mas como um ex-escravo eu estava acostumado e não me surpreendi nem um pouco. O acampamento havia sido erguido em uma clareira aberta em meio aos escombros de dezenas de construções. O entulho retirado tinha sido empilhado por toda a volta, criando uma espécie de muralha, e apenas uma única entrada, apontando para onde o sol nascia por detrás das nuvens, havia sido deixada para a entrada de veículos. Cerca de cento e cinquenta soldados podiam se apinhar por ali, mas o efetivo era de mais de duzentos e oitenta, de modo que tudo funcionava em esquema de revezamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o comando e a proteção dos militares estavam grupos de trabalhadores livres, vindos de outras duas cidades da região: Mora e Trapas. Os recursos desenterrados das ruínas eram reciclados nas indústrias e se tornavam equipamentos e principalmente armas. A tecnologia retirada dos escombros também era muito valiosa, e amigos podiam matar uns aos outros por um simples chip de computador ou disco rígido em boas condições. Eu esperava que meus anos de experiência no assunto me garantissem um pouco de sussego, mas meu primeiro turno de guarda mostrou o que eu temia: o mundo era mais do que ruínas, cidades decadentes e desejos de riquezas, era um lugar de política e poder, com monstros reais e imaginários, no qual nos afogaríamos muito em breve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5587589543200720749?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5587589543200720749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5587589543200720749&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5587589543200720749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5587589543200720749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/72-campo-de-exploracao-de-destrocos.html' title='72. Campo de Exploração de Destroços'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1695685711003696674</id><published>2009-12-31T00:00:00.005-02:00</published><updated>2010-08-31T19:49:54.399-03:00</updated><title type='text'>71. Wisky, Charutos e Mulheres.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Von Ricky permaneceu em silêncio durante todo o caminho de volta à Amrak. Concluí que era pelo fato de ter perdido um de seus homens, famosos por serem rigorosamente selecionados dentre os melhores do exército pelo Comandante. Desde então não o vi mais pelo acampamento, assim como qualquer membro dos Fantasmas, e só pude imaginar que estariam em alguma missão por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei ainda outras duas semanas como vigia da muralha. Foram dias, como sempre, de completo tédio, ainda mais que a matilha de lobos tinha deixado de frequentar aquelas colinas depois do incidente. Mas, felizmente -ou infelizmente- meu tormento não durou muito, e em um noite de forte tempestade fui chamado a falar com o comandante em serviço. Dois soldados vestindo tinham vindo me dar o recado e me escoltar até a tenda onde eu deveria me apresentar. Nenhum deles respondeu às minhas perguntas, permanecendo em silêncio todo o tempo, e como tinham os rostos cobertos por gorros e máscaras para se protegerem do frio, não pude reconhecê-los. Durante todo percurso mantiveram suas metralhadoras em punho e permaneceram sempre um passo atrás de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois outros soldados guardavam a entrada da enorme tenda, e novamente não pude identificar nenhum deles. Dentro havia vários outros, mas a luz fraca de dois pequenos lampiões mal era suficiente para iluminar as mesas e cadeiras que havia no caminho. Ao fim da tenda, sentado em uma cadeira reclinável acolchoada estava acomodado o dito comandante. Como o vilão de algum filme antigo ele girou em sua cadeira ficando de frente para mim, fumava um charuto com uma mão e com a outra bebia wisky em um copo com gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Qual seu nome, soldado?&lt;/span&gt; -perguntou o comandante, cujo rosto e nome estavam escondidos pelas sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Senhor, Nuke, senhor&lt;/span&gt; -respondi, batendo continência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Nuke? Seu nome é Nuke, soldado?&lt;/span&gt; -falou, colocando o copo na mesa e soltando uma gargalhada engasgada em wisky. Os que estavam em volta, também protegidos nas sombras, riram em concordância, como se estivessem brincando de siga o mestre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Senhor, sim senhor&lt;/span&gt; -respondi novamente, segurando minha fanfarronice e minha irritação dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;-Estranho... Bom, fui informado de suas habilidades de observação, que resultaram na... hum...&lt;/span&gt; -e ficou um instante ponderando as palavras antes de continuar- &lt;span style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;missão bem sucedida com Comandante Von Ricky. Por isso, creio que seu talento será mais bem aproveitado nos campos de exploração de destroços, em Nova Bermil. Prepare-se, você parte dentro de uma hora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E afundou-se novamente em sua cadeira, bebeu de seu wisky e fumou de seu charuto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto saía ainda pude ver silhuetas voluptuosas de mulheres nuas dançando sobre soldados de sorte, em um mundo completamente fora de minha realidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1695685711003696674?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1695685711003696674/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1695685711003696674&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1695685711003696674'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1695685711003696674'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/71-wisky-charutos-e-mulheres.html' title='71. Wisky, Charutos e Mulheres.'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6292700585850579046</id><published>2009-12-30T00:00:00.004-02:00</published><updated>2010-08-31T19:50:43.695-03:00</updated><title type='text'>70. Velhos Conhecidos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando dei por mim, ainda caído no chão, um clarão vermelho iluminava os céus além da colina onde avistei o atirador. Von Ricky me observava de cima, assim como outros dois soldados, enquanto um terceiro soldado estava ajoelhado ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Sortudo desgraçado...&lt;/span&gt; -comentava o comandante com seus soldados. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Pelas minhas contas esse moleque já devia ter morrido umas três ou quatro vezes desde que o encontrei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Acho que ele vai ficar bem, senhor&lt;/span&gt; -disse o soldado que estivera ajoelhado. Apenas quando ele se levantou pude ver a cruz vermelha em seu ombro, indicando sua especialidade médica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Ótimo, levante-se, temos que ir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até tentei, mas uma forte dor nas costelas me impediu. Dois soldados tiveram de me ajudar a ficar de pé. Olhei então para baixo e vi um enorme buraco no uniforme camuflado do exército de Amrak. O atirador tinha tentado me atingir, mas o tiro passou de raspão, dilacerando a roupa e o colete a prova de balas que eu usava. Apenas a pancada resultante do impacto tinha me ferido, mas ainda assim doía profundamente. Olhei em volta e tentei entender o que tinha acontecido nos instantes em que fiquei desorientado. Von Ricky falava pelo rádio, alguns soldados tinham se expalhado pelas redondezas e os dois veículos que a pouco tinham partido em busca de quem quer que estivesse naquelas colinas estavam retornando. Reparei que em um deles havia buracos de bala que não existiam quando saímos da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Comandante! Comandante!&lt;/span&gt; -chamei, fazendo caretas de dor ao caminhar. &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-O que houve, afinal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Um homem abatido e um veículo levemente danificado, do nosso lado&lt;/span&gt; -disse virando-se para mim. E continuou, com a mesma seriedade de sempre. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Dois mortos, dois snowmobiles e um carro destruídos do outro lado. Pra sua sorte. Eu já estava esperando pelo ensopado no jantar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Tá, beleza, ensopado... Quem eram eles, afinal?&lt;/span&gt; -ignorando a piadinha sarcástica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-Eles tinham isso costurado nos uniformes&lt;/span&gt; -e esticou o braço, me passando um brasão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já havia visto aquele símbolo: um cálice branco com uma hóstia e uma auréola em volta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6292700585850579046?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6292700585850579046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6292700585850579046&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6292700585850579046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6292700585850579046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/70-velhos-conhecidos.html' title='70. Velhos Conhecidos'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4234917575575863375</id><published>2009-12-30T00:00:00.001-02:00</published><updated>2009-12-30T16:28:27.045-02:00</updated><title type='text'>69. Rastros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto avançávamos rapidamente pelo túnel repeti mentalmente várias vezes as palavras de Von Ricky. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;É bom que você esteja certo, ou não teremos apenas carne de rato no ensopado de hoje&lt;/span&gt;. Mas mesmo ele não se arriscaria com seus superiores saindo da cidade sem um bom motivo, e só o faria pois confiava em minhas habilidades de observação depois que encontrei seus melhores homens camuflados na neve. Estávamos ao todo em vinte, divididos em quatro veículos blindados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos à colina cerca de 40 minutos depois de eu ter observado ali a sombra. Com o binóculo era possível observar os guardas patrulhando o muro da cidade ao longe, mas em toda a nossa volta nada mais podia ser visto. Von Ricky estava obviamente transtornado, mas antes de explodir, mandou alguns de seus homens em duplas fazerem uma varredura nos arredores. Não demorou muito até que um deles encontrasse algo. Cerca de 100 metros de onde paramos haviam alguns lobos mortos ao lado de um bosque de pinheiros secos. Uma trilha de pegadas e sangue seguia por entre as árvores e terminava em um rastros de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;snowmobiles&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Times Alpha e Bravo, peguem os veículos e rastreiem a área, eles não devem estar muito longe &lt;/span&gt;-falou Von Ricky, enérgico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos para os veículos e dois deles seguiram por entre as árvores mortas. Von Ricky não largava do binóculo, assim como eu. Procurávamos por entre as árvores e pelas colinas por qualquer sinal de movimento, mas além de nós, nada se movia por ali. Logo as duas equipes do Comandante tinham se afastado e sumido além de uma enorme colina. Pelo rádio reportaram que nada havia depois do bosque, e que as marcas seguiam por uma grande planície sem nada à vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Filhos da puta, ratos sarnentos... &lt;/span&gt;-rosnou por entre os dentes Von Ricky. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Voltem pelo leste, por detrás das colinas e... &lt;/span&gt;-o estampido de um disparo cortou o silêncio e fez o comandante se calar. Um de seus soldados caia inerte ao chão, enquanto os outros erguiam suas armas e procuravam onde atirar. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Nuke, de onde veio esse tiro? &lt;/span&gt;-esbravejou comigo, agarrando-me pelo colarinho e quase me tirando do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei desesperado em volta com o binóculo. Varri todas as colinas, do bosque à cidade sem ver, novamente, nada. Refiz a observação, e dessa vez algo me chamou a atenção. Em uma colina do lado oposto ao bosque uma rocha se mexeu e sumiu atrás de outra maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Ali, entre as pedras!&lt;/span&gt; -gritei. E voltei a olhar pelo binóculo, bem a tempo de ver o clarão do segundo disparo e ser jogado para trás uma fração de segundo depois.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4234917575575863375?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4234917575575863375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4234917575575863375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4234917575575863375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4234917575575863375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/69-rastros.html' title='69. Rastros'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4233715449751864294</id><published>2009-12-28T00:00:00.006-02:00</published><updated>2009-12-30T13:52:24.447-02:00</updated><title type='text'>68. Sombras nas Colinas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Patrulhar o muro de Amrak com certeza não era bem a concretização de meu desejo de voltar a caminhar. Infelizmente, para um recruta como eu, ou era patrulhar as muralhas, ou limpar as latrinas. Como o soldado que brigou comigo ainda andava desejoso de uma revanche, acharam melhor que eu me mativesse o mais longe e ocupado possível, e um turno duplo na torre de vigia era ideal para isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As semanas como vigia foram um tédio total. Mas ao menos eu havia recebido um binóculo militar eletrônico, capaz de um aumento de 100 vezes e visão noturna. E foi com ele que observei, por duas vezes, uma enorme matilha de lobos cruzar as colinas não muito longe da cidade. Pouco antes do anoitecer, quando já quase não havia mais luz a iluminar as ruínas do mundo, um enorme lobo de pelos brancos surgia detrás das colinas e farejava a brisa noturna, então descia lentamente, parando aqui e ali para observar. Apenas quando seu líder chegava ao fundo da colina os outro membros da matilha saiam das sombras e avançavam pela neve fofa às dezenas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi quando achei que veria a matilha pela terceira vez que minha chance de sair dos turnos de vigia apareceu. Quando os últimos raios de sol se expremeram por entre as núvens uma pequena sombra surgiu acima de uma das colinas ao longe. Esperei que o lobo ancião surgisse e em seguida sua matilha, mas ao invés disso a sombra ficou lá parada, como uma mosca em uma toalha branca. Longos minutos se passaram e nem um movimento houve. Chamei um dos guardas que passava pela muralha logo abaixo da guarita e pedi que ele usasse seu binóculo, mas já não havia o que olhar. A mancha tinha sumido. O soldado riu-se de mim, disse que era melhor eu descansar um pouco e saiu. Eu sabia, porém, que havia alguma coisa diferente acontecendo. Aquele era o dia em que os lobos costumavam cruzar aquela região, e se eles não o fizeram deveria haver um motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que nenhum dos oficiais em serviço naquele momento estava disposto a mecher os traseiros gordos para fazerem uma verificação, ainda mais vindo de um recruta com três  semanas de serviço. Mas eu sabia a quem recorrer, e se eu estivesse certo meus dias de vigia chegariam ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Senhor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Ainda é Comandante Von Ricky, para você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4233715449751864294?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4233715449751864294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4233715449751864294&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4233715449751864294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4233715449751864294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/68-sombras-nas-colinas.html' title='68. Sombras nas Colinas'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2141008762400700886</id><published>2009-12-28T00:00:00.004-02:00</published><updated>2009-12-28T22:39:05.848-02:00</updated><title type='text'>67. Exército de Amrak</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-O que quer aqui moleque? Não temos pipa, bola nem peão aqui pra você brincar&lt;/span&gt; -esbravejou o soldado, que se esparramava em uma velha cadeira de plástico atrás de uma pequena mesa também de plástico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Quero me alistar&lt;/span&gt; -falei sem dar ouvidos à ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Ah, sei. E a&lt;/span&gt;cha que vai ganhar um pirulito, né? Vai fazer o que com o pirulito, enfiar no cuzinho até ele derreter?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio pensei em não dizer nada, e ficar ali parado até que ele fizesse meu cadastro, mas meu corpo tinha sido inundado de adrenalina e minha boca já não era mais controlada por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Talvez. Mas eu prefiro enfiar no seu e ver o palito sumir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O soldado arregalou os olhos imediatamente. Quem passava em volta congelou no lugar, esperando a reação. O homem então ficou vermelho, e numa explosão de raiva voou por cima da mesa, jogando ela e a cadeira longe, numa nuvem de folhas de papel rodopiantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-VOU TE MATAR, SEU FEDELHO DESGRAÇADO, FILHO DE UMA PUTA DEFORMADA RADIOATIVA.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto meu pescoço era esmagado pelas duas mãos do soldado, e metade do acampamento tinha se reunido a nossa volta gritando por sangue. Eu tentava me defender como podia, socando e estrebuchando, mas meu agressor era muito mais forte. Num último suspiro antes de sufocar estiquei meus dedos em seu rosto e comprimi seus olhos com toda a força que consegui juntar. Ele então soltou meu pescoço e levou as mãos ao rosto num urro de dor. Contorci-me para trás, coloquei meus pés em seu peito e empurrei-o para longe. Eu ainda tossia, tentando respirar, quando ele finalmente conseguiu abrir os olhos e me encontrar. Ele cambaleou até mim, com o rosto ainda mais vermelho que antes, e chutou-me no estômago. Senti a biqueira da bota militar cutucar meu órgãos antes de cair no chão, encolhido para escapar dos outros chutes que viriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;-Pare!&lt;/span&gt; -falou uma voz grossa, para meu alívio. Eu já estava para me arrepender da bravata quando um homem, vestindo um uniforme diferente dos demais, cheio de medalhas e brasões, encerrou a briga. Todos os soldados bateram continência e se puseram em posição, aguardando ordens. &lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;-Estão todos dispensados. Tratem de voltarem a seus afazeres.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Senhor, eu...&lt;/span&gt; -começou a falar o soldado com quem eu brigara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;-Cale-se!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Senhor, sim senhor&lt;/span&gt; -falou o soldado, colocando-se em posição de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;Ele queria se alistar, soldado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Senhor, sim senhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;-Se já apanhou o suficiente, garoto&lt;/span&gt; -disse ele a mim- &lt;span style="color: rgb(0, 102, 0);"&gt;recomponha-se e apresente-se ao comandante em serviço. Você acaba de assinar seu atestado de óbito. Seja bem-vindo ao exército.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2141008762400700886?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2141008762400700886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2141008762400700886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2141008762400700886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2141008762400700886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/67-exercito-de-amrak.html' title='67. Exército de Amrak'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6842486266042946931</id><published>2009-12-02T00:00:00.002-02:00</published><updated>2010-08-31T19:50:23.262-03:00</updated><title type='text'>66. Amrak</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dias passavam lentamente para mim. Thompson tinha se acostumado na primeira semana, arrumado um emprego junto aos pesquisadores da cidade, e encontrado uma pequena casa para morar. Anne tinha reencontrado sua família, e agora desfrutava a companhia de seus tios. Enquanto isso, eu me esforçava para fazer milagres no conserto dos veículos da oficina onde eu conseguira emprego. Quase não havia veículos na cidade, já que a maioria era usada pelo exército, e quando havia, não se encontravam peças que lhes servissem, então quase não pude desenferrujar meus conhecimentos de mecânica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passava a maior parte de meu tempo livre lendo qualquer coisa que encontrava, desde livros à revistas e quadrinhos. Era minha forma de aprender, já que não havia escolas, e de me distrair, dando as peças para que minha imaginação montasse o quebra-cabeças daquele mundo passado, do qual restavam apenas fragmentos. As visitas semanais de Anne e Thompson me ajudavam a conhecer um pouco do universo próprio em que a cidade estava mergulhada, mas uma rápida olhada nas ruas me desanimavam um passeio. Anne sempre me convidava a visitar seus familiares, mas eu não tinha vontade de vê-los, pois sabia que isso me faria sentir falta de meu pai. E já haviam se passado mais de três anos desde a última vez em que nos vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam muitas pessoas pelas ruas, a maioria cuidando de seus próprios assuntos, o que as deixava sem tempo de sequer olharem para aqueles que lhe cruzavam o caminho. Emprego é o que não faltava pela cidade. Em todo o canto era preciso de gente especializada para isso ou aquilo, e em nenhum canto se encontrava quem trabalhasse. O salário, que servia para a compra de comida e aluguel de moradia, era quase sempre o mesmo: 200 créditos Amraks, pagos diretamente nas pulseiras eletrônicas. Haviam empregos mais bem remunerados, mas normalmente em serviços que demandavam alto conhecimento específico, como o de pesquisas tecnológicas de Thompson, oferecidos pelo governo de Amrak. A comida -que eu não suportei desde o primeiro dia, me fazendo ter saudades da carne seca de iguana e da ração militar- era composta por uma dezena de cápsulas e uma massaroca de fibras. As cápsulas continham todos os nutrientes e minerais necessários para suprirem as necessidades diárias de cada pessoa, enquanto a massa, que alguns diziam lembrar macarrão, era necessária para evitar o atrofiamento do sistema digestivo pela falta de ingestão de alimentos sólidos. Tudo era fabricado em uma indústria, cuja chaminé soltava constantemente uma espeça fumaça negra, de aparência bastante duvidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a comida, os empregos, as pessoas e solidão não me incomodavam tanto quanto ficar parado. O fato era que eu não suportava ficar preso àquela cidade, dentro de seus limites murados. E apenas três meses se passaram antes que eu decidisse retomar minhas andanças em busca de coisa alguma, pelos escombros e amontoados de neve daquele mundo arrasado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6842486266042946931?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6842486266042946931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6842486266042946931&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6842486266042946931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6842486266042946931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/12/66-amrak.html' title='66. Amrak'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-170081821380840658</id><published>2009-11-17T00:00:00.002-02:00</published><updated>2010-08-31T19:51:00.851-03:00</updated><title type='text'>65. Pôr-do-Sol</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-Alto! Quem vem lá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com o grito do soldado saímos de nossos devaneios -eu já tinha me acostumado com devaneios, mas sempre me assustava ao sair deles, percebendo que o mundo não parava para me acompanhar em minhas viagens mentais. Dois homens vestindo uniformes camuflados para neve saíra das guaritas ao lado do portão de grade e se aproximaram de nós. Outros homens permaneciam nas torres e além das grades, de armas em punho e feições nada amigáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-Identifiquem-se&lt;/span&gt; -falou um deles, puxando a mascar que protegia seu rosto do frio, deixando ver cicatrizes e marcas de feridas e queimaduras por toda a face e pescoço. &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-Vêm a negócios ou como cidadãos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Ambos. Sou Thompson, este é Nuke, e aquela é Anne. Viemos de Tradeport.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-Hum, sei. Vocês poderão ficar por até uma semana, depois disso terão de trabalhar para poderem permanecer aqui. Existem empregos na cidade e fora dela, todos eles são pagos diretamente pelo governador de Amrak&lt;/span&gt; -ia falando o soldado, enquanto fazia anotações em uma prancheta. Um terceiro soldado se aproximou trazendo três pulseiras e um aparelho estranho, que mais parecia uma pistola com uma tela e um teclado. &lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-A comida é distribuída todos os dias antes do por-do-sol, portanto não percam a hora. Apresentem-se à Imigração para que lhes arranjem moradias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos explicaram que as pulseiras serviriam para nossa identificação dentro da cidade, e que sua retirada era expressamente proibida, sujeito a graves punições -limitando-se a repetir enfaticamente "graves", completando com um olhar fulminante, quando perguntamos quais seriam essas punições. Em seguida prenderam com a pistola as bordas das pulseiras em nossos braços, que apitaram levemente ao serem ativadas. Retiraram também nossas armas, garantindo que elas seriam armazenadas no arsenal, devidamente identificadas segundo nossas pulseiras. Relutantes, Thompson e eu nos entre olhamos, mas não tínhamos opções, então nos desfizemos das armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 153, 153);"&gt;-Sigam pela avenida até a praça central. Do lado direito encontraram o prédio da Imigração. Sigam diretamente para lá, entenderam? Se não nós saberemos&lt;/span&gt; -e apontou para as pulseiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao primeiro passo além do portão, o primeiro dentro de Amrak, lembrei-me dos veículos que tínhamos abandonado junto ao acampamento militar. Com um tapa na testa, vire-me para Thompson, mas ele se adiantou enquanto eu ainda abria a boca:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Sim, o caminhão e o carro ficaram. Eu volto pra pegar depois, mas primeiro...&lt;/span&gt; -aproximou-se de mim e girou-me nos calcanhares- &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;observe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amrak se erguia por toda a volta de uma grande bahia. Grandes blocos de gelo dançavam sobre as ondas do mar, como as estrelas no céu de antigamente. Casas, prédios e grandes galpões se amontoavam, dos sopés das colinas sobre a qual estávamos até o quebra-mar, como se preparassem para mergulhar nas águas escuras do oceano. A noite ia arrastando suas sombras sobre a cidade, e apenas sua silhueta podia ser vista contra os últimos raios de sol que pulavam de debaixo das ondas no horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-170081821380840658?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/170081821380840658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=170081821380840658&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/170081821380840658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/170081821380840658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/11/65-por-do-sol.html' title='65. Pôr-do-Sol'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-739015451217190261</id><published>2009-11-13T00:00:00.002-02:00</published><updated>2010-08-31T19:51:24.990-03:00</updated><title type='text'>64. Adeus, Branca de Neve</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Von Ricky virou-se e puxou um de seus homens, que ainda olhava para o rosto pálido de Lyriel, pelo ombro, afastando-se. Nesta hora lembrei-me de uma história, um conto de fadas, como se dizia antigamente, em que uma senhorita de pele tão branca quanto a neve havia sido envenenada e dormia profundamente, sem que nada pudesse acordá-la, até que um príncipe surgiu e, com um beijo, a fez despertar. Desejei que houvessem príncipes, e que um deles pudesse vencer a dama da morte que, invejosa da beleza alheia, levava Lyriel de seus entes queridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não apareceu nenhum príncipe, e logo os médicos levavam-na embora, coberta com um lençol branco esfarrapado. Outro militar, de alta patente, assumiu o comando da situação agora que Von Ricky se fora. Seus homens nos empurraram com violência,  mandando que fossemos embora, mas Yoseph e Anne não queriam deixar Lyriel sozinha. Yoseph, aos gritos, e mesmo com fuzis apontados para sua cara, convenceu-os a deixarem que ele acompanhasse a irmã morta. Mas Anne, que xingava os soldados de nomes que fariam até o inferno pequeno, nada conseguiu. Thompson e eu tivemos de arrastá-la pelos braços para longe, e só depois de muita conversa é que conseguimos explicar que nada mais podia ser feito, e agora precisávamos cuidar de nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um soldado nos apontou um caminho por entre as barracas e mandou que nos dirigíssemos aos portões de Amrak. A princípio não entendemos, mas como já virara as costas e ia embora, não pudemos questionar. Se li não era ainda a cidade, onde ela estaria? Não precisamos de muito tempo para encontrar a resposta. Além das tendas havia um muro, tão alto que nem mesmo quatro pessoas uma em cima da outra poderia atingir seu topo, um grande portão de ferro fazia a passagem para o outro lado. Caminhamos pelo portão sem que nenhum soldado nos questionasse -se é que algum deu pela nossa presença- e seguimos pela estrada de asfalto que descia a colina e se afastava cada vez mais da escarpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a maior estrada asfaltada que eu me lembrava de ter visto que não estivesse coberta de neve. Havia uma camada de quase um metro de altura de neve nas laterais, mas sobre o tapete negro praticamente não haviam pontos brancos. Parcialmente soterrados, e por todo o caminho, uma infinidade de veículos enferrujava e desaparecia lentamente, desde carros de passeio até antigos caminhões de bombeiro, carros de polícia, motos e bicicletas. Os motores e quaisquer peças úteis haviam sido retirados dos veículos, mas as carcaças formavam um imenso cemitério de ferro retorcido, lembrando-nos constantemente de tudo o que os homens haviam aberto mão ao decidirem matar uns aos outros, e de tudo o que perdemos nessa jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lyriel não seria mais do que aquelas carcaças para um mundo que apodrece lentamente rumo ao esquecimento. Mas, para nós, mesmo em nossas poucas lembranças junto a ela, sempre haveria um príncipe que a fizesse acordar e se juntar a nós uma vez mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-739015451217190261?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/739015451217190261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=739015451217190261&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/739015451217190261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/739015451217190261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/11/64-adeus-branca-de-neve.html' title='64. Adeus, Branca de Neve'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7413036496634626123</id><published>2009-10-28T00:00:00.002-02:00</published><updated>2010-08-31T19:51:40.474-03:00</updated><title type='text'>63. Parada Cardíaca!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Avançamos de frente à muralha de pedra a toda velocidade. Nenhum dos soldados se mexia, mas não pude deixar de por meus braços à frente do rosto e me encolher, protegendo-me do impacto. Thompson fez o mesmo, nem meio segundo depois. Mas a colisão não veio, ao invés disso tive a sensação de que caímos em queda livre por um ou dois segundos, e quando os soldados e o Von Ricky começaram a gargalhar, olhamos em volta pelas frestas do caminhão. Estávamos em um túnel cavado na rocha escura, atrás de nós, na entrada do túnel, subia uma rampa íngreme de gelo. Do lado de fora, a não ser que se estivesse acima das colinas -ou seja, voando- era impossível de se avistar a entrada do túnel. Era um método simples e muito eficaz de camuflagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo os outros três caminhões, incluindo o nosso, estavam avançando velozmente pelo túnel, que era capaz de comportar dois veículos lado a lado e tinha altura para mais de cinco homens. Ao final dos quase 3 quilómetros um grande portão de ferro utilizado para selar o túnel se abria, permitindo nossa passagem. Depois de alguns minutos na escuridão a luz que se venceu as nuvens no céu e se espremeu pelas frestas na blindagem foi suficiente para nos ofuscar por alguns instantes. Mesmo o Comandante freou bem a tempo de não derrubar uma tenda militar, depois de seus olhos se acostumarem com a luminosidade. Descemos do veículo e diversos soldados se aproximaram, Von Ricky imediatamente deu ordens para que retirassem os equipamentos dos caminhões e reparassem os danos de um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda a volta, sobre os restos de um pátio asfaltado, haviam tendas militares, veículos blindados, equipamentos e armas de todos os tipos. Soldados se apinhavam pelo o pouco espaço que restava, tentando realizar suas tarefas antes que algum superior os culpasse pela demora. Do lado oposto à escarpa e a entrada do túnel um grande muro de tijolos podia ser visto se erguendo acima das tendas. Fios de arame farpado cobriam toda a extensão do muro, enquanto guaritas podiam ser vistas até se perder de vista. Eu estava absorto observando todo aquele movimento, toda aquela enorme quantidade de pessoas. A última vez em que eu havia visto tantas pessoas reunidas fora durante meus anos de trabalho para os Escravizadores, e a maioria era de escravos. Mas eu não tinha tempo para pensar no passado, e Anne me lembrou disso quando desceu aos prantos do caminhão carregando, com a ajuda de Yoseph, o corpo de Lyriel. Me apressei em ajudá-los e Thompson chegou em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Ei, você, soldado!&lt;/span&gt; -esbravejou Von Ricky acima do barulho que dominava o acampamento a um coitado que passava. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Mande o pessoal do hospital para cá, imediatamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Senhor. Sim, senhor&lt;/span&gt; -tremeu o pobre soldado, e saiu apressado em busca de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;-Ela perdeu muito sangue... m-muito sangue...&lt;/span&gt; -Anne fazia força para que palavras saírem, mas os soluços impediam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os médicos chegaram, todos militares fardados, trazendo equipamentos e uma maca, agiram depressa. Um dos homens examinou os batimentos cardíacos, enquanto outros dois tiravam as bandagens do ferimento para examiná-lo. O buraco deixado pela bala era enorme, estava vermelho escuro e tinha uma aparência apodrecida. Eles se preparavam para colocá-la na maca quando um dos médicos gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 102, 102);"&gt;-Parada cardíaca! Parada cardíaca! Carreguem o desfibrilador e afastem-se todos!&lt;/span&gt; -e imediatamente os médicos colocaram Lyriel novamente no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco descargas depois e o coração havia finalmente desistido. A guerra fazia mais uma vítima, em sua colheita sem fim pelo mundo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7413036496634626123?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7413036496634626123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7413036496634626123&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7413036496634626123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7413036496634626123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/10/63-parada-cardiaca.html' title='63. Parada Cardíaca!'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3881962456308829916</id><published>2009-10-20T00:00:00.003-02:00</published><updated>2010-08-31T19:52:08.375-03:00</updated><title type='text'>62. Escarpa de pedra e Gelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A viagem foi longa. Muito longa. Durou pouco menos de duas horas, mas a nós pareceu ter levado um dia inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thompson e eu fomos em um dos veículos comandados pelo Comandante Von Ricky, enquanto Anne e Yoseph, depois de insistirem até o fim, foram permitidos de irem com Lyriel em nosso veículo, acompanhados de dois outros soldados. Um dos soldados, um homem de no máximo 30 anos, disse conhecer primeiros-socorros, mas não  fez muita coisa - ou talvez não houvesse mesmo muito mais o que fazer por Ly. Desejei muito que não nos tivessem separado. Mesmo a pouco tempo juntos, sentia falta de tê-los por perto, mas Thompson me confortou quando busquei em vão, por entre as frestas da blindagem, uma visão de nossos companheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajamos sempre por entre os vales, já que nosso veículo não era camuflado, mas a toda velocidade. Paramos bruscamente, deslizando pela camada de neve, em frente a uma encosta de pedras e neve, no final de uma garganta entre as colinas altas. Minutos se passaram sem que ninguém dissesse nada, e também não nos movíamos mais. Finalmente o rádio do veículo chiou alto e Von Ricky atendeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Aqui fala a unidade Fan 01, aguardando para entrada pelo túnel. Comandante Von Ricky. Câmbio.&lt;/span&gt; -Mais alguns instantes se passaram, até que o veículo começou a vibrar levemente. Nenhum dos soldados parecia se preocupar, enquanto o Comandante se limitou a reclamar. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Já não era sem tempo. Aposto que estavam dormindo outra vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo ainda vibrando uma enorme porção da neve acumulada na encosta a frente deslizou em nossa direção. As toneladas de água congelada pararam a poucos metros de nós, mas novamente ninguém se abalou. E então avançamos, de frente àquela imensidão branca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Thompson?&lt;/span&gt; -indaguei, meio confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Não sei, mas algo me diz que eles vão tentar empurrar uma montanha com um veículo adaptado para andar pela neve. Mas é só uma suposição&lt;/span&gt; -falou Thompson, tentando parecer menos preocupado do que realmente estava com o que aqueles soldados fariam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O veículo avançou ainda mais depressa, mas para nossa surpresa não colidiu com a parede de neve. Ao contrário, usou-a para subir a alguns metros acima do fundo do vale, e seguiu em direção à escarpa de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Senhor? Hã... nós... vamos bater naquelas pedras&lt;/span&gt; -felei irônica e calmamente, tentando ignorar o medo que crescia dentro de mim. &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-E pedras são conhecidas por serem bastante duras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Cale-se, estamos chegando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3881962456308829916?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3881962456308829916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3881962456308829916&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3881962456308829916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3881962456308829916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/10/62-escarpa-de-pedra-e-gelo.html' title='62. Escarpa de pedra e Gelo'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1459638373634351670</id><published>2009-10-06T00:00:00.010-03:00</published><updated>2010-08-31T19:52:56.159-03:00</updated><title type='text'>60. Os Fantasmas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;-PARE!&lt;/span&gt; -gritou Anne, em desespero. &lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;-Pare agora!&lt;/span&gt; -e se jogou aos pés de Yoseph, empurrando a arma para longe do amigo. Imediatamente os soldados apontaram as armas diretamente para mim e Thompson, refreando nossos impulsos de nos juntarmos a Anne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Oh! Mas que coisinha tocante...&lt;/span&gt; - falou o soldado, abaixando-se para ficar na mesma altura que eles. Esticou a mão livre e segurou o queixo de Anne, virando seu rosto de frente para o dele. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Que tal se eu fizer você tocar outra coisa também?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Senhor?&lt;/span&gt; -chamou Thompson, antes que Anne pudesse responder. O rosto dela se contorcia em fúria, suas bochechas estavam vermelhas e seus maxilares travados, pronta para explodir. Foi bem a tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Meu nome é Ricky. Comandante Von Ricky, pra vocês&lt;/span&gt; -e levantou-se, imponente. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Agora, antes que eu perca a paciência, será que você vai me dizer de onde vocês vêm?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Senhor, nós viemos de...&lt;/span&gt; -começou Thompson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Hã-hã! Comandante Von Ricky...&lt;/span&gt; -interrompeu o soldado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Senhor, Comandante Von Ricky&lt;/span&gt; -corrigiu-se Thompson, tentando não demonstrar sua raiva &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-nós viemos de Tradeport e estamos tentando chegar a Amrak.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Tradport... Tradeport... &lt;/span&gt;-falou, e pareceu pensar em alguma coisa por alguns instantes. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-O que faziam lá, e porque resolveram vir para tão longe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Estávamos simplesmente de passagem, mas o sherife Mark nos pediu ajuda, e então nos enviou para cá&lt;/span&gt; -explicou Thompson, claramente em dúvida se deveria ter dito tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-MARK? MARK OS ENVIOU?&lt;/span&gt; -alterou-se Von Ricky.&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; -Caralho, abaixem as armas. Agora! Mandei abaixarem as armas!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relutantes e sem entender os outros três soldados obedeceram. Ainda receosos e também sem entender nada, abaixamos os braços. Anne voltou-se novamente para Yoseph, que cuspia bastante sangue da boca, e tentou ajudá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Desculpem o mal jeito. Eu não podia imaginar. Vocês já eram dados como mortos. Eu sou Ricky, e esses são os Fantasmas, soldados de elite de Amrak.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1459638373634351670?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1459638373634351670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1459638373634351670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1459638373634351670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1459638373634351670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/10/60-os-fantasmas.html' title='60. Os Fantasmas'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7434327193939536258</id><published>2009-10-06T00:00:00.009-03:00</published><updated>2010-08-31T19:52:27.861-03:00</updated><title type='text'>61. Frieza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Thompson, não estou entendendo...&lt;/span&gt; -e fiz uma careta de dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Não pergunte a mim...&lt;/span&gt; -respondeu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Thomspon&lt;/span&gt;, dando de ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Estamos esperando por vocês já faz alguns dias&lt;/span&gt; -explicou o Comandante. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-A mensagem de Mark dizia que vocês chegariam em um ou dois dias, mas já faz muito mais tempo que vocês saíram de lá, não é? E, com esse mundo aí fora, não se pode ter muitas esperanças, então já os dávamos como mortos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;-E PRECISAVAM TER FEITO ISSO COM A GENTE? E COM ELE?&lt;/span&gt; -e apontou para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Yoseph&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Olhe, senhorita...&lt;/span&gt; -e esperou que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Anne&lt;/span&gt; se apresentasse, mas não se apresentou. E, sem se abalar ou mover um músculo da &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;face&lt;/span&gt;, continuou.&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; -Bem, escute, estávamos atrás daqueles caras ali já fazia algum tempo&lt;/span&gt; -disse, apontando para os corpos na colina&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; -e quando finalmente chegamos até eles, vocês apareceram junto. Existem centenas de milhares de quilômetros de puro nada coberto de neve suja por aí, e bem no momento em que estávamos para dar cabo deles, vocês surfam encosta abaixo e começam a se matar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Eeee&lt;/span&gt;? Vocês são loucos?&lt;/span&gt; -&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;retrucou&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Yoseph&lt;/span&gt;, irritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Não.&lt;/span&gt; -Disse Von &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Ricky&lt;/span&gt; friamente. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Supomos que vocês e eles estivessem juntos, e que por algum desentendimento tivessem resolvido se matar. Já descobrimos que foi um erro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Vocês estão escondidos nessas colinas desde que chegamos?!&lt;/span&gt; -perguntei abismado, até me esquecendo de que eles ainda eram considerados inimigos e tinham ferido um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Não, claro que não&lt;/span&gt; -ainda friamente &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-estamos escondidos há dois dias neste local. É até engraçado você perguntar isso. Foi capaz de encontrar meus Fantasmas camuflados, mas não achar aqueles amadores cobertos com cobertores rasgados e pedaços de plástico branco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Eu... eu não estava prestando atenção&lt;/span&gt; -defendi-me, bastante embaraçado e irritado comigo mesmo pela falha. Eu não tinha visto por esse lado, e então entendi que a culpa de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Lyriel&lt;/span&gt; ter ficado naquele estado era culpa minha. Estava prestando mais atenção na companhia que agora tinha do que na minha segurança e na deles. Deixei minha habilidade de ver os detalhes no horizonte branco de lado e agora uma amiga pagava pela falha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;-E se os tivéssemos visto e também tivéssemos atirado em vocês?&lt;/span&gt; -perguntou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Yoseph&lt;/span&gt;, ainda com sangue na boca. &lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;-Aposto que essa camuflagem toda de vocês não é feita de titânio!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Entenda que morrer, para mim, não é problema. Pelo contrário, seria uma favor. &lt;/span&gt;-Explicou o Comandante Von &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Ricky&lt;/span&gt;, desencaixando a mira telescópica de seu rifle de longo alcance H&amp;amp;K, sempre sem demonstrar emoções. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Desejo a morte de toda a humanidade. E, se possível, gostaria que fosse com minhas próprias mãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Vai nos matar então? É isso que está dizendo?&lt;/span&gt; -falou Thompson irritado com a fala mansa do comandante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Não, minhas ordens são de levá-los a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Amrak&lt;/span&gt;, e é o que farei...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Ly&lt;/span&gt;!&lt;/span&gt; -exclamou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;Anne&lt;/span&gt;, correndo para o caminhão, enquanto um filete de sangue pingava lentamente do assoalho, tingindo a neve do lado de fora.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7434327193939536258?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7434327193939536258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7434327193939536258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7434327193939536258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7434327193939536258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/10/61-frieza.html' title='61. Frieza'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5764040184581301411</id><published>2009-10-05T00:00:00.001-03:00</published><updated>2010-08-31T19:53:59.652-03:00</updated><title type='text'>59. Camuflagem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje pouca coisa pode me surpreender, mas naquela época havia ainda muitas coisas a se ver, e aquele dia foi um dos que me lembro com clareza de ter tomado um susto. Jogamos nossas armas no chão e nos viramos lentamente para o lado de fora, assim como pedia a voz. Pulamos para fora, mas além do vento que cortava o vale entre as colinas não havia mais nada. Alguma coisa estava errada, e eu podia sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Mas que merda fedida, estão brincando com a gente!&lt;/span&gt; -vociferou Thompson, e se virou para o veículo novamente. Mas então meus dias de caminhada pela imensidão vazia se mostraram úteis, quando um tom de branco manchado na neve me chamou a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Espere Thompson, não se mecha. Veja ali, acima daquelas rochas, uns 30 passos daqui&lt;/span&gt; -e fiz um sinal com a cabeça. &lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Eles estão nos observando antes de agir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento dois soldados se levantaram da neve e caminharam até nós, de armas em punho. Eles usavam máscaras de gás e capacetes com viseira, roupas térmicas e botas com aquecimento, tudo disfarçado no mesmo tom de branco da neve fofa que recobria as colinas, inclusive suas armas. Eram como fantasmas deslizando. Mantivemos os braços erguidos o tempo todo, mas tenho certeza que Thompson falou alguma coisa por entre os dentes que apenas Yoseph entendeu, pouco antes dos soldados chegarem até nós. Pensei em me virar e dizer que não fizessem nada, mas provavelmente teria sido uma má ideia. Ao invés disso encarei o inimigo e simplesmente esperei. Sem que percebêssemos outros dois soldados chegaram pelas laterais do caminhão. Tinham se escondido com ângulos de visão diferente dos demais, de modo que sequer imaginei que estivessem ali. Temi por Anne quando a vi tremer da cabeça aos pés, constantemente lançando olhares temerosos a pobre Lyriel, que já não mais se movia no chão do caminhão. E nada podíamos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Me surpreendeu, garoto. Mesmo um homem treinado teria levado muito mais tempo para encontrar meus homens camuflados nessa neve fofa.&lt;/span&gt; -Falou um dos homens, desafivelando a máscara de gás e a viseira. Devia ter pelo menos 40 anos, cabelos esbranquiçados, olhos castanhos, feições duras. Caminhou em volta de nós quatro analisando-nos. Então finalmente falou outra vez.&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; -Quem, diabos, são vocês, afinal?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Eu perguntei: quem, diabos, são vocês, afinal?&lt;/span&gt; -aumentando o tom de voz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E novamente não houve resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Talvez... se eu ajudar a abrir a boca, alguém resolva falar...&lt;/span&gt; -e agarrou Yoseph pelo pescoço, abaixando sua cabeça e forçando o cano de uma pistola por entre seus dentes. Yoseph tossiu e cuspiu sangue, ainda com a arma na boca, mas o soldado não parecia se importar.&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; -Vamos, moleque, fale alguma coisa! FALE!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5764040184581301411?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5764040184581301411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5764040184581301411&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5764040184581301411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5764040184581301411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/10/59-camuflagem.html' title='59. Camuflagem'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5342483578456359935</id><published>2009-10-02T00:00:00.008-03:00</published><updated>2010-08-31T19:54:21.198-03:00</updated><title type='text'>58. Sutura</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei por cima do ombro e não vi ninguém. Thompson sequer tinha se importado em olhar e simplesmente se jogou atrás do caminhão. Antes mesmo que eu pudesse chegar ao caminhão e me juntar a Anne e Thompson, que se protegeram junto a Lyriel, Yoseph já disparava sua espingarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Proteja-se, Yoseph! Proteja-se!&lt;/span&gt; -berrava Thompson, enquanto abria a porta do caminhão em busca de sua metralhadora. Mas Yoseph estava tomado pela fúria, e só ouviu quando sua arma parou de atirar, sem cartuchos. Ainda assim ele chacoalhou-a e tentou disparar novamente, antes de se esconder para recarregá-la. Já com sua Ak-47 em punho, Thompson xingou-o e deu-lhe um safanão muito mais forte do que o que tinha dado em mim. &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Seu imbecil! Se estiver morto não vai servir para nada além de alimentar os ratos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yoseph estava vermelho, fumegante. Não tenho certeza se ouviu o que Thompson lhe disse, enquanto enfiava furiosamente os cartuchos em sua arma, mas pareceu concordar com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Onde eles estão? ONDE?&lt;/span&gt; -Perguntou Thompson, que espremia-se na lateral do caminhão para enxergar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;-À esquerda do topo, procure pela mancha vermelha na neve&lt;/span&gt; -explicou Yoseph, que subia na lateral do caminhão e procurava um ponto de apoio para disparar por cima do caminhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ajudei Anne a por Lyriel para dentro do caminhão pela porta da cabine. Seu ombro esquerdo tinha um enorme buraco, e grande parte de seu sangue tinha se perdido na neve. Eu queria ajudar, mas Anne tinha entrado em um estado de extrema concentração, e, por mais que eu gritasse para que ela dissesse do que precisava para salvar Lyriel, não recebia resposta. Com um kit de primeiros-socorros militar começou a limpar o ferimento e preparar agulha e linha para fazer a sutura. Lembro de ter pego minha pistola e fazer menção de sair e ajudar Yoseph e Thompson, mas ao espiar por uma das frestas entre a blindagem da janela vi que não havia mais no que ajudar. Ainda pude ver quando um homem teve seu corpo semi-dilacerado, por um dos disparos de espingarda, e outro teve seus miolos espalhados na neve pela arma de Thompson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 102, 0);"&gt;-Ly! Como você está?&lt;/span&gt; -entrou gritando Yoseph pela porta traseira e se agarrando ao braço ileso de Lyriel, que permanecia estirada no chão do caminhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os lábios de Lyriel estavam roxos, sua pele ainda mais branca, e sua respiração diminuía a cada instante. Anne se esforçava para terminar de suturar o ferimento e fazer o curativo. E assim que o fez, cobriu-a com diversos cobertores, tentando mantê-la aquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;-Ela perdeu muito sangue&lt;/span&gt; -explicava Anne, aflita e com lágrima nos olhos -&lt;span style="color: rgb(255, 255, 0);"&gt;muito sangue, não sei se...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-TODOS OS QUE ESTIVEREM NO INTERIOR DO VEÍCULO, LARGUEM SUAS ARMAS E SAIAM LENTAMENTE &lt;/span&gt;-ecoou uma voz grave e eletrônica, interrompendo Anne e fazendo todos enrijecerem. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-NÃO SE PRECIPITEM, OU NÃO HAVERÁ MISERICÓRDIA.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5342483578456359935?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5342483578456359935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5342483578456359935&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5342483578456359935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5342483578456359935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/10/58-sutura.html' title='58. Sutura'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4208808677227092742</id><published>2009-09-30T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T22:52:10.922-03:00</updated><title type='text'>57. Felicidade e Sangue</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vamos Nuke, ajude-nos com o caminhão. A lataria do carro tá presa debaixo das placas do caminhão, precisamos erguê-lo para soltar&lt;/span&gt; -explicou Yoseph, fazendo o máximo de força que conseguia para tentar erguer o veículo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Já vou, preciso fazer uma coisa antes&lt;/span&gt; -e caminhei até a traseira do carro que Mark nos fornecera em Tradeport.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O engate na traseira do carro tinha sido suficiente para amortecer o impacto do caminhão contra a lateral do outro carro, felizmente. Abri o porta-malas e procurei por algumas das tranqueiras que Mark tinha mandado colocar lá, para casos de emergência. Não faço idéia de qual a utilidade da maioria daquelas coisas, nem de onde elas tinham saído - mas quem era eu pra questionar a sabedoria de um homem que é padre e sherife de uma cidade. Fiquei feliz quando encontrei uma placa de plástico e um tubo de cola plástica siliconada. Em poucos minutos a janela do carro tinha sido vedada e a úmidade demoraria um pouco em ajudar o tempo a desfazer a cena no interior do carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Terminou sua obra, Da Vince?!&lt;/span&gt; -exclamou Thompson, jogando-me um pano imundo para limpar a cola das mãos. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Agora, será que o senhor, por favor&lt;/span&gt; -enfatizando as duas últimas palavras - &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;pode nos dar a honra de sua ajuda?&lt;/span&gt; -e completou com uma reverência, como as que se faziam aos reis. Resolvi deixar de lado o clima triste e entrei na brincadeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-É claro, dar-lhes-ei tal honra. Afinal, faço questão&lt;/span&gt; -e também enfatizei a palavra -&lt;span style="color: white;"&gt;de tratar bem minha criadagem&lt;/span&gt; - o safanão que se seguiu deixou claro que a piada tinha sido entendida, de modo que minha gargalhada foi inevitável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thompson, Yoseph e eu passamos bons minutos tentando erguer o caminhão enquanto Anne e Lyriel tentavam romper os pedaços enroscados da lataria. Afinal, cansados e sem conseguir resultado, Yoseph teve uma ideia e, sem dizer nada, engatou a ré no caminhão e acelerou. Com um ranger metálico de rachar os ossos os veículos se soltaram. O eixo traseiro do carro estava destruído completamente, enquanto um risco azul em uma das placas de limpar neve era o maior dano sofrido pelo caminhão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Bom, é isso ae! Problema resolvido!&lt;/span&gt; -e pulou do caminhão, sorridente e orgulhoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estávamos animados, mesmo depois do acidente e da descoberta do carro soterrado. Mas  isso me dava um comichão por dentro, como se aquela alegria me arranhasse o estômago. Estarmos animados significava que as coisas, apesar dos pesares, corriam bem. E quando as coisas correm bem... dão errado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Tooodos a bordo!&lt;/span&gt; -chamou Lyriel, pendurada na porta do caminhão, balançando de um lado para o outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminhávamos todos para o caminhão quando meus temores se concretizaram. Uma rajada de tiros passou logo acima de nossas cabeças e ricocheteou na blindagem do caminhão, em meio a faíscas e fumaça. Mal tive tempo de amaldiçoar a mim mesmo pelos pensamentos agourentos de antes quando olhei para Lyriel, caída sobre a neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Ly!&lt;/span&gt; -gritou Yoseph.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Sangue!&lt;/span&gt; -gemeu Anne.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4208808677227092742?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4208808677227092742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4208808677227092742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4208808677227092742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4208808677227092742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/09/57-felicidade-e-sangue.html' title='57. Felicidade e Sangue'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-9209590268388073907</id><published>2009-09-29T00:00:00.026-03:00</published><updated>2011-04-17T22:53:32.549-03:00</updated><title type='text'>54. Esquiando</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sono foi leve para todos aquela noite. A fogueira, cuja música nos embalou durante toda a madrugada, revigorou-nos mais que muitas horas sono poderiam fazer. Ainda estava escuro quando nos pusemos de pé e recolhemos nossas coisas. Olhei em volta, tentando avistar algo além do que o resto da fogueira iluminava: um vasto negrume de nada. Deixei vagar pelos pensamentos como era estranho que, por falta de uns raios de luz, toda aquela neve branca ficava escura como piche. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A natureza é magnífica&lt;/span&gt;, pensei alto, ainda olhando o nada. De um lado, porém, um borrão de luz deixava transparecer a silhueta de algumas colinas. Entreabri a boca, mas quando pensei em falar, Anne se adiantou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Olhem que lindo, o sol já vai nascer...&lt;/span&gt; -e apontou para o horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-O sol deveria nascer daquele lado, não pode ser que seja ele&lt;/span&gt; -argumentou Thompson. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Mas, posso estar errado, vai saber.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Você está certo, senhor Thompson&lt;/span&gt; -disse Lyriel, com respeito, olhando para uma bússola que trazia pendurada à mochila. &lt;span style="color: #993300;"&gt;-O sol nasce ali, daquele lado. Essa luz que vemos é a cidade de Amrak. Estamos a menos de um dia de viajem de lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-É estranho. Quando deixamos Tradeport, Mark, o sherife e sacerdote daquela pequena cidade mercante, nos disse que Amrak estaria a cerca de trezentos quilómetros. Distância que, obviamente, deveria ser superada em algumas horas de viajem, descendo o rio&lt;/span&gt; -indagou Thompson. Abrindo os braços, continuou. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Mas agora, depois de muitos dias de viajem que fazemos desde Tradeport, você nos diz que ainda falta um dia todo para chegarmos lá? Como é possível?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-O senhor está certo outra vez. Bom, quase certo. Amrak, na verdade, está a cerca de quinhentos quilómetros de Tradeport. Mas a antiga &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #993300; font-style: italic;"&gt;highway&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;, que passava por essas cidades antes da Explosão, está destruída em noventa porcento de seu percurso, e como vocês puderam perceber, tentar seguir seus destroços ao longo do rio é extremamente perigoso. E a estrada alternativa que vocês pegaram aumenta o caminho em outros duzentos ou trezentos quilómetros. Sem contar as paradas e os desvios adicionais para evitar as rotas bloqueadas, imagino que esses dias nem foram tantos assim&lt;/span&gt; -concluiu Lyriel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Maldição... Vamos embora daqui logo, não vou suportar mais um dia todo com essa ração militar que vocês dois chamam de comida&lt;/span&gt; -e dizendo isso cuspiu uma pelota deformada de fibras que compunham a ração fornecida pelos Deuses a seus soldados. Yoseph e Lyriel riram, enquanto mastigavam as suas. Eu e Anne também não gostávamos muito, mas não que fosse ruim aquela ração, e mesmo sendo muito mais nutritiva, não tinha gosto de carne de rato ou lagarto seca. Ainda rindo subimos no veículo blindado e em pouco tempo estávamos nos movendo, no que, esperávamos, fosse o último dia de viajem a Amrak.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos mantivemos a meia altura nas colinas, evitando o fundo, onde detritos dificultariam que os esquis do veículo deslizassem com eficiência, e o topo, onde poderíamos ser vistos por olhares não amigáveis. Depois de algumas longas horas de viajem, procuramos um lugar decente para uma pausa. O sol, bem no alto do céu, forçava alguns de seus raios por entre as nuvens espessas e raivosas. Estávamos com fome, e mesmo não gostando, Thompson melhorava muito de humor após as refeições, por isso não deixávamos de fazê-las. Eu sempre me perguntei se não deveríamos simplesmente comer dentro do veículo, sem pararmos, mas sempre que eu descia e esticava as pernas, esses pensamentos se esvaíam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Paramos o veículo logo abaixo de uma grande pedra, de modo que ela nos protegesse parcialmente do vento forte que fazia. Papeamos alguns minutos, deixando clara a ansiedade de todos em voltar à civilização. Eu não estava, porém, particularmente animado. Chegar em uma cidade grande significava deixar para trás minha rotina, e o simples pensamento de ficar parado por muito tempo me deixava nervoso. Tentando pensar em outra coisa, mirei o horizonte, e percebi algo que nunca tinha visto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Vejam, lá embaixo, um riacho!&lt;/span&gt; -gritei animado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Vejam o caminhão, isso sim! Ele está esquiando encosta abaixo!&lt;/span&gt; -gemeu Yoseph.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-9209590268388073907?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/9209590268388073907/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=9209590268388073907&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/9209590268388073907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/9209590268388073907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/09/54-esquiando.html' title='54. Esquiando'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4676186912804406310</id><published>2009-09-29T00:00:00.025-03:00</published><updated>2011-04-17T22:53:19.026-03:00</updated><title type='text'>55. Vidro, Neve, Gás</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Descemos colina o mais rápido que pudemos. Lyriel rolou os últimos metros, afundando da cabeça à cintura na neve fofa. O caminhão levou tudo em seu caminho, rochas, árvores secas e neve, muita neve. Parou apenas quando chegou ao fundo, depois de bater em uma montanha de neve acumulada. Yoseph e Thompson tiveram trabalho para desenterrar Lyriel, que apesar de ter engolido um pouco de neve, apenas perdeu o fôlego. Anne ainda terminava a descida, descabelada, com o rosto vermelho e a respiração ofegante, quando me aproximei do veículo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Ei, venham ver só isso!&lt;/span&gt; -e comecei a tirar a neve acumulada. Escondido por uma grossa camada de neve estava um outro veículo. As placas limpa-neve da frente de nosso caminhão haviam feito um enorme estrago na lateral traseira daquele carro soterrado. Ele provavelmente estava ali a muitos anos, pois, quanto mais fundo se cavava na camada de neve, mais sujeira havia. Sem que eu percebesse uma súbita curiosidade havia tomado conta de meu cérebro e transbordava pelas orelhas. Começei a cavar com afinco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Deixe isso pra lá, Nuke. Não deve ter nada que valha a pena aí&lt;/span&gt; -tentou Thompson a me fazer parar de cavar. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Já devem ter saqueado tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas eu não dei ouvidos e continuei a retirar a neve. Quando consegui liberar a janela do passageiro corri até o caminhão e peguei uma lanterna. Aquela provavelmente era a primeira vez que o interior daquele carro via luz por muitos anos. Mas não pude ver nada, e minha decepção ao perceber que o vidro estava embaçado e sujo demais foi visível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #990000;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Larga mão disso e vem ajudar a gente a desatolar o caminhão, vai&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;-tentou Lyriel, já recuperada do tombo, enquanto os outros riam do meu esforço inútil com o carro. &lt;span style="color: #993300;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Do contrário não sairemos daqui hoje&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;-continuou, segurando a risada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E novamente fingi não ouvir. Apanhei uma pá no porta-malas do veículo blindado e comecei a retirar a neve que bloqueava o resto da porta. Mas quando tentei abrir-la o trinco saiu na minha mão, e novamente todos riram. Dessa vez não aguentei, e também caí na risada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Porra...! Esse carro conspira contra mim!&lt;/span&gt; -sorri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Ok, Nuke. Vou resolver isso pra você, se prometer ajudar a gente depois&lt;/span&gt; -barganhou Thompson, com aquele tom de voz que usamos com crianças levadas. Então se aproximou do carro, pegou a pá de minha mão e bateu-a com força no vidro. Mal os estilhaços terminaram de cair um cheiro de morte se espalhou pelo ar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Pelos deuses!&lt;/span&gt; -Anne se abaixou, vomitando o almoço. Thompson e eu, também assustados, cobrimos o nariz ao mesmo tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Rápido Ly, máscaras de gás!&lt;/span&gt; -gritou Yoseph preocupado, puxando sua máscara sobre o nariz.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4676186912804406310?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4676186912804406310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4676186912804406310&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4676186912804406310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4676186912804406310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/09/55-vidro-neve-gas.html' title='55. Vidro, Neve, Gás'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6890729688748585573</id><published>2009-09-29T00:00:00.024-03:00</published><updated>2011-04-17T22:52:49.100-03:00</updated><title type='text'>56. Passado e Presente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o cheiro diminuiu me aproximei novamente, empunhando a lanterna. No banco do motorista havia o corpo de um homem, debruçado sobre o volante. Sua pele estava escura e repuxada, completamente colada aos ossos, enquanto suas roupas não passavam de farrapos. Em seu colo, enrolada nos restos de um cobertor, estava aconchegada uma menininha, ainda abraçada a seu ursinho de pelúcia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Eles deviam estar fugindo da guerra&lt;/span&gt; -murmurei atônito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anne chorava em silêncio. Lyriel se aconchegou nos braços do irmão, que abraçou-a com força. Thompson permaneceu em silêncio, olhos vidrados em lugar nenhum. E eu continuei a desenterrar o carro. Primeiro a parte de trás, onde pude ver malas, cobertores, garrafas de água e comida enlatada, depois as portas do lado esquerdo, e por fim a frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Dispararam contra eles, vejam&lt;/span&gt; -anunciei, ao terminar de limpar a neve sobre o capô e encontrar diversas perfurações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não entendia. As portas estavam trancadas e os vidros inteiros. Nada fora roubado. Olhei, então, uma vez mais para o interior do carro. Os cabelos loiros da menininha brilhavam à luz da lanterna, e seu rosto, ainda que maltratado pelo tempo, continuava a guardar toda a calma e serenidade que faltava ao resto do mundo. Talvez, se todos tivéssemos um ursinho para abraçar e um colo para se aconchegar, pudéssemos dormir naquela mesma paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Provavelmente eu nunca saberia o que realmente aconteceu àquele pai e sua filha, mas sabia que nunca os esqueceria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6890729688748585573?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6890729688748585573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6890729688748585573&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6890729688748585573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6890729688748585573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/09/56-passado-e-presente.html' title='56. Passado e Presente'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1461405469881788763</id><published>2009-09-04T00:00:00.004-03:00</published><updated>2011-04-17T22:53:48.099-03:00</updated><title type='text'>53. Noite de Silêncio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquela noite ninguém falou, preferindo observar o fogo estalar e sibilar. Nos abrigamos na reentrância de um barranco coberto de neve e utilizamos os veículos para esconder o brilho das chamas de olhos curiosos. A brisa uivava do lado de fora, enquanto uns poucos flocos de neve rodopiavam para dentro e faziam malabarismos, até se derreterem em um chiado baixinho. Todos olhávamos fixamente as chamas, estávamos, cada um, sozinhos com nossos pensamentos. Era como se nossos corpos tivessem sido abandonados e nossas mentes estivessem em seus próprios mundos, viajando livres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Yoseph foi o primeiro a quebrar o silêncio. Colocou a mão sobre o brasão dos Deuses e arrancou-o do braço direito da jaqueta. Lyriel o acompanhou, e ambos jogaram os brasões no fogo. Nem Thompson, Anne ou eu dissemos palavra, apenas observamos o cálice branco, com a hóstia e auréola, brilharem por entre as chamas, impotentes. Os irmãos então se abraçaram. Eram jovens, assim como Anne e eu, e também estavam aprendendo com os erros e decisões. Com Thompson era diferente. Ele ainda sentia-se preso ao passado, tentando encontrar seu mundo em meio aos escombros que formavam o novo. Suas lembranças não se encaixavam com o que seus olhos viam, e cada vez mais ele sofria em silêncio. Eu sabia, percebia, mas ele continuava firme com sua carapaça de coragem e determinação. E, por mais que desejássemos, continuávamos todos naquele mesmo mundo esquecido, coberto de pó e neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi naquela noite, pela primeira vez desde que consigo me lembrar, em que vislumbrei, em meio a tantos pensamentos, uma resposta à uma das tantas perguntas que me fiz todos os dias de minha vida. Vi ali, em meio àquelas pessoas até a pouco desconhecidas, uma família: almas unidas pelo acaso -ou destino, como alguns costumam chamar- que em qualquer outro momento ou lugar seriam apenas desconhecidas. Percebi, então, que tinha que adicionar um novo item à minha lista. Felicidade talvez fosse ter um abrigo do vento, uma fogueira e o acaso de uma noite de silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1461405469881788763?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1461405469881788763/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1461405469881788763&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1461405469881788763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1461405469881788763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/09/53-noite-de-silencio.html' title='53. Noite de Silêncio'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2503883320558750783</id><published>2009-08-25T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-17T22:54:12.481-03:00</updated><title type='text'>52. Esconde-esconde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Era uma noite qualquer. Fria, como sempre. Jantávamos em silêncio, como nos havia sido ensinado, honrando os que já não podiam mais desfrutar de algum alimento e aqueles que ainda passavam fome. Meu pai, como de costume, jantava rapidamente e volta a seu escritório, onde passava horas em seu &lt;/span&gt;notebook&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. Mesmo deixando a porta aberta, ele jamais permitiu que entrássemos lá, mesmo em sua presença. Nunca soubemos no que ele trabalhava, mas por vezes o ouvíamos pronunciar maldições e dar um soco de raiva na mesa. Minha mãe logo nos acalmava, dizendo que papai sabia o que fazia, que não precisávamos nos preocupar. E assim passaram-se muitos anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Costumávamos brincar do lado de fora do abrigo. Mas meu pai permitia apenas nos dias em que nevava e, ainda assim, apenas pouco antes do anoitecer. Hoje, sei que ele tentava nos proteger, impedindo que fossemos vistos facilmente, caso alguém estivesse observando. E por coisas assim, sinto falta dele. Sinto que, na tentativa de nos manter vivos, ele deixou de viver e aproveitar o que ainda podia e lhe restava no mundo: sua mulher e seus filhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E então, em uma de suas longas noites de trabalho, finalmente o que ele tanto temia aconteceu. Nós percebíamos quando meu pai cochichava com minha mãe, sabíamos que eram problemas que estavam por vir, mas ainda assim eles mentiam dizendo que tudo estava bem. Nos dias que se antecederam àquele os cochichos aumentaram, de modo que mamãe já não conseguia mais disfarçar, e para que não a víssemos chorar, corria para o quarto e trancava a porta. Papai estava preparado, tinha nos feito brincar de esconde-esconde o dia todo, e quando aconteceu, estávamos escondidos no armário de um dos quartos. Só pudemos ouvir os disparos. O confronto durou poucos instantes, e em seguida veio a gritaria. Vozes perguntavam sobre muitas coisas, mas meu pai apenas xingava de volta. Ameaças. Mais xingamentos. Um grito -ainda o ouço ecoar, algumas noites, em meu sono. Um disparo. E então um longo silêncio. As vozes perguntaram novamente. Sem resposta. Outro disparo. Outro longo silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lembro de Lyriel ter dito que iria lá ver. Mas consegui convencê-la a ficar. Tremíamos de medo. Éramos crianças, mal sabíamos nos vestir sozinhos, quanto mais nos defender direito. Esperamos não haver mais sons pela casa, e quando tudo silenciou, esperamos muito mais. Finalmente, com as pernas doendo por ficarem encolhidas por tanto tempo, juntamos coragem e deixamos o esconderijo. Caminhamos pelo corredor sem fazer barulho, mal respirando. Sentíamos um vento gelado percorrer a casa. Entramos na sala e a encontramos toda destruída e revirada. No chão havia poças de sangue, rastros e pegadas por todos os lados. No sofá uma espingarda ainda mantinha uma mão decepada presa ao gatilho, enquanto em meio ao vidro espatifado da mesa de centro haviam duas pistolas abandonadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nossos olhos não paravam de chorar. A porta da sala batia com o vento, que também fazia voar os papéis jogoados por todos os lados. Nos abraçamos longamente, sentados no chão, indefesos. Não sabíamos o que fazer, apenas chamávamos baixinho por nossos pais. Não sabemos quanto tempo se passou, mas ainda havia gente na casa, e quando nos encontraram, não foi muito divertido... pra eles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-Olhem só. Os anõezinhos estão aqui! -falou por detrás da máscara o soldado que nos encontrou. E logo ouvimos o som de passos no porão, onde ficava o escritório de meu pai. Levantamos num pulo, com o coração saltando pela garganta. Corremos para trás do sofá, tentando nos esconder. -Rá! Eles acham que vão se esconder de nós! Querem brincar de esconde-esconde, pirralhos? Vamos brincar então. -O soldado deitou no chão e olhou por debaixo do sofá, rindo de nossa infantilidade ao ver nossos pés. Mas seu sorriso sumiu logo. Lyriel tinha pego uma das pistolas e enfiado debaixo do sofá. Um único disparo e a sala estava novamente em silêncio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dois outros soldados subiram correndo pela escada ao ouvirem o barulho do tiro, mas eu já os estava esperando. Tirei a mão decepada da espingarda, sentei na borda do sofá e apoiei a arma, que tinha meu tamanho. Mal as duas cabeças eram visíveis na porta do porão, disparei. Com o tranco da arma voei para trás numa cambalhota, caindo de costas no chão. Senti os cacos de vidro cortarem minha carne. Depois, lembro apenas de ter ouvido Lyriel gritar ao ser erguida no ar, pra em seguida um soldado me encarar através do visor de sua máscara.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2503883320558750783?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2503883320558750783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2503883320558750783&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2503883320558750783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2503883320558750783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/08/52-esconde-esconde.html' title='52. Esconde-esconde'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-571220770409614421</id><published>2009-08-18T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T22:54:26.510-03:00</updated><title type='text'>51. Ex-Divindades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lyriel não era a mulher mais bonita do mundo, definitivamente. Seus olhos negros, pele branca, nariz pontudo e cabelos escuros não eram uma combinação que a maioria dos homens diria como perfeita. Mas havia algo nela, uma espécie de magia ou poder oculto, que a fazia mais do que apenas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mais uma mulher&lt;/span&gt;. Mesmo por detrás do uniforme militar era impossível olha-la, encarar seu olhar sereno e ao mesmo tempo penetrante, e simplesmente desviar o rosto. Ao admirá-la era preciso fazê-lo sem pressa e, ainda assim, era difícil não tentar um último vislumbre antes de deixar os olhos observarem o resto do mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-E aquele é meu irmão, Yoseph&lt;/span&gt; -apontou Lyriel. E todos nos demoramos um instante para desviar o olhar e virarmos para observar o que ela apontava. Em cima da cabine do veículo que Thompson havia trazido para a lateral do prédio estava um homem, também vestindo o uniforme preto dos Deuses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Olá, amigos&lt;/span&gt; -apresentou-se o jovem, de cabelos abaixo das orelhas, morenos, sebosos e revoltos. Segurava uma espingarda automática nas mãos, na cintura usava um cinto com diversas ferramentas, e cruzados por cima dos ombros estavam outros dois cintos com munições. Um farolete de grande potência pendia de um lado, e do outro uma espingarda de cano cerrado ficava sempre à mão. &lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Eu dispenso as apresentações, por enquanto. Acho melhor saírmos daqui antes da festa de boas-vindas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Yoseph, seu imbecil, já falei pra limpar essa graxa nojenta do rosto&lt;/span&gt; -falou Lyriel, indo juntar-se ao irmão, que pulava de cima do veículo já entrava na cabine. &lt;span style="color: #993300;"&gt;-O que eles vão pensar de nós?&lt;/span&gt; -e balançou a cabeça negativamente, repreendendo-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade era que eu, Anne e Thompson estávamos boquiabertos e nada pensávamos no momento. Dois soldados dos Deuses aparentemente estava deserdando e queriam nossa companhia para sair dali, ainda que isso não fizesse lá muito sentido. Afinal, eles poderiam simplesmente ter nos matado quando focamos nossas atenções em Anne e sua sequestradora e estávamos despreparados. Mas, ao invés disso, pediam para ir conosco. E, ainda sem dizermos nada, Yoseph ligou o limpa-neve e parou-o em frente a nosso carro, enquanto Lyriel já engatava o gancho do reboque ao pára-choques.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-Vamos? Cabe todo mundo aqui&lt;/span&gt; -convidou Yoseph, que já manobrara o veículo em direção à estrada.&lt;span style="color: #cc6600;"&gt; -Sem frescura galera, não precisam se envergonhar. Além do mais, o pessoal lá dentro não vai demorar muito mais até perceber as mentirinhas que eu lhes disse pelo rádio. Principalmente depois que nosso amigo aqui, com a metralhadora na mão&lt;/span&gt; -e apontou para a AK-47 na mão de Thompson &lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-deu aquele grito meio alto com a Ly.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thompson e eu estávamos receosos, obviamente. Mas Anne segurou-nos pelo braço, tentando nos tranquilizar, e nos puxou para dentro do veículo limpa-neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Não confio neles&lt;/span&gt; -declarou Thompson.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Nem eu&lt;/span&gt; -concordei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Não se preocupem. Eu confio neles. Sinto algo diferente vindo deles.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas mal começamos a subida que nos levaria para fora do vale onde os prédios daquele complexo fora construído, paramos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Antes de irmos, temos que dar um jeito naqueles outros veículos&lt;/span&gt; -comunicou-nos Lyriel. Então Yoseph pulou do veículo, apoiou sua espingarnada no capô e fez mira em direção aos outros veículos parados em frente à entrada do complexo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc6600;"&gt;-A carga está acima ou abaixo do tanque, Ly?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Abaixo, claro&lt;/span&gt; -e pela segunda vez uma explosão ecoou pelos corredores do complexo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-571220770409614421?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/571220770409614421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=571220770409614421&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/571220770409614421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/571220770409614421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/08/51-ex-divindades.html' title='51. Ex-Divindades'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1661990536201980793</id><published>2009-08-17T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-17T22:54:41.083-03:00</updated><title type='text'>50. Refém</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A próxima coisa de que me lembro é de sentir os tapões que Thompson desferia contra minhas costas. Ele esperava que eu desengasgasse, e de fato isso aconteceu, mas o fato é que metade da neve foi ao chão, e a outra metade desceu congelando minha garganta. Tossi loucamente, em vão. Pude sentir quando aquele volume gelado caiu como uma bomba em meu estômago.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Va-valeu, Thompson. Eu acho...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Certo, agora cadê a Anne? Temos que sair daqui, eles logo vão sacar que não estamos mais lá dentro.&lt;/span&gt; -E olhou em volta, conferindo se Anne não estava, também, soterrada na neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Anne!&lt;/span&gt; -E, num impulso, puxei Thompson pelo braço e comecei a correr de volta ao buraco. Mal fizemos a curva na lateral do prédio, paramos. Anne ajudava alguém a sair do buraco, e tão logo pôs-se de pé, reconhecemos o símbolo dos Deuses no uniforme preto daquela pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Afaste-se dela, imediatamente!&lt;/span&gt; -Falou Thompson, quase gritando. Alto demais. Percebeu tarde, fazendo careta quando as colinas cantaram de volta sua voz. Depois continuou, um pouco mais baixo, mas ainda decidido. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Afaste-se agora. Não hesitarei em atirar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas hesitou. Imediatamente o homem se abrigou atrás de Anne e colocou o cano de sua pistola na têmpora de Anne. Ela era agora refém, e era a vez do soldado dos Deuses fazer exigências. Mas foi Anne quem falou primeiro:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Thompson, isso não é necessário. Ele não quer nos machucar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Cale-se Anne, ou ele vai matá-la. Essa gente não tem piedade. Nunca tiveram!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Cale-se você e ouça o que a garota diz, seu falastrão. Eu não quero mesmo machucá-los.&lt;/span&gt; -E apertou-se ainda mais em Anne, garantindo que Thompson não pudesse mirar em suas pernas ou braços com facilidade sem atingir a companheira. &lt;span style="color: #993300;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;Não quero mais ser membro dessa organização. Não quero nadar em mentiras e corpos até que a morte me encontre.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Rá! E, em que mundo doentio da sua cabeça, você achou que confiaríamos em você?&lt;/span&gt; -desafiou Thompson. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Solte a garota, diga-nos seu nome e mostre seu rosto, e então pensamos em conversar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Thompson, pare com isso e abaixe a arma, eu acredito nele!&lt;/span&gt; -defendeu Anne. Em vão. Thompson fazia que não com a cabeça e mantinha a arma em riste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #993300;"&gt;-Ok. Farei isso&lt;/span&gt; -e largou a pistola, que afundou na neve fofa. Continuou atrás de Anne, evitando a mira de Thompson, e começou a tirar a máscara de gás. Depois puxou para trás o gorro do casaco, e finalmente tirou o capuz branco que envolvia toda a cabeça. Seus longos cabelos negros escorreram até a metade das costas. &lt;span style="color: #993300;"&gt;-Meu nome é Lyriel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1661990536201980793?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1661990536201980793/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1661990536201980793&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1661990536201980793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1661990536201980793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/08/50-refem.html' title='50. Refém'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-888996854994828032</id><published>2009-08-12T00:00:00.001-03:00</published><updated>2011-04-17T22:54:56.122-03:00</updated><title type='text'>49. Thomps...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Anne? Anne?&lt;/span&gt; -Chamei nervoso. Mas Anne não respondeu. Me aproximei da pequena abertura na parede, tentando avistá-la na escuridão. Saquei minha arma e apontei para o vazio. Juntei o que me restava de coragem, me esforçando para minhas mãos pararem de tremer, e me aproximei ainda mais. Minha cabeça estava a meio palmo da abertura quando uma voz me fez cair para trás na neve fofa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Nuke, largue a arma e faste-se. Agora.&lt;/span&gt; -Era a voz de Anne, calma e quase sem emoção, vinda da escuridão. Eu tremia como se estivesse deitado nu naquela neve, mas forcei minhas mãos obedecerem e largarem a arma. Levantei, fazendo força para me apoiar em minhas pernas bambas, e me afastei rápido para o outro lado do pátio que havia entre os prédios, em direção ao carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia um silêncio profundo entre os prédios naquele momento. O vento que soprava colina abaixo tinha cessado, deixando apenas o eco de seus gritos por entre as dunas de neve. Eu meio corria e meio andava em direção ao carro, rezando para que Thompson estivesse ali e pudesse ajudar. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele sabe o que fazer, ele sabe o que fazer&lt;/span&gt;, repetia em minha mente. E, enquanto me apressava, arrisquei olhar por cima do ombro, antes mesmo de raciocinar que aquilo podia não ser uma boa idéia. Mas não havia nada atrás de mim, e ninguém saia pela abertura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiz a curva pela lateral do prédio e parei ao lado do carro. Olhei para dentro do veículo, tirando parte da neve havia se acumulado nos vidros no tempo em que permanecemos lá dentro, mas Thompson não estava lá. Então um misto de frustração, medo e desespero tomou conta de mim. Corri para a outra borda do prédio, lutando contra a neve acumulada no chão, e olhei para a entrada do prédio, que agora se resumia a um rombo na parede, destroços pelo chão e marcas de uma explosão. Também não havia ninguém na colina em frente, de onde o míssil havia sido disparado, apenas o lançador abandonado na neve. Os veículos dos Deuses tinham as portas abertas e pareciam vazios. Pensei em gritar, chamando Thompson, mas essa era outra idéia ruim, e me contive antes de colocá-la em prática. Eu estava sozinho, e precisava agir. Abandonar Anne não estava em meus planos. Corri novamente para o pátio de trás, tentando não deixar o desespero tomar conta de mim. Olhei pela lateral do prédio e vi Anne se arrastando para fora da escuridão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Anne! Anne!&lt;/span&gt; -Chamei baixinho, enquanto gesticulava para que ela corresse até mim. Mas ela não ouviu, e continuou agachada próxima à abertura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então que um barulho de motor ecoou pelas colinas silenciosas. Alguém havia ligado um dos veículos da frente do prédio. E antes que eu pudesse desejar ter minha arma em mãos, um enorme limpador de neves virou pela lateral do prédio e avançou pelo espaço que havia entre o carro e a parede, empurrando uma parede de neve em minha direção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thomps...&lt;/span&gt;-tentei gritar, antes de minha garganta se encher de neve e minha visão se turvar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-888996854994828032?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/888996854994828032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=888996854994828032&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/888996854994828032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/888996854994828032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/08/49-thomps.html' title='49. Thomps...'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6860705501306410411</id><published>2009-07-11T00:00:00.008-03:00</published><updated>2011-04-17T22:55:09.227-03:00</updated><title type='text'>48. Vigiados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Eles vão entrar...&lt;/span&gt; -falou Thompson, mais pensando consigo mesmo que afirmando.&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; -E nós vamos sair por onde entramos. Andem logo, continuamos sem tempo a perder.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-O que vamos fazer?&lt;/span&gt; -Perguntei, tentando permanecer calmo, enquanto afastava dos pensamentos a morte de Pedra e suas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;consequência&lt;/span&gt; em minha mente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vou programar este aparelho que pegamos de Pedra para que ele tranque todas as portas do prédio, assim, quando estivermos fora daqui, eles terão alguma dificuldade em sair. Para isso preciso ter acesso à rede interna, portanto vamos voltar àquele porão onde entramos. De lá trancarei as portas e sairemos pela janela daquela sala.&lt;/span&gt; -Em instantes Thompson tinha terminado de programar o computador e o aparelho. Correu então até uma estante próxima e pegou uma pequena caixa de papelão. De dentro dela tirou uma pequena &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;câmera&lt;/span&gt;, como as antigas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;webcans&lt;/span&gt;, e instalou-a num dos computadores, transmitindo o sinal &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;diretamente&lt;/span&gt; para o aparelho em suas mãos.&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; -Agora podemos ir. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Nuke&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;, ajude &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Anne&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; e vamos dar o fora daqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já estava me acostumando a correr pelos corredores escuros daquele lugar. Seguíamos Thompson de perto, parando ocasionalmente para escutar algum barulho. Por três vezes mudamos nossa rota para evitar um corredor ou salão de onde pensamos ouvir barulho. Nossas mentes fazia parecer que eles estavam em todos os cantos.&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; -Não que eu ache que eles se dividiram e estão vasculhando o prédio todo, mas acho melhor não arriscarmos.&lt;/span&gt; -Foram minutos que se estenderam como horas, mas finalmente chegamos à porta onde Thompson feriu Pedra. Descemos as escadas, tomando cuidado para não escorregarmos na grossa camada de poeira, e seguimos até o final do corredor. A pequena lanterna que Thompson tinha mal servia para iluminar o caminho, e ele sequer a apontava para o chão, para que pudéssemos ver onde estávamos andando. Ele apenas a apontava de uma parede a outra, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;frenéticamente&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson, ilumine aqui para podermos ver onde estamos indo&lt;/span&gt; -arrisquei falar, com a voz mais amistosa possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Estou procurando... achei!&lt;/span&gt; -Então ele se aproximou de um painel na parede e abriu sua pequena porta de ferro, que rangeu alto. Dentro havia um emaranhado sem fim de cabos e fios de todas as cores e calibres. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Segure a lanterna para mim, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Nuke&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;. Preciso ser rápido, eles com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;cereza&lt;/span&gt; já estão chegando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Chegando onde? Aqui?!&lt;/span&gt; -Perguntei, deixando escapar um pouco de medo junto com a voz. Mas Thompson não pareceu perceber, estava concentrado olhando a pequena tela do aparelho. Ele havia feito isso o caminho todo, mas agora parecia estar contando em silêncio os segundos. &lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson...?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vejam!&lt;/span&gt; -Disse ele, junto com uma risada de triunfo, virando a tela para que eu e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Anne&lt;/span&gt; pudéssemos olhar. Nela só se podia ver uma porta, vista do ângulo da pequena &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;câmera&lt;/span&gt; que Thompson instalara atrás do teclado de um dos computadores. Nada parecia acontecer na sala, mas então percebemos uma movimentação no corredor escuro além da porta. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Eles estão aí faz alguns minutos, por isso eu estava procurando com tanta pressa este painel. Depois que viram o corpo de pedra, resolveram &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;checar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; se havia mais alguém dentro da sala, e para isso devem ter usado sensores de calor, movimento, ou qualquer &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;baboseira&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; assim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal Thompson terminou de falar, os quatro homens vestidos com uniformes pretos entraram na sala. Três deles continuaram a revista, enquanto um quarto se aproximou do computador onde a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;câmera&lt;/span&gt; estava e começou a digitar no teclado &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;projetado&lt;/span&gt; sobre a mesa. Instantes depois ele chamou os outros e apontou para a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;câmera&lt;/span&gt;. Um princípio de briga se seguiu, mas logo eles tinham um motivo maior pra se ocuparem: Thompson já tinha conectado o pequeno aparelho na rede interna do prédio e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;ativado&lt;/span&gt; a tranca automática das portas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;eletrônicas&lt;/span&gt;. Por alguns segundos assistimos a todos eles se revezarem em socar a porta e procurar uma fresta, até que alguém se aproximou da &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;câmera&lt;/span&gt; outra vez e a destruiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vamos embora, eles logo vão dar um jeito de sair.&lt;/span&gt; -Advertiu Thompson, desligando o aparelho da rede. Nos apressamos pelo corredor e pela sala mofada atulhada de coisas, e finalmente estávamos nos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;expremendo&lt;/span&gt; para fora daquele prédio, de volta ao frio e à neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Me dê sua mão, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Anne&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; -ofereci a ela, quando reparei que ela não se &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;mexia&lt;/span&gt; para sair daquele buraco fedorento. Thompson já se adiantara e verificava&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;&lt;/span&gt; se havia mais alguém dos Deuses próximo aos veículos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Não posso. Tem alguém aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6860705501306410411?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6860705501306410411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6860705501306410411&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6860705501306410411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6860705501306410411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/07/48-vigiados.html' title='48. Vigiados'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-4954731186968723742</id><published>2009-07-01T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T22:55:24.000-03:00</updated><title type='text'>47. Colina Branca, Rastro Cinza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu podia sentir aquela gota de sangue escorrendo em minha bochecha. Podia sentir o cheiro de pólvora no ar que inundava meus pulmões. Sentia o impacto daquele corpo sem vida no chão. Sentia o medo se esvair daqueles olhos surpresos. Tudo em câmera lenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando finalmente meu cérebro desacelerou, Thompson tentava aos gritos tirar a pistola de minhas mãos. Ao fundo um alarme tinha disparado e em algum lugar uma luz vermelha piscava. No teto todos os monitores tinham mudado sua imagem e agora mostravam as entradas dos prédios. Anne tinha se encolhido junto à parede e soluçava, lágrimas escorrendo de seus lindos olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Nuke! Nuke...!&lt;/span&gt; - Insistia Thompson, quase quebrando minha mão de tanta força que fazia. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Largue a arma. Agora!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Tá... tá...&lt;/span&gt; -falei, ainda atordoado. Simplesmente abri as mãos e deixei a arma cair. Não sei quanto tempo se passou, mas em algum lugar em minha memória ainda ouço Thompson gritar várias vezes que eu já podia abaixar a arma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha ficado atordoado. Não de medo ou arrependimento, mas de prazer. E a partir daquele dia passei a entender porque algumas pessoas gostam de matar. O que as fascina não é a morte em si, mas o poder que emana da capacidade de fazê-la. E eu me senti assim, poderoso. Minhas mãos tremiam, minhas pernas bambearam, meus braços amoleceram, e tudo o que eu sentia era êxtase. Infinitas sensações e pensamentos percorreram meu corpo e minha mente naqueles instantes, mas hoje já não sinto nem me lembro de nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Um dos veículos chegou até aqui, Nuke.&lt;/span&gt; -Continuava Thompson, tentando me tirar de meus devaneios. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Precisamos agir, e infelizmente você não terá tempo para se acostumar com o fato de ter matado alguém, pois terá que fazê-lo de novo, se não quiser se encontrar com Pedra tão cedo no inferno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Tá... tá...&lt;/span&gt; -repeti, olhando em volta enquanto recuperava minha arma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Temos que correr, vamos nos preparar para quando eles arrombarem alguma das portas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson, espere!&lt;/span&gt; -Gritei, fazendo Thompson derrapar no chão liso. Apontei para um dos monitores.&lt;span style="color: white;"&gt; -Acho que eles estão tramando alguma coisa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A câmera daquele monitor estava apontada de cima de um dos prédios para uma colina próxima. No meio da tela um borrão preto se mechia no topo da colina coberta de neve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-O que é aquilo que ele está segurando?&lt;/span&gt; -Perguntei. E no mesmo instante um rastro de fumaça cinza deixou o borrão e cortou o ar velozmente em direção ao prédio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-LANÇA-MÍSSEIS!&lt;/span&gt; -E a explosão ecoou pelos corredores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-4954731186968723742?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/4954731186968723742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=4954731186968723742&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4954731186968723742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/4954731186968723742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/07/47-colina-branca-rastro-cinza.html' title='47. Colina Branca, Rastro Cinza'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6968720104824220322</id><published>2009-06-23T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-17T22:55:36.725-03:00</updated><title type='text'>46. Caminho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À beira da morte, muitos se despreocupam e a aceitam. Talvez isso devesse ser tomado como um ato de coragem e sabedoria, já que a morte é apenas mais uma onda no oceano da existência. Mas isso é para os romancistas Antigos, e na realidade não passa de covardia e conformismo. Não passa de medo do que virá a seguir. Ou do que não virá. É claro que é esse medo que nos impede de chegar à beira da morte. Afinal, não fosse o medo da morte ou do que não virá, já teríamos sido extintos, muito antes de começarmos a nos extinguir. Mas temer a morte não é o único meio de sobreviver e, certamente, não é o melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Dizem&lt;/span&gt; que a morte é inesquecível. Não apenas porque vamos todos, eventualmente, morrer um dia. Mas porque quando ela chega para alguém que gostamos muito, não conseguimos superar facilmente. E, na verdade, assim deve ser, ou não daríamos o merecido valor àqueles que ainda estão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;conosco&lt;/span&gt;. Ou, ainda, não daríamos valor a nós mesmos, e logo não nos importaríamos em partir e deixar para trás aqueles a quem realmente fazemos falta. Mas, quando a morte vem por nossas próprias mãos, ela não apenas torna-se inesquecível, como também parte de nós. E então, assim como àqueles que enfrentam a morte, resta-nos duas opções: medo e coragem. Para os que escolhem o medo, nada lhes resta além de enfrentá-lo até que sua vez chegue. Mas para os que escolhem ser corajosos, um longo caminho ainda virá, e nele mais mortes serão entregues por suas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando damos a morte a alguém, brincamos de ser &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;deus&lt;/span&gt;. Nos damos conta de que somos capazes de interferir &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;diretamente&lt;/span&gt; em algo que não entendemos completamente. E, de fato, nunca compreenderemos a vida em si, ainda que possamos tirá-la dos outros. Nos sentimos poderosos, imponentes, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;invencíveis&lt;/span&gt;. Provamos o gosto da vitória definitiva, derrotamos um inimigo para sempre. Desejamos mais e mais, e quando nos damos conta, estamos apenas fugindo, tentando evitar a morte, esquecê-la e despistá-la, enquanto a levamos a outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez eu nunca descubra qual caminho segui. Se tentei esquecê-la ou se a deixei fazer parte de mim, se a temi ou se a enfrentei. Um filósofo - se ainda existir algum - dirá que escolhi um caminho diferente a cada vez, mas eu digo que apenas segui meu próprio caminho. E, ainda que eu me esqueça daquela morte, ela não me esquecerá.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6968720104824220322?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6968720104824220322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6968720104824220322&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6968720104824220322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6968720104824220322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/06/46-caminho.html' title='46. Caminho'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-8935058139344050731</id><published>2009-06-18T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-17T22:55:48.817-03:00</updated><title type='text'>45. Traição</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apertando uma única tecla Thompson fez com que uma enorme carga de explosivos fosse detonada nas laterais da estrada de entrada, bem a tempo de acertar o último veículo que passava. O chão tremeu e os prédios balançaram. Na escuridão distante janelas se partiram e seus estilhaços tilintaram pelo chão. Um dos monitores, pendurado ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;teto&lt;/span&gt;, perdeu a recepção do sinal que recebia de uma das &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;câmeras&lt;/span&gt; externas, quando esta foi consumida pela explosão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Há! Por essa vocês não esperavam, não é mesmo?!&lt;/span&gt; -Comemorou Thompson, saltando da cadeira e dando socos no ar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-E por essa, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-weight: bold;"&gt;você&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;, não esperava, não é, &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2" style="color: #666666;"&gt;Thomspon&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;?&lt;/span&gt; -A voz, que ecoou do corredor escuro do lado de fora da sala, era de Pedra. O homem mancou com dificuldade para dentro, segurando uma pistola com uma das mãos e com a outra apertando o ferimento na barriga, que parecia ter voltado a sangrar. &lt;span style="color: #666666;"&gt;-Vamos, os três, larguem as armas e as chutem para cá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obedecemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Agora, senhor Thompson, afaste-se desse terminal. Já atrapalhou bastante os Deuses por hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Seu... desgraçado, filho-de-uma-&lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3" style="color: #cc9933;"&gt;puta&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;!&lt;/span&gt; -Berrou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Thomspon&lt;/span&gt; com todas as forças, quase cuspindo em Pedra. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Você está do lado deles o tempo todo! Filho-da-&lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5" style="color: #cc9933;"&gt;puta&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; desgraçado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Acalme-se Thompson, se você morrer do coração, que graça vai ter? E, não, eu não estive do lado deles o tempo todo. Quando desertamos, logo após a Explosão, eu realmente lutei contra eles. Mas a radiação mexe com a mente das pessoas, e quando abri meus olhos e vi que apenas ao lado deles eu teria chance de sobreviver em um mundo desses, eles me deram outra chance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Filho-da-&lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6" style="color: #cc9933;"&gt;put&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;...&lt;/span&gt; -não conseguiu terminar o que estava dizendo, Pedra já lhe acertava uma coronhada no rosto, fazendo-o cambalear. Thompson já se aprumava para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;revidar&lt;/span&gt; o golpe quando viu o cano da arma apontado entre seus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-O que você quer afinal, seu desgraçado ingrato?&lt;/span&gt; -Perguntei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-O mesmo que você, ele e ela. O mesmo que todos aqueles condenados a viver nesse mundo querem! Quero dinheiro, riquezas, mulheres, poder. Quero sair desse fundo-de-poço antes que alguém resolva &lt;/span&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8" style="color: #666666;"&gt;tacar&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt; terra nele até a borda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Devíamos tê-lo deixado morrer!&lt;/span&gt; -gritou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Anne&lt;/span&gt;. &lt;span style="color: yellow;"&gt;-Traidor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Não fique assim, meu raio-de-sol, eu posso levá-la comigo, e então você será mais feliz do que jamais sonhou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Anne&lt;/span&gt; não estava pensando em felicidade e, assim que Pedra terminou de falar, deu-lhe um tapa no rosto, fazendo o som ecoar pela sala e corredores. Pedra devolveu a ela um soco, fazendo-a cair. Ele então continuou a golpeá-la, mesmo com dificuldades por causa do ferimento, com chutes e pontapés, enquanto ela se encolhia para se proteger. Thompson percebeu o momento de distração e fúria de Pedra e já se preparava para atacá-lo quando o som de um disparo encheu a sala e &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;paralisou&lt;/span&gt; a todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Não!&lt;/span&gt; -soluçou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Anne&lt;/span&gt; baixinho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-8935058139344050731?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/8935058139344050731/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=8935058139344050731&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8935058139344050731'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8935058139344050731'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/06/45-traicao.html' title='45. Traição'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2060560014912916982</id><published>2009-06-01T00:00:00.004-03:00</published><updated>2011-04-17T22:56:04.517-03:00</updated><title type='text'>44. Corredores e Computadores</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Anne&lt;/span&gt; e eu ficamos estáticos. O governo estava ali. Ou a parte dele que havia sobrevivido à Explosão, o cadáver ambulante do antigo poder, que devia ter ficado no passado e que teimava em não se deitar sete palmos debaixo da neve, escombros e terra &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;radioativa&lt;/span&gt;. Thompson era o único que parecia saber o que fazer, deixando que seu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;treinamento&lt;/span&gt; assumisse o controle. Revirou todas as funções do aparelho que a pouco tinha nos alertado da presença de visitas, mas nenhuma parecia agradá-lo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vamos, precisamos chegar à sala de comando central&lt;/span&gt; -ele então pegou sua arma, guardou o aparelho no bolso e saiu andando, ignorando as duas estátuas que éramos ao seu lado. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Andem logo, porra! E tratem de tirar essas pistolas dos bolsos, ou vocês acham que elas vão disparar sozinhas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos esforçamos para fazer nossas pernas se mexerem e segui-lo. Avançamos pelos corredores correndo, tentando nos manter em seu encalço, enquanto ele disparava pela escuridão sem perder tempo. Eu já tinha me perdido muitas esquinas antes, quando finalmente ele parou, fazendo-nos deslizar pelo piso para evitarmos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;trombar&lt;/span&gt;. Era uma porta qualquer, igual a todas as outras daquele prédio. Qualquer um passaria por ela sem reparar no pequeno painel no lugar da maçaneta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Espero que ainda funcione, depois de todos esses anos&lt;/span&gt; - falou Thompson, passando a mão perto da pequena tela, que se iluminou mostrando um teclado numérico. Ele digitou uma senha e o teclado mudou para o desenho de uma mão. Mal teve tempo de aproximar sua mão e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;scanner&lt;/span&gt; do painel já a tinha identificado. Finalmente ele se abaixou e deixou que o aparelho identificasse sua retina. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-É, grande coisa. Antes disso tudo acontecer nos disseram que esse tipo de segurança podia ser facilmente quebrada ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4" style="font-style: italic;"&gt;hackeada&lt;/span&gt;. É... grande coisa mesmo...&lt;/span&gt; -desabafou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A porta, apesar de parecer como as outras, era de aço e extremamente grossa, assim como as paredes que formavam a sala. Incrivelmente o espaço interno era gigantesco, ainda que houvessem máquinas e computadores do chão ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;teto&lt;/span&gt;. Logo ao entrarmos as luzes se acenderam e um zumbido tomou conta da sala quando muitos monitores e computadores ligaram. Thompson já estava familiarizado com aquele lugar, pois arrastou uma cadeira e sentou-se correndo em um dos computadores, enquanto eu e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Anne&lt;/span&gt; ficávamos novamente estáticos, olhando em volta. Ele digitava coisas freneticamente no teclado virtual que se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;projetava&lt;/span&gt; na mesa diante de si, e a cada &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;exatos&lt;/span&gt; 10 segundos murmurava maldições ou xingava baixinho. Nos monitores espalhados pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;teto&lt;/span&gt; podíamos ver, de vários ângulos, os veículos se aproximando pela estrada. Em minutos estariam na entrada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson, seja lá o que formos fazer, acho melhor que seja logo&lt;/span&gt; -falei preocupado, tentando dominar a adrenalina que explodia qualquer limite dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Jura?! Cala a boca e me deixa pensar&lt;/span&gt; -seu tom de voz era extremamente irritado e impaciente, mas não se deu ao trabalho de tirar os olhos do monitor para descarregar a tensão em mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Thompson, eu posso ajudar em alguma coisa?&lt;/span&gt; -Arriscou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Anne&lt;/span&gt;, falando no tom de voz mais amável que conseguiu fazer transpor o medo que a consumia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Nã&lt;/span&gt;...&lt;/span&gt; -mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Thomspon&lt;/span&gt; cometeu o erro de olhar para ela, e foi incapaz de terminar a resposta. Porém, quando girou na cadeira e voltou ao computador, não se conteve: &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;- Achei! Filhos-da-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;puta&lt;/span&gt;, agora eu mando vocês pro inferno de onde saíram!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2060560014912916982?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2060560014912916982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2060560014912916982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2060560014912916982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2060560014912916982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/06/44-corredores-e-computadores.html' title='44. Corredores e Computadores'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2958683407565006542</id><published>2009-05-21T00:00:00.006-03:00</published><updated>2011-04-17T22:56:19.392-03:00</updated><title type='text'>43. Passado, Governo, Presente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando Thompson continuou a nos contar sua história, Pedra já havia caído exausto em um sono profundo. A barriga do homem subia e descia com dificuldades, erguendo e baixando lentamente a mão que apoiava sobre as bandagens tingidas de sangue. Anne e eu ajudamos a colocá-lo na única das camas do alojamento que parecia estar limpa e o cobrimos com um cobertor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Bem,&lt;/span&gt; -continuou Thompson &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;- Pedra e eu éramos amigos desde os tempos da graduação. Ele se formou em Engenharia Computacional e eu em Engenharia Eletro-Robótica. Fazíamos parte de nossas pesquisas de mestrado juntos, já que eu precisava de processadores específicos para os carregadores de células de energia, enquanto ele precisava de um sistema que testasse certos pontos da capacidade dos processadores que ele pesquisava. Com nossas pesquisas estávamos abrindo as portas para obtermos células de energia que se auto-carregavam com quase qualquer coisa, como variações de temperatura, movimento, luz solar e lunar, variações de campo elétrico&lt;/span&gt; &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;e até mesmo variações do campo magnético da Terra. Agora imaginem uma arma portátil que não descarrega praticamente nunca, ou um pequeno robô espião que nunca pára. Era isso o que aqueles homens que me abordaram um dia tinham em mente. Eu e Pedra poderíamos ter utilizado nossas pesquisas para fornecer energia ilimitada para a maioria das coisas pequenas e portáteis, como relógios, comunicadores, computadores de baixa energia... Mas eles tinham outros planos.&lt;/span&gt; -Fez então uma pausa, como se reavaliasse os anos que haviam se passado, e onde tinha chegado com tudo aquilo. Seu rosto e sua voz transpareciam um misto de amargura e raiva. Anne e eu apenas ouvíamos atentos, pois aquilo explicava muito mais do que apenas a vida de um sobrevivente das Explosões. Explicava quais eram as atitudes governamentais antes de tudo acontecer. Continuou.&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; -Como eu disse, recusei as primeiras ofertas, já que emprego estável e dinheiro eu tinha, mas quando as cifras passaram dos seis zeros ao ano, mudei de idéia. Era a chance de ter tudo o que eu desejava para mim e sonhava para minha família. Logo soube que Pedra também tinha aceitado, e em pouco tempo estávamos pesquisando diretamente para o Governo. No primeiro ano deixaram que nos focássemos nas pesquisas, e todo e qualquer pedido de verbas era prontamente repassado aos nossos projetos, ignorando, de algum modo, toda a burocracia que havia -ou deveria haver- em torno disso. Mas no segundo ano, quando os resultados com as células começavam a aparecer, eles nos colocaram em períodos imensos de treinamentos intensivos de sobrevivência, camuflagem, espionagem e tiro. E quando questionávamos qual a utilidade de cientistas aprenderem a atirar e sobreviver em terreno hostíl, diziam apenas que fazia parte do processo. Mas a verdade era que eles estávam nos preparando para...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma série de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bips&lt;/span&gt;, como os de um alarme, dispararam no bolso do uniforme de Pedra. Thompson puxou um pequeno aparelho, pouco maior que a palma de sua mão, e apertou um botão. Imediatamente a tela, que era praticamente todo o aparelho, se ligou e o alarme parou de apitar. Podíamos ver as rodas de um veículo passando e jogando neve para os lados, mas não conseguíamos identificar quase nada. Com outro aperto de botão o ângulo de visão mudou, agora de uma câmera colocada mais acima, provavelmente do topo do prédio, e pudémos ver três veículos vindo pela mesma estradinha que havíamos tomado algumas horas antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Merda!&lt;/span&gt; -Xingou Thompson, quase derrubando o aparelho. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Nossos coleguinhas do Governo estão aqui...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anne tentou dizer alguma coisa mas as palavras entalaram em sua garganta e ela apenas tossiu, meio atordoada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-O Governo o que?! Mas esses veículos...&lt;/span&gt; -não encontrei palavras para terminar a frase.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Sim, são os Deuses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2958683407565006542?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2958683407565006542/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2958683407565006542&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2958683407565006542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2958683407565006542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/05/43-passado-governo-presente.html' title='43. Passado, Governo, Presente'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5478569389720809613</id><published>2009-05-19T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T22:56:37.136-03:00</updated><title type='text'>42. Pedra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sala para a qual levamos o homem ferido parecia saída de um filme de terror, daqueles que eram produzidos antes da Explosão. Ela costumava ser um pequeno pronto-socorro, feita para realizar procedimentos médicos simples e emergenciais, nada muito complicado. Mas agora, com os instrumentos enferrujados, equipamentos quebrados e sem conservação, sem medicamentos e médicos treinados, o lugar servia, no máximo, para torturar algum desafortunado. E, ainda assim, Anne insistiu para que a deixássemos olhar o ferimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Pior não pode ficar&lt;/span&gt; -brigou ela, quando tentamos dissuadi-la a tentar ajudar &lt;span style="color: yellow;"&gt;- portanto ou param de me atrapalhar, ou saem daqui!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela limpou uma pinça e uma agulha usando o conteúdo de uma garrafa que estava por lá, e que, como cheirava a álcool, provavelmente não infeccionaria ainda mais o ferimento. Logo descobrimos que Anne sabia o que fazia. Afinal tinha sido uma ótima idéia deixá-la no comando. Ela limpou o sangue que se esparramava para fora da ferida e colocou lentamente a pinça pelo buraco da bala. O pobre homem estava praticamente inconsciente, mas ainda torceu o rosto e grunhiu quando Anne finalmente tirou o estilhaço que havia se alojado em sua barriga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Não dá pra ver se algum órgão foi atingido, mas, de qualquer forma, eu não poderia fazer muita coisa mais por ele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anne não parecia muito segura se conseguiria salvar seu paciente, mas fez o melhor que pode. Suturou o ferimento com o único pacote de linha ainda lacrada e enfaixou-o com o resto de gaze e bandagens que encontramos. Quando terminamos,a pobrezinha suava frio e estava exausta, mas parecia contente com o resultado. Deixou escapar um leve sorriso de satisfação, antes de escondê-lo novamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Você fez um ótimo trabalho, Anne &lt;/span&gt;-disse com sinceridade e surpresa, ignorando a vergonha de falar com ela. &lt;span style="color: white;"&gt;-Mas antes de você nos contar onde aprendeu essas habilidades, acho que Thompson precisa nos esclarecer algumas coisas, não é?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thompson já empurrava a maca onde colocamos o homem ferido para o corredor. Mesmo sem dizer nada, sabíamos que ele se preparava para nos contar mais sobre seu passado. Com uma cara meio de dor e meio de insegurança começou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Ok. Vocês venceram, e já era mais que hora de eu contar-lhes quem eu sou de verdade&lt;/span&gt; -Thompson despejou as palavras sem titubear, sempre olhando adiante, enquanto continuava empurrando a maca pelos corredores daquela enorme construção. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;- Quando tudo começou, ou acabou, pra ser mais exato, eu tinha um pouco mais que a idade de vocês. Estava no último ano do meu mestrado, bem aqui nesse prédio. Tinha uma linda mulher, uma filha que mais parecia uma princesa&lt;/span&gt; -seus olhos brilhavam enquanto falava, lutando contra as lágrimas que tentavam escapar de sua máscara de seriedade&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; - de tão maravilhosa que era. Eu tinha emprego aqui, mas queria mais pra minha vida e pra minha família, queria garantir-lhes um futuro digno. E quando a oportunidade surgiu, não a desperdicei. Foi numa noite, quando saia da sala do meu orientador, que eles aparecerem. Dois homens bem vestidos, cabelos arrumados e barbas perfeitamente feitas. Começaram com um papo sobre minhas boas notas e minhas pesquisas com recarregadores de células de energia. Disseram que precisavam de gente inteligente e decidida como eu ao lado deles. Claro que a princípio, além de obviamente assustado e desconfiado, neguei participar de qualquer coisa, mas quando começaram a falar de números, mudei de idéia imediatamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entramos em um salão principal, cheio de grandes colunas e chão de mármore. De um lado havia uma grande porta de madeira, que parecia ser a entrada principal do prédio. No meio havia uma recepção toda de madeira trabalhada, com papéis e canetas ainda dispostos sobre o balcão, tudo coberto com uma generosa camada de poeira. Pelas placas que pendiam no teto deduzi que Thompson nos guiava para a ala dos dormitórios. Ele ficou em silêncio ao cruzar o saguão, admirando cada detalhe, provavelmente tentando lembrar-se das muitas coisas que lhe aconteceram naquele lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Vamos, Thompson. Conte a eles logo quem somos...&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;-sussurrou o homem na maca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Contarei, Pedra, contarei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5478569389720809613?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5478569389720809613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5478569389720809613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5478569389720809613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5478569389720809613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/05/42-pedra.html' title='42. Pedra'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-8480423866497094302</id><published>2009-05-05T00:00:00.007-03:00</published><updated>2011-04-17T22:56:50.654-03:00</updated><title type='text'>41. Feridas e Cicatrizes</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ficamos estáticos, mal respirando. Os segundos seguintes demoraram a passar. Era como se o mundo tivesse parado de girar, preso àquele momento, em silêncio. Mas eu ainda podia ouvir o estrondo ecoando em meus ouvidos, minhas pernas lutavam para pararem de tremer e meu coração tentava abrir um buraco em meu peito e fugir. Thompson olhava da porta para o corredor, tentando não ser pego de surpresa. Seu coração batia tão forte que se podia ouví-lo naquele silêncio, e mesmo assim, à luz fraca que deslizava pela fresta da porta, ele não demonstrava medo algum. E quando a sombra voltou adiante da porta, ele apenas segurou firme a arma e se preparou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com um barulho metálico a tranca foi aberta. Lentamente a porta se abriu, deixando jorrar luz escada abaixo. Uma cortina brilhante se formou na poeira que flutuava e rodopiava no ar praticamente parado. Thompson ergueu rapidamente a arma e disparou apenas uma vez. O lampejo refletiu em seus olhos, apenas fúria saía deles. E antes mesmo que eu pudesse entender, ele se projetou escada acima, pulando os poucos degraus que faltavam e se jogou contra a porta. Com um baque surdo quem estava do outro lado foi arremessado. Quando corri escada acima Thompson já tinha um dos pés no peito da pessoa e sua AK-47 apontada para seu rosto. Havia um corte na testa do homem caído e um filete de sangue escorria-lhe pela orelha. Ele não era velho, mas duas décadas de um mundo podre tinham levado sua juventude embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rosto do pobre homem era cheio de cicatrizes, seus braços tinham marcas horrendas e pedaços faltando ou sobressaindo, dois dedos da mão esquerda tinham sumido e havia um curativo mal-feito em sua perna esquerda. Na mão direita segurava uma pistola, saindo debaixo de suas costas se podia ver o cabo de uma metralhadora, e em sua bota havia uma faca. Uma mancha vermelha de sangue crescia em seu uniforme azul e se espalhava por toda a região da cintura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Sua mira e seus reflexos continuam muito bons, mesmo depois de tantos anos&lt;/span&gt; - tossiu o homem, cuspindo parte do sangue que escorria do corte em seu lábio. Então sorriu maliciosamente e continuou.&lt;span style="color: #006600;"&gt; &lt;span style="color: #666666;"&gt;-Achei que nunca mais veria o garotinho mirrado, com medo do escuro, que vivia fugindo das aulas de primeiros-socorros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Tinha medo de lembrar de sua mãe gritando de prazer, nas noites em que passei com ela. &lt;/span&gt;-Faltou Thompson, comprimindo o cano da arma no ferimento aberto na barriga do sujeito, com expressão de poucos amigos. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Talvez devesse ter suturado sua boca e cortado fora seu pau quando tive chance.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Thompson, seu puto!&lt;/span&gt; -Gargalhou o homem, com os dentes pintados de sangue. &lt;span style="color: #666666;"&gt;-Minha mãe tinha quase sessenta anos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Eu sei, por isso tinha medo.&lt;/span&gt; -E tirou o pé do peito do inimigo caído, ajudando-o a se levantar. E sem alterar sua expressão, falou. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-E da próxima vez não vou errar o tiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Mas você acertou, oras... Esse sangue todo que o diga! Meu coração não para de bombeá-lo para fora, e minha boca já tomou quase um litro dele!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Se tivesse acertado, a porta não teria absorvido o impacto e você estaria perguntando a sua mãezinha se ela sente saudades de mim neste exato momento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Desgraçado... continua igualzinho!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E eu e Anne não dissemos palavra, boquiabertos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-8480423866497094302?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/8480423866497094302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=8480423866497094302&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8480423866497094302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8480423866497094302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/05/41-feridas-e-cicatrizes.html' title='41. Feridas e Cicatrizes'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-933702480127874454</id><published>2009-04-21T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T22:57:04.035-03:00</updated><title type='text'>40. Poeira e Umidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com um chute a grade de proteção da pequena janela voou alguns metros, aterrissando na neve fofa. Thompson então empurrou a pequena janela e se espremeu para dentro. Um cheiro forte de mofo e ar parado saía pela abertura e impregnava mesmo nossos narizes entupidos pelo frio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Andem logo, ou vou ter que recolher os corpos de vocês... e não sei se vou me preocupar com isso&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;.&lt;/span&gt; -Thompson não parecia estar brincando, mas ele nunca parecia, e mesmo assim eu nunca conseguia achá-lo arrogante ou carrancudo demais. Ele simplesmente não queria que fôssemos moles, e por isso fingia não se importar com nada além de si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Tem sangue aqui, vejam&lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;.&lt;/span&gt; -Apontei para a lateral dos degraus que levavam à porta de serviço. Mas apenas Anne estava ouvindo, enquanto Thompson tinha sumido na escuridão. &lt;span style="color: white;"&gt;-Acho que alguém lavou a parte de cima, mas se esqueceu de limpar o que escorreu pelos lados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Brrr...!&lt;/span&gt; -Tremeu Anne, fazendo careta para o sangue. &lt;span style="color: yellow;"&gt;-Vamos entrar logo, sinto-me observada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ajudei Anne a entrar pela janela e fui em seguida. O cheiro lá dentro era ainda mais forte, a ponto de me causar náuseas. Mal se podia enxergar sua própria mão diante do nariz, quanto mais o que havia ao redor. Thompson tirou então uma lanterna de sua mochila e iluminou a escuridão. Estávamos em uma espécie de depósito, cheio de caixas e prateleiras, todas amontoadas ou jogadas pelos cantos. Poeira era o que não faltava e, unida à umidade que penetrava pelas paredes não impermeabilizadas, criava tapetes escorregadios por todos o chão. Anne e eu tínhamos guardado as armas, mas Thompson mandou que as mantivéssemos preparadas. Caminhamos por entre os esqueletos do que um dia foram mesas e cadeiras e finalmente chegamos a uma porta, escondida atrás de um armário caindo aos pedaços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Não preciso lembrá-los para fazerem silêncio, não é?&lt;/span&gt; -Falou, já girando lentamente a maçaneta da porta. Apagou a luz da lanterna e puxou a porta, de modo a abrir apenas uma fresta. Uma lufada de ar entrou zumbindo e saiu pela janela. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Nuke, feche aquela janela já. Não queremos portas batendo por causa de correntes de vento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fechei a janela e voltei lentamente, andando com cuidado para não escorregar ou tropeçar em alguma coisa. Por mim, teria preferido o risco de uma porta bater à sufocar com aquele cheiro, mas eu não ia discutir com Thompson naquele momento em hipótese alguma. Juntei-me a eles e adentramos. Thompson ligou novamente a lanterna e olhou com mais atenção. Estávamos no final do corredor, haviam portas iguais dos dois lados, mas a maioria estava fechada. Na outra ponta havia uma escada, que subia e sumia de vista, provavelmente levando ao andar principal. Caminhamos lentamente, evitando fazer barulho e fomos direto até a escada. Thompson checou o interior de cada porta aberta com sua lanterna, mas eu e Anne passávamos sem olhar, como se temêssemos que alguma coisa pudesse nos puxar pra escuridão. Já subíamos os primeiros degraus quando Thompson parou abruptamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Esperem, tem alguém do outro lado&lt;/span&gt;. -E assim que ele terminou de sussurrar a frase, uma sombra pode ser vista passando pela faixa de luz que se expremia por debaixo da porta no topo da escada. Thompson apontou sua arma e desligou a lanterna. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Abaixem-se, se a porta abrir vou atirar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A sombra simplesmente passou pela porta, mas atrás de nós uma estante caiu em alguma das salas, fazendo o chão tremer e um som ensurdecedor encher o corredor. Anne gritou de imediato. E, ainda sussurrando, ouvi Thompson amaldiçoar os deuses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Merda!&lt;/span&gt; -Foi tudo que consegui dizer, comprimindo os olhos e esperando a adrenalina tomar conta de meu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-933702480127874454?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/933702480127874454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=933702480127874454&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/933702480127874454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/933702480127874454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/04/40-poeira-e-umidade.html' title='40. Poeira e Umidade'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5610285041362284930</id><published>2009-04-18T00:00:00.001-03:00</published><updated>2011-04-17T22:57:16.751-03:00</updated><title type='text'>39. Tiros na Neve</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estávamos todos observando atentamente as janelas, esperando ver alguma coisa. Thompson e eu concordamos em parar o carro ao lado de um dos prédios, evitando assim as janelas sem tábuas. Foi então que Anne gritou, apontando para uma das janelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Ali, tem alguém ali!&lt;/span&gt; -E assim que ela apontou para uma das janelas do terceiro andar, algo brilhou na escuridão, refletindo a fraca luz que penetrava pelas nuvens cinzas que cobriam permanentemente os céus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Acelera Nuke, vão abrir fogo!&lt;/span&gt; -E antes que eu pudesse raciocinar direito o que ele tinha dito, já estava acelerando e jogando o carro pela lateral do prédio. Mal evitamos a linha de visão das janelas ouvimos os disparos. Ainda tive tempo de olha pelo retrovisor e ver os buracos na neve, com pequenas núvens de vapor subindo em rodopios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Puta merda!&lt;/span&gt; -Desabafei em voz alta. &lt;span style="color: white;"&gt;-Filhos-da-puta! Atiraram em nós, sem nem saber quem somos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por alguns instantes ficamos estáticos. Ninguém queria sair do carro, porque alguém do lado de fora estava atirando, mas ninguém queria ficar ali, preso em uma lata de aço esperando morrer. Thompson foi o primeiro a descer. Passou pelo carro e subiu na neve acumulada na parede do prédio, aproximou-se da quina da parede e tentou olhar pela esquina. Não demorou e mais núvens de vapor subiam de novos buracos na neve, enquanto lascas do acabamento da parede voavam. Thompson estava meio assustado, provavelmente não tinha esperado encontrar briga naquele lugar, e agora tinha o dedo no gatilho de sua AK.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vamos dar a volta, se ficarmos aqui morreremos.&lt;/span&gt; -Eu já estava descendo do carro, segurando desajeitadamente a pistola que ele havia posto em meu colo. Estava com medo, admito, mas a cada estava me acostumando mais com ele, e naquele momento já não era mais do que outro tipo de adrenalina correndo em minhas veias. É certo que o medo salva vidas, afinal, nos impede de corrermos riscos absurdos, que certamente nos matariam. Mas, pra mim, o medo de algo sempre deu forças para enfrentá-lo, e provavelmente isso salvou minha vida mais vezes do que se tivesse me dado forças para apenas correr. Thompson tinha corrido pela lateral do prédio e estava na outra quina, olhando pela esquina e nos fazendo sinal para o acompanharmos. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Por aqui, tem uma entrada naquele canto, tenho certeza.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Como ele sabe?&lt;/span&gt; -Perguntou-me Anne, enquanto corríamos até ele, tropeçando e atolando os pés na neve fofa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Não faço idéia... nenhuma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Atravessamos um espaço de cerca de vinte passos entre dois prédios. Havia muitas janelas, mas aparentemente não havia nenhuma sem tapumes, e isso nos deu coragem suficiente para atravessar o vão entre as construções. Nos abrigamos debaixo de um telhado de alumínio parcialmente desabado, que cobria uma porta de serviço. Como eu já esperava, a porta estava trancada, e provavelmente bloqueada por dentro. Mas Thompson sequer se importou em testar se a porta capenga estaria aberta, simplesmente começou a remover a neve ao lado da porta com a ajuda do cabo da AK-47. Depois de remover a neve e um amontoado de entulhos pudemos ver o que ele procurava: uma janela de subsolo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vamos entrar por aqui.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Você já esteve aqui?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei-o, inquisitivo e sem dizer palavra. E ele, com naturalidade, respondeu sem sequer piscar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Claro. Agora andem logo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5610285041362284930?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5610285041362284930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5610285041362284930&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5610285041362284930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5610285041362284930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/04/39-tiros-na-neve.html' title='39. Tiros na Neve'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5801118665192049685</id><published>2009-04-12T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T22:57:45.513-03:00</updated><title type='text'>38. Armas em Punho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diferente de Anne e Thompson, eu não me sentia muito confortável em me aproximar daquele complexo. Não que ele parecesse ameaçador ou pudesse abrigar inimigos - apesar de parecer muito óbvio que abrigaria - mas era a primeira construção que eu via, em toda minha vida, que parecia intocada pela Explosão, parada eternamente no tempo. Havia neve acumulada nas paredes e nos tetos, nos parapeitos das janelas pendiam ponteiras de gelo escurecidas pela sujeira. Haviam dois veículos parados ao lado de um grande portão de ferro, como em uma garagem antiga. O maior deles, um trator amarelo, tinha a frente modificada para remover neve, enquanto o outro parecia um mini tanque de guerra. As paredes, feitas de grandes blocos de concreto, foram um dia pintada de branco, mas agora descascava sob a passagem dos anos. Grandes janelas, em sua maioria tapadas com tábuas e placas de metal, eram enormes e deviam iluminar todo o interior dos prédios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ainda estava absorvendo aquela visão inédita quando percebi que o carro estava descendo a colina. Thompson tinha se cansado de esperar que minha admiração passasse e tinha soltado o freio de mão, e só percebi quando já estávamos ganhando velocidade. Pressionei de leve o pedal do freio, para que não derrapássemos, e deixei que o carro deslizasse lentamente até o fundo do vale, enquanto ainda observava cada detalhe da magnífica estrutura. Thompson não estava preocupado com minhas sentimentalidades e tirou-me novamente de meus devaneios colocando uma pistola em meu colo, passou outra para Anne e engatilhou sua metralhadora, uma antiga AK-47 - que, ainda hoje, é uma das melhores armas que existem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-O que faremos com isso?!&lt;/span&gt; -Bradou Anne, completamente desnorteada e visivelmente assustada com a arma em suas mãos. &lt;span style="color: yellow;"&gt;-Eu não sei nem atirar pedras em uma casa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-É, eu também não sei atirar!&lt;/span&gt; -Completei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vão aprender logo, vejam.&lt;/span&gt; -Falou Thompson, com sua calma impossível diante de situações de desespero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em uma das janelas mais altas uma sombra acabara de se mecher e desaparecer na escuridão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5801118665192049685?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5801118665192049685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5801118665192049685&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5801118665192049685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5801118665192049685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/04/38-armas-em-punho.html' title='38. Armas em Punho'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7572273327004257071</id><published>2009-04-08T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-17T22:57:59.458-03:00</updated><title type='text'>37. Desvios</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson. Estamos dirigindo a horas, e esse já é o segundo dia.&lt;/span&gt; -Mas Thompson estava cochilando, roncando baixinho, e não tinha ouvido. Cutuquei-o para que acordasse e então repeti. &lt;span style="color: white;"&gt;- Já estamos na estrada faz horas. Mark tinha dito que eram apenas 300 quilômetros até Amrak, mas aposto que já andamos mais que isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Sim, você está certo. Mas onde paramos para descansar ontem, na hora do almoço, tomamos um desvio.&lt;/span&gt; -Falou Thompson, sem tirar os olhos da estrada.&lt;span style="color: #cc9933;"&gt; -A estrada em que deveríamos estar, que segue o leito do rio, foi bloqueada e desviada para esta. Percebi que havia algo errado, mas não quis assustar ninguém. E, além do mais, essa estrada parecia estar em melhores condições do que aquela estaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Mas você sabe pra onde estamos indo, não é?&lt;/span&gt; -Perguntei alarmado. &lt;span style="color: white;"&gt;-E porque não nos contou antes?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Não. Sei que devia ter contado, mas como disse, preferi não assustar você e a Anne. Mas isso não importa, realmente. Ontem a noite conversei com os garotos que estavam nos acompanhando e chegamos a conclusão de que o melhor era que nós seguíssemos por aqui. &lt;/span&gt;-Apesar de parecer um pouco desconfortável por não ter nos contado, Thompson parecia confiante na decisão de não retornar a Tradeport e seguir pela rota alternativa. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Eles me contaram que os mercadores que chegam à Tradeport fazem esse caminho já a alguns meses, mas que ninguém se deu ao trabalho de avisar ao sherife Mark que a rota original está bloqueada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Como assim? Porque esconder que alguém fez isso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Eles temem que, se Mark souber do bloqueio, vai querer removê-lo. E, além de muito trabalho, isso significa descobrir o responsável e impedir que ele refaça o bloqueio. Sabemos, pelo que vimos hoje, que os Escravizadores estão metidos nisso, mesmo que apenas oportunamente, e mecher com eles é pedir guerra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-É, sei como é... Já fui escravo e isca pra escravizador... Lembra?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-É verdade, tinha me esquecido.&lt;/span&gt; -Thompson ficou em silêncio por um tempo. Pensei que ele estivesse imaginando um confronto contra os Escravizadores, mas pouco depois ele falou, animado. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vire aqui, reconheci onde estamos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava dirigindo com gosto, a mais de 100 km/h, e fui pego de surpresa pela ordem de Thompson. Virei o volante com vigor demais, e logo depois estávamos rodando pela neve e gelo. Por pura sorte o carro não atolou na neve e pudemos seguir pelo pequeno desvio soterrado de gelo que havia entre um punhado de árvores mortas. Andamos por certa de 30 minutos, até que a estradinha precária, ladeada por pedras e restos de árvores, terminou em uma longa descida. Adiante de nós, no fundo de um pequeno vale, havia um imenso complexo de construções enormes. Em um portão de grade arruinado havia os resquícios de uma placa. "Propriedade Governamental - Proibída a entrada", dizia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Anda logo Nuke, vamos descer. Estou congelando aqui!&lt;/span&gt; -Falou Anne, pela primeira vez desde que escapamos dos Escravizadores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7572273327004257071?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7572273327004257071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7572273327004257071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7572273327004257071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7572273327004257071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/04/37-desvio.html' title='37. Desvios'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-302532014454928315</id><published>2009-04-02T00:00:00.004-03:00</published><updated>2011-04-17T22:58:13.606-03:00</updated><title type='text'>36. Escombros e Gelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os escravizadores deviam estar nos observando desde o dia anterior. Sabiam que nossos veículos não eram os adequados para andar sobre montanhas de neve, e que isso nos forçaria a ficar na estrada. Mas, depois de uma tempestade de neve, mesmo as estradas ficavam intransitáveis a veículos comuns sem esquis, e essa era a maior vantagem deles. Veículos com limpadores de neve constantemente mantinham as estradas livres de neve, mas podia levar dias até que um desses percorresse aquele caminho e a deixasse limpa, até que a próxima tempestade a inutilizasse novamente. Nossos carros tinham correntes em volta dos pneus, mas a neve fofa era intransponível para eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu mal sabia dirigir em uma rua limpa e sem obstáculos, quanto mais em uma estrada cheia de neve e gelo, mas mesmo assim só pensava em pisar fundo no acelerador e sair dali. Levei poucos segundos para arrancar com o carro depois que Anne e eu entramos. Thompson ainda corria colina abaixo e praticamente se jogou porta adentro quando passamos por ele ainda acelerando. Eu estava me esforçando ao máximo para manter o carro na estrada, mas Thompson segurou o volante com uma das mãos e girou-o com força, fazendo o carro sair da estrada e subir o pequeno barranco de entulhos e terra que havia do lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Mas que porra é essa que você tá fazendo?&lt;/span&gt; -Berrei de imediato, tentando fazer o carro voltar para a estrada. Mas Thompson segurava o volante firmemente, e falou com força, mas sem gritar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-A neve se acumulou na estrada e está fofa. Aqui há mais gelo e detritos, onde as correntes podem conseguir apoio para não deixar os pneus girarem em falso.&lt;/span&gt; -Em principio não acreditei, mas logo estávamos andando mais rapidamente, ainda que com muitos trancos e solavancos. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Não acelere tanto, e reduza uma marcha. O motor precisa de mais força que velocidade, por enquanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;Certo, certo!&lt;/span&gt; -Meu coração estava disparado, tentando abrir um buraco em meu peito para fugir. E quando eu pensava que não poderia haver mais descargas de adrenalina em meu sangue, Anne gritou ainda mais alto do que já vinha gritando enquanto fugíamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Os escravizadores pegaram eles!&lt;/span&gt; -Exclamou desesperada, apontando pelo vidro traseiro para o outro carro, ainda parado no meio da estrada. Os veículos dos escravizadores os haviam bloqueado e agora rendiam seus ocupantes, que eram surrados até que caíssem no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Temos que voltar!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Não podemos. Condenaríamos a nós mesmos se voltássemos. Vamos fugir antes que queiram nos perseguir. &lt;/span&gt;-Continuou serenamente Thompson, segurando novamente o volante, para que eu não fizesse a estupidez que tinha em mente, de voltar e tentar ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Vamos voltar! POR FAVOR!&lt;/span&gt; -Implorou Anne. Mas tiros passaram assobiando pelo carro, corroborando a decisão de não voltarmos. Dois dos disparos acertaram a lataria do porta-malas, fazendo-nos abaixar as cabeças. Mas logo fizemos uma curva e estávamos fora de mira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de algum tempo tínhamos apenas o barulho das correntes se agarrando aos escombros no chão e os soluços contidos de Anne em meio ao seu choro silencioso. Lembro de ter criado coragem para olhá-la pelo espelho retrovisor, mas depois de ver seu rosto cheio de lágrimas e seus lindos olhos vermelhos de choro, desejei ter guardado na memória apenas seu sorriso do dia anterior.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-302532014454928315?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/302532014454928315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=302532014454928315&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/302532014454928315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/302532014454928315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/04/36-escombros-e-gelo.html' title='36. Escombros e Gelo'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-2881607188410684365</id><published>2009-03-30T00:00:00.002-03:00</published><updated>2011-04-17T22:58:26.904-03:00</updated><title type='text'>35. Carteira de Motorista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aquela manhã acordou particularmente fria e desanimadora. Uma densa camada de núvens continuava, como em todos os dias de minha vida, escondendo o sol. O vento cantava melancólico como sempre, e com ele vinha o inconfundível cheiro dos lobos que viviam vagando pelas colinas. Eu achava que carros eram apenas bonitos, mas que todo o resto que diziam sobre eles, principalmente vindo de homens com alto teor de álcool no sangue, era besteira. Mas eu estava enganado. Muito enganado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A viajem não deveria levar mais que algumas horas. Pelo menos não vinte anos antes. Mas naqueles tempos mal se podia diferenciar o que um dia foi uma estrada do que sempre foi chão, e vencer 300 km era uma marca razoávelmente grande. Thompson dirigiu os primeiros 100 km, sempre me dando dicas de direção e segurança. Logo atrás de nós seguia uma caminhonete com outros quatro homens, quase tão jovens quanto eu. Eles deveriam ter voltado depois de algumas horas, mas fizeram questão de passar a primeira noite conosco e voltar ao amanhecer para Tradeport. E assim fizemos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite foi longa. Uma tempestade de neve chacoalhou os carros horas a fio, impedindo de nos recuperarmos das várias horas trancafiados e apertados em uma lata com janelas. Mesmo assim dormi bastante, afinal, um banco acolchoado de carro sempre será melhor que uma cela úmida e fria ou um saco de dormir surrado. Quando acordamos todos tínhamos olheiras enormes. Anne, que não tinha dito muito durante toda a viajem, e havia apenas olhado o horizonte pensativa, parecia a mais animada de todos nós, e forçou todos a se abraçarem e se despedirem com alegria e entusiasmo. Mas só de pensar de desatolar os carros da grande quantidade de neve que havía acumulado, a animação contagiante havia passado rapidamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Mas que droga. Devíamos explodir essa neve ao invés de cavá-la!&lt;/span&gt; - Dizia Anne, a cada vez que erguia uma pá de neve a jogava para trás. -&lt;span style="color: yellow;"&gt;Onde eu estava com a cabeça de não deixar meu tio dar a vocês o lança-chamas que ele prometeu?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Você o que? &lt;/span&gt;-Falei sem gaguejar. E então continuei, sem jeito. &lt;span style="color: white;"&gt;-Ele ia mesmo nos dar um lança-chamas?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Claro que não! Daaaã!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: black;"&gt; -Zombou ela, iluminando o rosto com um sorriso inesquecível.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha vergonha de conversar com Anne quando Thompson estava por perto. Não porque ele pudesse ouvir, mas porque ele constantemente me fazia caretas e dava tapas em minhas costas para que eu falasse com ela. E isso apenas aumentava mais minha timidez. Eu poderia ser fanfarrão com homens armados e maiores que eu, mas com mulheres dificilmente tinha tido chances de conversar, e quaisquer duas palavras saiam engasgadas. E depois daquela zombaria, já esperava que Thompson aparecesse de lugar nenhum e fizesse mais chacota de mim. Mas não fez. Ao invés de disso pudemos ouvir apenas seus gritos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Corram, seus desgraçados! Corram!&lt;/span&gt; - berrava Thompson, enquanto corria colina abaixo desenfreadamente. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Os Escravizadores estão chegando!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A alguns metros de nós os homens que nos acompanhavam empunharam suas armas e entraram no carro, gritando para que saíssemos de lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saímos. E nos instantes seguintes tirei minha carteira de motorista.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-2881607188410684365?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/2881607188410684365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=2881607188410684365&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2881607188410684365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/2881607188410684365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/03/35-carteira-de-motorista.html' title='35. Carteira de Motorista'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-8890082942464506466</id><published>2009-03-14T00:00:00.007-03:00</published><updated>2011-04-17T22:58:40.396-03:00</updated><title type='text'>34. Anne</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thompson passou aquele dia todo me ensinando noções básicas de direção. Eu achava mais fácil que ele simplesmente dirigisse, mas fui convencido de que era melhor que nós dois soubéssemos guiar um carro. Muita coisa eu já havia aprendido com meu pai, muitos anos antes, mas nunca tinha tido oportunidade de assumir o volante de veículo algum. Eu estava ansioso para começar a dirigir de verdade, mas os primeiros metros que percorri foram cheios de solavancos e freadas bruscas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Vejo que está progredindo bem! &lt;/span&gt;- falou Mark animado, tentando disfarçar sua verdadeira opinião sobre meu fiasco de direção. Era final de tarde e a pouca luz que iluminava o dia sumia rapidamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-É... bem... pelo menos consegui não bater o carro ainda&lt;/span&gt;. - Resmunguei sem jeito. &lt;span style="color: white;"&gt;-E sobre o atentado, já descobriram algo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Ainda não sabemos quem foi, mas temos suspeitos&lt;/span&gt; - falou. &lt;span style="color: silver;"&gt;- De qualquer forma, temos coisas mais importantes para tratar. Essa é minha sobrinha, vocês a levarão a Amrak. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tirei meus olhos do câmbio, onde tentava engatar a marcha do carro, e olhei para Mark. Foi então que a Terra parou de girar. Os últimos raios de sol que se espremiam pelas nuvens. A brisa terminou sua melodia e silenciou. Um lobo uivou na escuridão. Ao lado do padre-sherife havia um anjo, de cabelos dourados como o sol, olhos azuis como céu e a pele branca como a neve mais pura. E ainda que eu nunca tivesse visto o sol ou céu, sabia que ela os levava consigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Ela é linda, não é?&lt;/span&gt; - cochichou Thompson ao meu lado, mas levou um longo tempo até que meu cérebro captasse a mensagem e a processasse. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-E pode tirar o pé do acelerador, que a marcha não está engatada e esse cheiro de fumaça tá me incomodando.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Ãh??&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Vocês devem partir ao amanhecer. Não quero correr riscos à toa. Alguém pode acabar reconhecendo vocês por aqui, e uma caravana que chegou enquanto vocês estava presos nos trouxe informações de que um grupo dos Piratas da Neve anda rondando a região.&lt;/span&gt; -Ele falava alto, para que pudéssemos ouvi-lo por cima do barulho que o carro fazia enquanto eu o acelerava sem parar. Sua voz era séria, mas não parecia muito preocupada. &lt;span style="color: silver;"&gt;-Mandarei uma patrulha acompanhá-los nas primeiras horas. E então seguirão viajem sozinhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Sim, senhor&lt;/span&gt; -falou Thompson, em tom honroso, enquanto desligava a chave e a tirava do contato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Ãnnh?&lt;/span&gt; -Balbuciei. E então finalmente consegui formular uma frase. &lt;span style="color: white;"&gt;-Como você se chama?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: yellow;"&gt;-Anne.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-8890082942464506466?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/8890082942464506466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=8890082942464506466&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8890082942464506466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8890082942464506466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/03/34-anna.html' title='34. Anne'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7181073516792680033</id><published>2009-02-24T00:00:00.009-03:00</published><updated>2011-04-17T22:59:02.214-03:00</updated><title type='text'>32. Desculpas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Espere, Nuke! Onde você vai?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Vou embora, oras! Você está morto. Esse padre, sherife ou sei lá o que não pára de falar. E eu não estou a fim de ouvir. Minha cabeça dói e meu braço está formigando&lt;/span&gt;- falei sem hesitar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Está formigando porque você está deitado em cima dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Deitado?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E então a neve que cobria a grama derreteu. A grama murchou até desaparecer. As estacas da cerca foram sugadas para debaixo da terra. As tábuas da varanda se recompuseram e formaram um chão plano. Paredes surgiram e janelas se abriram nelas. Um homem estava sentado em uma cadeira, enquanto um outro permanecia de pé, me encarando com um sorriso, ao lado da cama onde eu estava deitado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Nuke?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson? &lt;/span&gt;-falei engasgado, sentindo a garganta raspar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Pensamos que você fosse ficar alucinando a noite toda. Eu e Mark conversamos enquanto você dormia, e pelos seus gritos acho que você podia nos ouvir&lt;/span&gt; - Thompson tinha sua cabeça no lugar, e não parecia muito abalado. Eu ainda não entendia as coisas direito, mas isso viria a seu tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Não tivemos chance de nos apresentar. Meu nome é Mark, padre-sherife de Tradeport.&lt;/span&gt; - e aproximou-se da cama, esticando a mão para me cumprimentar. Eu fiz um esforço para erguer o braço não adormecido, mas havia uma agulha colocada em uma de minhas veias, e soro descia por um fino tubo de plástico, de modo que ao movimentá-lo uma dor lancinante me fez baixá-lo outra vez. - &lt;span style="color: silver;"&gt;Tudo bem, não se esforce demais. Não me admira que seu corpo tenha enfraquecido tanto naquela cela. Desculpe-me por isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-&lt;span style="color: white;"&gt;Você nos deixa preso por dias e dias num cela imunda, cheia de ratos para dividirmos o lixo que vocês nos davam para comer, fazendo-nos defecar e dormir no mesmo lugar, e agora quer que eu o desculpe?&lt;/span&gt; - A raiva que eu queria ter sentido quando achei que Thompson estava morto agora brotava de mim como uma tempestade, e a dor que sentia em meu corpo ia desaparecendo sob efeito da adrenalina que percorria abundante minhas veias. &lt;span style="color: white;"&gt;- Eu seria capaz de matar você por muito menos! Se eu puser minhas mãos em você...!!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Acalme-se, Nuke!!&lt;/span&gt; - falou Thompson, quase gargalhando de minha atitude. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Sei que você está com raiva, e tem motivos pra isso, mas ouça-nos primeiro! Mark nos aprisionou, sim. Nos fez passar fome, frio e tudo mais. Mas ao fazer isso ele nos salvou. As pessoas, tanto daqui quanto de qualquer outro lugar,  precisam ver que os erros e crimes cometidos são punidos, do contrário sentirão-se seguros de sair impunes e cometerão outros crimes. Quando nos acusaram de termos envenenado as bebidas Mark mandou que fossemos presos, para manter a ordem e evitar que fossemos linchados ali mesmo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-E daí? Porque nos deixou lá por tanto tempo, para depois não nos arrancar a cabeça?&lt;/span&gt; - falei quase gritando, indignado. &lt;span style="color: white;"&gt;- E quem, diabos, perdeu a cabeça naquele palanque? Ou eu estava alucinando, já?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Admito que teria deixado vocês morrerem, como mereciam.&lt;/span&gt; - Começou a falar o Sherife, interrompendo Thompson que já tinha aberto a boca para recomeçar a falar. &lt;span style="color: silver;"&gt;-Mas o anjo protetor de vocês é forte, e fez com que as coisas mudassem de rumo. Antes de jogar as bebidas fora, pensei em dar uma olhada nelas. E qual não foi minha surpresa ao encontrar vestígios e marcas dos Piratas da Neve. Não demorou muito pra que um dos médicos que eu tenho ao meu dispor aqui constatasse que o envenenamento da bebida tinha sido feito havia muito tempo. &lt;/span&gt;-Eu queria levantar e dar um murro na cara daquele velho religioso, mas sua voz era confortante, e de algum modo me prendia na cama. &lt;span style="color: silver;"&gt;-Assim que soube disso fiz questão de tirá-los daquele buraco, para isso armei uma execução. Desfilei com vocês até o palanque, para que todos os vissem, e depois, na hora de cortar cabeças, enviei dois outros prisioneiros, com capuzes cobrindo os rostos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Humm... &lt;/span&gt;- resmunguei, ainda tentado a um soco direto e limpo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Por isso quero me desculpar, e oferecer a vocês dois que...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mark, o Sherife e sacerdote de Tradeport não teve tempo de terminar de falar. Do lado de fora um estrondo imenso ecoou por cada canto da cidade, e um tremor fez tremer paredes e janelas. Gritos e pedidos de ajuda se espalhavam como fogo em palha, enquanto uma nuvem de fumaça se erguia do meio da praça de mercadores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Senhor! Senhor! Precisamos do senhor na praça central imediatamente!&lt;/span&gt; - Gritou um dos guardas da cidade, que entrou ofegante pela porta. Havia um corte fundo em seu rosto e suas mãos estavam cobertas com sangue e fuligem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7181073516792680033?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7181073516792680033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7181073516792680033&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7181073516792680033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7181073516792680033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/02/32-desculpas.html' title='32. Desculpas'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3204608705931009538</id><published>2009-02-24T00:00:00.007-03:00</published><updated>2009-03-14T14:22:49.712-03:00</updated><title type='text'>33. Dirigir</title><content type='html'>Mark não deixou que nós o acompanhássemos até a praça, já que certamente seríamos reconhecidos. Ficamos no quarto, tentando entender alguma coisa do que havia acontecido do lado de fora, mas o local da explosão estava fora de vista. No tempo em que ficamos olhando apenas algumas pessoas apressadas passaram, correndo para verem o que havia acontecido. Os apitos dos guardas podiam ser ouvidos, e provavelmente havia alguma confusão ainda no local. Depois de duas longas horas o sherife voltou. Estava acompanhado de um de seus médicos, que estava sujo de cima a baixo com sangue e poeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Acidente ou atentado. Ainda não sabemos. Uma caixa de dinamites explodiu, matando o vendedor e três outras pessoas.&lt;/span&gt; - Falou desanimado o sherife, que agora era mais padre que sherife. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Posso penas rezar por suas almas e punir os responsáveis. Há muitos feridos também, mas a maioria sem gravidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Se pudermos fazer algo para ajudá-lo, senhor.&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;- Falou Thompson prestativo. &lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Podemos tentar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Sim, vocês podem.&lt;/span&gt; -E ao dizer isso saiu pela porta, fazendo um gesto para que o seguíssemos. O médico então retirou as bandagens que prendiam a agulha em meu braço e me ajudou a levantar da cama. Minhas pernas estavam bambas e teimavam em não me obedecer, mas esforcei-me para seguir Mark até a porta dos fundos de sua enorme casa. Ele parou do lado de fora da porta e apontou algo. &lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-É com isso que vocês vão me ajudar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manquei até a porta e olhei para fora. Thompson já estava lá, boquiaberto. Estacionado ao lado de uma porta de garagem aberta estava o carro mais bem conservado que eu já havia visto. Veículos de guerra, modificados ou originais, eram comuns, mesmo em bom estado. Mas carros eram difíceis de se manterem conservados, já que não serviam para guerra e portanto não mereciam cuidados maiores. Thompson disse que se lembrava do nome do carro, mas eu pedi que ele não falasse. Aquele carro não pertencia mais ao passado, e portanto seu nome não precisava ser lembrado. Eu queria em minha memória apenas aquilo que podia ser observado e admirado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Encontrei esse carro anos atrás, enquanto vagava por esse mundo destruído. Estava em uma estrada de terra secundária, atrás de alguns arbustos. Havia um homem morto dentro, com os miolos espalhados pelo vidro. Haviam algumas notas de dinheiro, daquelas usados na época, espalhadas pelo chão do lado do passageiro, e a porta estava aberta.&lt;/span&gt; -Mark olhava fixo para o carro, com o olhar vazio, enquanto se esforçava para lembrar os detalhes da ocasião. Sua voz era novamente de sherife, e seu lado padre tinha voltado a se esconder.&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt; -Encontrei uma arma alguns metros dali, uma mochila vazia e uma montanha de dinheiro levada pelo vento e espalhada na neve manchada de sangue.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Alguém matou o motorista, fugiu com o dinheiro e morreu em seguida.&lt;/span&gt; -Arrisquei um palpite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-Sim, muito provavelmente. Mas e o corpo de quem fugiu, o senhor não o encontrou?&lt;/span&gt; - Completou Thompson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Não. Procurei por algum tempo, mas não encontrei nada. Este mistério nunca desvendei. Depois de procurar tirei o homem morto do carro, limpei como pude seu sangue e continuei viajem, até que o combustível acabasse. Eu o escondi em um bosque e cobri com neve. Voltei apenas quando, depois de muitos anos, encontrei um vidro novo para ele. E o carro continuava lá, intocado em seu esconderijo de gelo. Trouxe-o para cá e o reformei. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 153, 51);"&gt;-E o que faremos com ele, senhor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Irão até Amrak. Cerca de trezentos quilômetros descendo o rio. É a maior cidade existente em muitas centenas de quilômetros. Moram lá cerca de 150 mil pessoas, talvez mais. Vocês levarão uma carga para mim, e a entregarão a uma mulher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Certo, senhor.&lt;/span&gt; -Quase não prestei atenção ao que respondi. Estava imaginando qual seria o tamanho de uma cidade com tantas pessoas, e como faziam para protegê-las, alimentá-las e contentá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(192, 192, 192);"&gt;-Sabe dirigir?&lt;/span&gt; - Perguntou o sherife a mim. Levei alguns instantes para entender a pergunta e lançar-lhe um olhar perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 255, 255);"&gt;-Não.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3204608705931009538?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3204608705931009538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3204608705931009538&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3204608705931009538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3204608705931009538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/02/33-dirigir.html' title='33. Dirigir'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5172150433637045619</id><published>2009-02-17T00:00:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T23:02:58.899-03:00</updated><title type='text'>31. Louco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a lâmina foi solta o mundo silenciou. Era possível sentir as pessoas prendendo a respiração do lado de fora. Um corte rápido e um baque seco. Gotas de sangue escorreram pelas tábuas e pingaram em minha venda. Queria ter sentido raiva, mas sentia apenas remorso por não ter me despedido de Thompson. Seu sangue escorria quente em meu rosto e eu sabia que minha vez estava chegando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Cinco segundos&lt;/span&gt; - gritou uma voz acima de mim, no palanque. - &lt;span style="color: #666666;"&gt;Apenas cinco segundos, senhoras e senhores! Esperamos que o próximo dure mais, ou as apostas de hoje terão sido em vão! Que tragam o próximo safado que vai morrer aqui hoje&lt;/span&gt; - continuou a voz, em meio a uma gritaria e uma onda de aplausos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Vamos andando&lt;/span&gt; - falou a voz do Sherife à minhas costas - &lt;span style="color: silver;"&gt;não dê um pio, ou arranco-lhe  os dentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixei-me ser guiado e não disse palavra - não que eu me importasse de perder os dentes, afinal, logo em seguida eu perderia toda a cabeça mesmo - mas depois de tudo o que gritei nos dias em que ficamos enjaulados eu já não tinha mais nada a dizer. Do lado de fora o vento frio que cortava Tradeport naquela manhã parecia se despedir de minha presença. Os gritos das pessoas que assistiam a execução tinham cessado e apenas murmúrios podia-se ouvir aqui e ali. Todos aguardavam a próxima cabeça a rolar. Subi uma escada de madeira e dei alguns passos. Um chute em minhas pernas me fez ajoelhar. Eu não ousava me mecher. Todos os meus sentidos pareciam ter deixado meu corpo, e a única coisa que eu sentia era a neve derretendo sob meus joelhos. Segundos que levavam horas se passaram, e então finalmente tiraram minha venda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Desculpe ter de fazê-los passar por isso. Essa cidade precisa de regras rígidas, ou cada vigarista e salafrário dessa cidade vai querer tirar mais proveito do que outro&lt;/span&gt; - era o Sherife falando, com o rosto sério de sempre, mas com uma calma na voz que até parecia outra pessoa. - &lt;span style="color: silver;"&gt;A maioria dos que vem aqui são boas pessoas. Sempre assustados, perdidos ou feridos, mas boas pessoas. E, como a maioria nesse mundo, precisando apenas de duas coisas: um lar e um objetivo. E é isso que eu lhes dou. Ofereço proteção a todos os que aqui estão, e depois que percebem que estão realmente seguros, ofereço-lhes a Palavra de Deus&lt;/span&gt; - o padre-sherife estava sentado em uma cadeira de balanço, que vinha e voltava no mesmo lugar, rangendo baixinho. Eu estava ajoelhado no que um dia foi uma bela varanda de madeira, mas que depois de duas décadas sem cuidados parecia apenas um amontoado de tábuas. Senti-me tentado a levantar e correr, pular a cerca de madeira que fechava o jardim coberto de neve e deixar que o primeiro guarda me acertasse um tiro no meio do peito. Mas aquele homem sentado não parava de falar, e eu queria saber onde ele iria parar. &lt;span style="color: silver;"&gt;-As pessoas são muito fáceis de se entender. Elas podem ter sonhos diferentes, gostos e vontades diversos, mas no final precisam apenas de um motivo para se manterem vivas. O fogo queimou tudo o que conheciam, a neve e o vento soterraram os escombros do seu passado e o desespero humano destruiu qualquer vestígio do que sobrou. O que lhes restou? A fé, claro! Memórias se perdem, se apagam. Mas a fé, não. Essa jamais se esquece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Onde está Thompson? Porque ainda estou vivo?&lt;/span&gt; - perguntei. Já sabia a resposta, mas ainda assim queria ouví-la, para que soubesse que tudo era realmente um sonho louco e que a loucura tinha chegado ao limite. Mas não houve resposta. Em vez disso ele continou falando, como um louco faria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Eu não poderia ser padre, sabe? Eu abandonei o celibato muitos anos antes desse mundo acabar. Não suportava ter que fingir que minhas orações eram ouvidas e ainda fazer pessoas acreditarem nisso. Eu queria queria trepar até explodir, com o máximo de mulheres que pudesse. Queria fumar até meu pulmão atrofiar. Queria beber até meu fígado ser diluído pelo álcool. Queria que o mundo acabasse... &lt;/span&gt;- fez uma pausa e admirou o mundo à sua volta, como se tudo aquilo fosse obra sua, e então continuou. -&lt;span style="color: silver;"&gt; E ele acabou, realmente acabou. E foi então que eu soube que precisava voltar atrás, porque tudo era possível. E cá estou eu, redmindo-me dos meus pecados enquanto ainda há tempo. Pregando os ensinamentos de Deus àqueles que querem aprender e punindo aqueles que não aprendem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Eu... acho que já vou indo, sabe...&lt;/span&gt; - Levantei e dei alguns passo em direção aos degraus que desciam para o jardim. Estava decido a sair dali e ignorar o que aquele louco dizia, mas uma voz se sobrepôs à dele e fui obrigado a parar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Nuke, espere.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5172150433637045619?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5172150433637045619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5172150433637045619&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5172150433637045619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5172150433637045619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/02/31-louco.html' title='31. Louco'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-6773155259527702425</id><published>2009-02-02T00:00:00.006-02:00</published><updated>2011-04-17T23:03:10.386-03:00</updated><title type='text'>30. Apostas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podia ser pior, muito pior, repetia para mim mesmo, pessoas morrem por muito menos e você está vivo. Mas deitado naquele chão frio e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;úmido&lt;/span&gt; eu pensava que não me importaria de estar morto. Eu vivia apenas como um espectador, admirando as formas inimagináveis como a vida, a sociedade e a natureza se equilibravam &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;precariamente&lt;/span&gt; naquele mundo louco e sem futuro. A luz da lua se espremia por uma pequena abertura na parede, era &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;fatiada&lt;/span&gt; por duas barras de ferro verticais e morria no corredor de pedra entre as celas. O cheiro de sangue seco, de fezes e de urina infestava o ambiente, o andar dos ratos e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;camundongos&lt;/span&gt; criava uma trilha sonora não muito promissora, enquanto o guarda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;checava&lt;/span&gt; de hora em hora os prisioneiros das celas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu e Thompson fomos jogados naquele buraco consegui contar 12 prisioneiros ao todo, mas no dia seguinte dois foram levados embora, e pudemos ouvir os gritos de perdão e desespero enquanto a lâmina da guilhotina ainda não os havia calado. Ficamos cerca de uma semana enfiados na escuridão, comendo pão mofado e duro, água suja - com urina e cuspe - e fazendo nossas necessidades em qualquer canto. Mas então, quando eu finalmente estava me acostumando com o cheiro de minha própria merda e de acordar com as mordidas dos ratos pela manhã, a porta se abriu e era nossa vez de irmos embora dali. Lembro de ter ouvido outros dois prisioneiros serem tirados de lá, mas depois de passarmos pela porta enfiaram sacos em nossas cabeças, e não vi mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levaram-nos vendados pelas ruas da cidade, desfilando nossos corpos atrofiados para os compradores e comerciantes, de modo que servíssemos de exemplo para todos. Toda semana pelo menos 2 prisioneiros eram mortos, e condenados nunca estavam em falta, por mais que se guilhotinassem pessoas em praça pública. A pobreza, a fome e o desespero eram sempre maiores que o medo de perder a cabeça, logo haviam mais prisioneiros para morrer do que execuções por semana. Ouvi quando fomos trancados debaixo de um palanque de madeira, no qual a guilhotina ficava, enquanto ouvíamos a missa que acontecia todo domingo e que era ministrada pelo Padre-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;sherife&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Tradeport&lt;/span&gt;. Não ouvi quase nada do que era falado, mas percebi que muitas pessoas acompanhavam aquelas missas, pois os longos sermões eram interrompidos por cantos e preces entoados por muitas vozes. Quando a cerimonia finalmente acabou sabíamos que tinha chegado nossa hora e pude ouvir Thompson soltar um gemido de amargura quando passos desceram do palanque e se aproximaram da porta onde estávamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Hora de morrer&lt;/span&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;.&lt;/span&gt; - Falou a voz grossa e inexpressiva do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Sherife&lt;/span&gt; atrás de nós. - &lt;span style="color: silver;"&gt;As apostas estão bem equilibradas. Qual de vocês dois irá sobreviver por mais tempo com a cabeça dentro de uma cesta? Quero uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;graninha&lt;/span&gt; extra hoje.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-6773155259527702425?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/6773155259527702425/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=6773155259527702425&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6773155259527702425'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/6773155259527702425'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/02/30-apostas.html' title='30. Apostas'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-1051044766099096587</id><published>2009-01-27T00:00:00.002-02:00</published><updated>2011-04-17T23:03:22.950-03:00</updated><title type='text'>29. Festa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite caiu rápido. Arrumamos as poucas coisas que não vendemos ou que iríamos guardar em um trenó e pusemos toda a bebida e os cigarros no outro. Empurramos os veículos e os trenós pela pouca neve que se acumulava próxima às paredes das construções até chegarmos à casa onde disseram que poderíamos encontrar o Sherife. Havia muitos carros estacionados pela rua, música podia ser ouvida vinda da casa, luzes iluminavam o jardim arruinado enquanto sombras eram projetadas para fora das janelas conforme as pessoas lá dentro conversavam e dançavam animadamente. Fumaça saía pela chaminé e o cheiro de comida que se espalhava pelo ar era convidativo. Nos aproximamos da porta da frente, arrastando o trenó com as coisas pedidas. Dois guardas se aproximaram, estavam armados e já estavam fedendo a álcool.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-O que vocês querem, forasteiros? Essa festa é reservada. Apenas moradores podem participar.&lt;/span&gt; -Disse um dos guardas, que mascava alguma coisa e fazia um som nojento com a boca. Sua barba estava por fazer e seus olhos lutavam para não trançarem sua visão embriagada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Desculpe incomodarmos. Nós trouxemos essa encomenda para o Sherife. Ele as comprou hoje a tarde.&lt;/span&gt; -Falei com a maior paciência que pude juntar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Nós só viemos trazer as coisas e já vamos embora. Apenas isso.&lt;/span&gt; -E Thompson pareceu fazer um grande esforço para dizer essas palavras com uma calma que ele não queria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Sei.&lt;/span&gt; -Continuou ele.&lt;span style="color: #999999;"&gt; &lt;span style="color: #666666;"&gt;-Vai me dizer que ele convidou vocês para a festa também?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Exatamente.&lt;/span&gt; - E minha paciência continuava intacta. Mas o guarda parecia ansioso para encontrar um motivo para brigar e minha cortesia com as palavras parecia deixá-lo ainda mais irritado. Thompson não parecia tão inclinado à paciência, suas mãos estavam cerradas, se contorcendo para não avançar no guarda. E quando o segundo guarda começou a formular algo para dizer, uma voz à porta falou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Finalmente! Estou tendo que servir bebida feita na cidade para esses beberrões,&lt;/span&gt; - falou animado o padre-sherife, enquanto descia pela escada da varanda e vinha nos recepcionar -&lt;span style="color: silver;"&gt; e, tenho que admitir, ela não é lá muito boa! Trouxeram aquelas revistas?&lt;/span&gt; - Falou para Thompson, que ascentiu com a cabeça. - &lt;span style="color: silver;"&gt;Então dê uma a esses dois e tragam essas coisas todas para dentro. Vamos animar essa festa!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os guardas não pareceram muito felizes em terem sido contrariádos, mas apreciaram bastante a revista pois, soubemos mais tarde, ficaram tão entretidos com as mulheres nuas que deixaram dois penetras passarem, e estes roubaram uma boa quantia de créditos de um dos moradores. Créditos eram o dinheiro local, fornecido aos mercadores que ali faziam trocas, não tinha nome nem valia fora da cidade, mas servia para facilitar a cobrança das taxas impostas pelo Sherife. Entramos na casa e logo duas pessoas recolheram nossa mercadoria e levaram-na para um pequeno bar, montado no canto da sala de visitas, onde pelo menos 30 pessoas se amontoavam. Os cigarros fizeram sucesso, e logo havia uma cortina de fumaça impestiando o ar, as bebidas foram servidas e todos se divertiam. As revistas, que circulavam rapidamente de mão-em-mão, eram tratadas com cuidado extremo, como se quem as pudesse tocar fosse privilegiado por isso. Imaginei que seria porque a maioria das pessoas ali fosse homem, e as poucas mulheres fossem velhas ou deformadas pela radiação, e isso fizesse sua masculinidade aflorar. Mas a verdade era que olhar para as fotos daquelas mulheres os fazia lembrar de suas próprias mulheres ou filhas, e a maioria sabia que, caso elas estivessem vivas, sem a proteção de um homem, ou teriam tido muita sorte ou estariam trabalhando como prostitutas para poderem sobreviver. Era triste pensar em tudo aquilo, mas, como sempre, meus pensamentos foram interrompidos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Peguem-nos!&lt;/span&gt; - Gritou um dos homens que servia bebida, enquanto erguia um homem que havia caído no chão. Ele esticou o braço e apontou para mim e Thompson, com um olhar de assombro e raiva no rosto. &lt;span style="color: #666666;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Eles envenenaram as bebidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por toda a volta uma chuva de álcool caiu quando todos os que bebiam cuspiram o que tinham na boca. Lembro-me de que todo o álcool que eu havia bebido e que turvava minha mente desapareceu instantâneamente, enquanto uma descarga de adrenalina se espalhava como um raio pelo meu corpo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-1051044766099096587?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/1051044766099096587/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=1051044766099096587&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1051044766099096587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/1051044766099096587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/01/29-festa.html' title='29. Festa'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-8998849524329152541</id><published>2009-01-19T00:00:00.006-02:00</published><updated>2011-04-17T23:03:36.787-03:00</updated><title type='text'>28. O Sherife e o Padre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Eu disse que conseguiríamos um lugar pra vender essas coisas!&lt;/span&gt; - exclamou Thompson, ao ver o tamanho do lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E tínhamos dois trenós cheios. Havia uma boa quantidade de morteiros, sempre valiosos, já que se podia lançá-los com as mãos ou utilizá-los como explosivos. Conseguimos salvar um bom tanto de caixas de cigarro e pacotes de fumo, alguns charutos e até mesmo isqueiros intactos, todos com alto valor depois que quase desapareceram junto com a Explosão. Um único gole de whisky, fosse qual fosse a marca, poderia comprar um veículo, suprimentos, armas e munições, e nós tínhamos vários goles. Mas nosso maior tesouro eram duas dúzias de revistas, que não passariam de amontoados de folhas cobertas por uma capa mais resistente e presas com grampos, não fosse pelo que havia sido impresso nelas. Aquelas eram, muito provavelmente, os últimos exemplares de revistas pornográficas que deviam existir em centenas, talvez milhares, de quilômetros dali. E nós sabíamos disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois guardas nos escoltaram pelas ruas vazias até onde parecia ser o centro da cidade-mercado. Lembro-me de um deles ter nos avisado para ficarmos longe de problemas, mas eu sabia que eles viriam até mim de qualquer jeito, eu quisesse ou não. Revezamo-nos na guarda dos trenós a noite toda, temendo que alguém pudesse tentar tomar nossa carga, já que não tínhamos onde guardá-la. Foi uma noite longa, as sombras pareciam se mexer de modos impossíveis, um lobo uivava confiante na escuridão longínqua, nuvens de vapor subiam espiralando dos bueiros, enquanto Thompson roncava baixo em seu sono agitado. Horas depois o sol forçou alguns raios através da camada cinza que cobria os céus e a manhã chegou ainda mais fria que a noite, mas o ambiente não deixou der ser estranho. As pessoas logo começaram a andar pelas ruas, às centenas, comprando e vendendo, e um alvoroço de vozes e sons dominou todo o lugar. Mas ainda assim era algo estranho, algo novo. Guardas andavam disfarçados, vestidos como pessoas comuns, mas era possível ver os cacetetes saindo por debaixo do casacos, e a qualquer sinal de problemas eles os usavam com violência desmedida, para que servisse de lição aos demais, evitando novos conflitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começamos a vender, logo confirmamos que nossos itens eram realmente valiosos, e assim acabaríamos mesmo ricos. Mas também tivemos problemas. Como vendíamos morteiros dois guardas ficavam constantemente ao lado de nossos trenós, para garantir que não fossemos usá-los, e aqueles que comprassem algum, só teriam a mercadoria ao saírem. Algumas pessoas, mais desconfiadas, perguntavam a origem de tanto armamento, e como nos recusávamos a responder, a fim de evitar problemas com simpatizantes dos Piratas, que com certeza deviam comercializar por ali também, começamos a receber olhares desconfiados. Mesmo assim vendemos todos os morteiros antes do final da tarde, e quando os guardas já estavam mandando todos recolherem as mercadorias, um homem se aproximou de nós e nos fez uma proposta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;-Eu compro toda a bebida que vocês tem aí. Compro os cigarros também&lt;/span&gt; - disse o homem, que não parecia ter mais que 40 anos. Tinha um olhar sério, porém amigável, cabelos curtos e bem arrumados, voz grossa e rosto duro. - &lt;span style="color: silver;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;span style="color: silver;"&gt;arei uma festa essa noite. Sei que são forasteiros, mas se trouxerem essas revistas aí, acho que podem conseguir se enturmar por aqui&lt;/span&gt; - o homem começou a se afastar, andando de costas, e então completou. - &lt;span style="color: silver;"&gt;Vejo vocês mais tarde?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Claro, claro&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;!&lt;/span&gt; - balbuciou Thompson, fazendo um sinal de até logo com o braço. Depois olhou para mim e continuou. - &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;Você viu as roupas que ele usava?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Roupas de padre. Sim, eu vi. &lt;/span&gt;- E eu estava tão espantado quanto ele. &lt;span style="color: white;"&gt;-&lt;/span&gt; &lt;span style="color: white;"&gt;E você, viu a estrela de Sherife?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-8998849524329152541?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/8998849524329152541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=8998849524329152541&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8998849524329152541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8998849524329152541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/01/28-o-sherife-e-o-padre.html' title='28. O Sherife e o Padre'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7023567650438822766</id><published>2009-01-17T00:00:00.005-02:00</published><updated>2011-04-17T23:03:49.902-03:00</updated><title type='text'>27. Tradeport</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thompson não disse muito mais naquele dia. Seguimos pelo leito do rio, parando ocasionalmente para observar ou tirar água do joelho, e fizemos as refeições em movimento. Durante a noite sua única palavra foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;acorde!&lt;/span&gt;, quando eu comecei a ultrapassá-lo e ele percebeu que eu havia travado o acelerador e estava &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;coxilando&lt;/span&gt; sentando. O frio fazia nossas mãos e pés congelarem, e eu tinha quase certeza de que meu nariz já não sentiria mais cheiro algum, mas Thompson mantinha o mesmo sorriso bobo no rosto desde aquela manhã. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Há uma cidade adiante&lt;/span&gt;, tinha dito ele antes de sairmos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a menos de um dia daqui&lt;/span&gt;. Mas a noite tinha me desanimado e comecei a achar que ele tinha se perdido outra vez, por mais difícil que seja se perder em um leito seco de rio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Novamente eu estava errado e ele certo. Duas horas depois de anoitecer avistamos luzes acima da margem do rio, à nossa direita. A princípio pareciam dois faróis de carro, mas logo vimos que eram holofotes, colocados acima de duas torres de vigia. Uma trilha, cavada na terra e na neve e socada pela passagem de veículos dava acesso ao topo da margem, bem em frente às luzes. Thompson sorriu de orelha a orelha, e mesmo na escuridão pude ver o branco de seus dentes e sorri por dentro. Viramos os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;snowmobiles&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; e os forçamos a subir pela encosta escorregadia.  A trilha seguia um pouco mais adiante e para a direita, de modo que uma das torres estava de frente para a subida do rio. A outra estava mais além e vigiava uma segunda trilha, bem maior, que vinha seguindo pela margem. Chegamos ao topo e em poucos segundos o vigia nos avistou. O holofote era muito mais forte do que parecia, deixou-nos cegos por um longo tempo, de modo que quando perguntaram o que fazíamos ali durante a noite, respondemos de olhos fechados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos sabem que não se viaja a noite, e que aqueles que o fazem ou são loucos ou bandidos. Na escuridão da noite, camuflados pelo inverno sem fim, apenas monstros e criaturas hostis caminham, e qualquer barulho é sinal de perigo. E aqueles vigias sabiam disso e estavam bem treinados para qualquer som estranho. Levamos cerca de vinte minutos para convencê-los a nos deixar entrar, e só conseguimos isso depois de mostrar a mercadoria que trazíamos e prometer um maço inteiro de cigarros a cada um deles. Thompson me explicou que aquela não era a cidade que ele conhecia, mas que já tinha ouvido falar dela. Era uma cidade-mercado, onde se podia comprar e vender quase tudo. Mas logo descobriríamos que era também um lugar para se arranjar encrenca fácil. Havia algumas casas e estalagens para viajantes, mas a maioria das construções era de depósitos e armazéns. O lugar era todo cercado com um muro de tijolos e concreto, que não era muito grosso, é verdade, e até mesmo um carro poderia derrubá-lo com certa facilidade, mas com certeza impedia que indesejáveis entrassem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;-Desçam dos veículos e deixem todas as armas que &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;possuem&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;conosco&lt;/span&gt;. Ninguém entra armado em  &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Tradeport&lt;/span&gt;. Vocês pegam de volta quando saírem&lt;/span&gt; - cuspiu o vigia truculento, enquanto apontava um rifle para nós. Outros dois homens acompanhavam tudo de perto. Thompson pareceu um pouco relutante em deixar as armas que havíamos roubado dos Piratas com aqueles caras, mas eu estava mais preocupado com uma grande faixa pendurada logo acima do portão da cidade:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;____________________________&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;_&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;SEJAM BEM-VINDOS À &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;TRADEPORT&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;                               Taxa de venda: 20%&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;                               Taxa de compra: 5%&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;           Ladrões serão guilhotinados&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;____________________________&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;_&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Você acha que eles falam sério?&lt;/span&gt; - cochichou Thompson, temendo que aquela pergunta pudesse ser motivo suficiente para arrancar-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;lhem&lt;/span&gt; a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Eu apostaria que sim&lt;/span&gt; - e apontei para o topo do muro, onde cinco ou seis cabeças estavam fincadas nas pontas de ferro que &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;saiam&lt;/span&gt; dos tijolos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7023567650438822766?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7023567650438822766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7023567650438822766&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7023567650438822766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7023567650438822766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/01/27-tradeport.html' title='27. Tradeport'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3598341009777886549</id><published>2009-01-08T00:00:00.003-02:00</published><updated>2011-10-12T07:55:13.480-03:00</updated><title type='text'>26. Thompson</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei com meu estômago aos berros. Corri para fora do esconderijo, cavei um buraco na neve e devolvi tudo o que havia dentro de mim ao mundo lá fora. Quando voltei percebi que Thompson já estava acordado havia algum tempo, e depois de ter arrumado tudo para partirmos, dava risada de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Pelo suor da sua testa, acho que aqueles espetinhos não lhe fizeram muito bem, não é?! Ou será que foi o refrigerante?&lt;/span&gt; - e soltou uma nova carga de risadas. - &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;Não fique assim bravinho, garoto! Eu também não tive uma noite agradável com meu estômago...! Definitivamente não devíamos ter comido tanto, mas mesmo assim valeu a pena, eu não comia assim a duas décadas! Mas vamos esquecer isso, temos que partir logo. Trate de se arrumar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durantei a noite, pouco antes de dormir, tinha decidido que não mais sairia dali. Mas o nascer de um novo dia parecia ter mudado as coisas. E mudou. Thompson parecia especialmente animado em partir, e aquilo era incomum. Ele podia ser um homem sério e divertido ao mesmo tempo, sempre disposto a fazer uma piada, mas dificilmente mantinha um sorriso no rosto por muito tempo. Eu não o conhecia o bastante para saber se aquilo significava problemas, mas eu já tinha consciência de que, depois da Explosão, qualquer coisa fora do normal normalmente não era boa coisa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Thompson. Você parece animado. Diga-me, o que houve?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Sabe, Nuke. Antes disso tudo acontecer &lt;/span&gt;- disse ele abrindo os braços -&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;eu tinha uma família comum, uma casa simples, um emprego normal... Eu achava aquilo pouco pra mim. Eu tinha sonhos que gostaria de realizar, coisas que queria fazer, lugares pra conhecer. Eu merecia mais do que tinha, trabalhava mais do que recebia. Eu era feliz, porém queria mais para mim e minha família. Mas então aconteceu, as bombas vieram, e tudo mudou. Um flash, um tremor, uma nuvem de fumaça negra, e tudo tinha mudado &lt;/span&gt;- seus olhos estavam vidrados, mirando o horizonte que se espremia pela fenda do esconderijo. Ele não mexia um músculo, enquanto sua boca narrava sua história como um&amp;nbsp;robô&amp;nbsp;com vida própria. Seu corpo estava ali, mas sua mente o tinha levado ao passado do qual ele não queria ter saído.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Eu... eu... &lt;/span&gt;- as palavras entalavam em minha garganta e se amontoavam sem se decidirem por sair.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Sabe, depois daquele flash eu não tenho muita certeza do que aconteceu. Lembro-me de que minha mulher entrou correndo pela porta da cozinha, enquanto eu abraçava minha filha e nos jogávamos no chão. Em seguida portas e janelas foram arremessadas pra dentro e as vidraças viraram pó. Quando a onda de choque passou eu continuava abraçado a minha filha, minha mulher permanecia imóvel no chão, e uma poça de sangue se espalhava lentamente por entre os ladrilhos. Foram preciso três soldados para que eu largasse o corpo já frio de minha filha e entrasse no ônibus de evacuação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Eu... sinto muito...&lt;/span&gt; - gaguejei sem saber bem o que falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Mas quando te conheci as coisas mudaram. Você tem o que? Vinte anos? Viajando sozinho por aí, sem rumo, sem destino, sem nada nem ninguém. E ainda assim não parece se importar. Continua andando, pra onde quer que os problemas te levem e as opções lhe permitam. Nunca ouvi sua história, mas também nunca o ouvi reclamar de nada. E por isso não vou reclamar também. Nuke, me diga uma coisa. Você é feliz?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não respondi. Não porque não quisesse, mas porque não sabia a resposta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-3598341009777886549?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/3598341009777886549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=3598341009777886549&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3598341009777886549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/3598341009777886549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/01/26-thompson.html' title='26. Thompson'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-8059535050125647673</id><published>2009-01-03T00:00:00.001-02:00</published><updated>2011-04-17T23:02:04.831-03:00</updated><title type='text'>25. Sonhar e Caminhar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era incrível como, em um mundo onde 98% da população tinha sido ceifada pelo fogo das bombas, se podia cruzar com pessoas quase todos os dias. E, não tão incrível assim, a chance de que essas pessoas quisessem te matar antes de perguntarem seu nome era de 98%. E por esse motivo, quando eu e Thompson avistamos a bandeira de caveira, estandarte dos Piratas da Neve, não esperamos que o velho vendedor de espetinhos - que nunca nos disse seu nome - recepcionasse os novos clientes. Subimos nos snowmobiles e partimos pela foz do rio, rumo ao sonhado esconderijo. Não falávamos quase nada, mas pensávamos bastante, e o temor de que os piratas pudessem estar nos caçando passou a ser um temor presente. As horas que se seguiram foram algumas das mais longas que já vivi. Meu coração batia com força, tentando escapar do peito e sair pela boca. Minha respiração parecia querer filtrar todo o ar do mundo. E minhas mãos apertavam forte o acelerador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando finalmente chegamos ao esconderijo eu sequer percebi. Thompson precisou gritar muitas vezes até que eu saísse de um transe de pensamentos e desejos e o ouvisse. O esconderijo era em uma saliência na margem do rio. Entrava por cerca de 10 metros pela terra e estava coberta por tábuas de madeira e muita neve, praticamente soterrada e completamente camuflada. Efetivamente, Thompson havia passado desapercebido por ele, e levamos cerca de 2 horas até ele perceber o erro e achar o lugar correto. Mas eu soube disso apenas durante a noite, depois de uma grande vasilha de sopa e dois espetinhos de iguana. Eu me lembrava muito pouco da viajem até ali, mas os milhares de pensamentos e coisas imaginadas estavam frescos na memória. E foi com eles que eu sonhei pela primeira vez em muitos meses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonhos nos mantém vivos. Eu sonhava bastante quando jovem. Na verdade, sonhava mais que vivia. Eu quase não dormia, mas para sonhar não era preciso dormir. Meu corpo seguia adiante por instinto, caminhando pelas colinas pintadas de branco, enquanto minha mente vagava por mundos mil. Acho que se não fosse capaz de sonhar, não seguiria adiante por esse mundo de sujeira e gelo, ainda que não tivesse um destino ou objetivo na caminhada. Os Escravizadores, o Rosa Radioativa, os Piratas da Neve, e todas as outras pessoas que passaram por minha curta vida desde minha fuga eram apenas curvas e desvios em minha caminhada infinita e sem rumo. Mas eles me faziam sonhar, imaginar, viver... e caminhar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-8059535050125647673?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/8059535050125647673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=8059535050125647673&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8059535050125647673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/8059535050125647673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2009/01/25-sonhar-e-caminhar.html' title='25. Sonhar e Caminhar'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-7615252831074091631</id><published>2008-12-25T00:00:00.004-02:00</published><updated>2011-04-17T23:01:52.376-03:00</updated><title type='text'>24. Latinhas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;ESPETINHOS&lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comemos feito loucos. Ratos e iguanas assados são extremamente apetitosos, especialmente quando se está com fome e cansado. Sua carne é macia, saborosa e extremamente nutritiva. Nossas barrigas estavam a ponto de explodir quando decidimos parar de comer, mas o velho continuava nos empurrando mais e mais espetinhos apetitosos. Não conseguia imaginar como ele havia conseguido tanta comida, mas eu o louvava por isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Senhor. Estamos mais que satisfeitos. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;Diga&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;, quanto vai nos custar para pagar toda essa comida?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333300;"&gt;-Sobremesas? Claro, claro! Que cabeça a minha. Estão bem aqui, vou pegá-las!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o homem saiu detrás da barraquinha e nos trouxe duas latas de refrigerante quase tivemos um enfarto. Aquilo tudo só podia ser uma miragem, alucinação ou coisa parecida. Latas de refrigerante eram mais difíceis de serem encontradas do que pessoas não afetadas pela radiação. E aquele cara tinha duas. E não parecia se importar em se desfazer delas. Thompson e eu nos entre olhamos e resolvemos que era melhor não perguntar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Bebe logo antes que ele queira de volta!&lt;/span&gt; - falou meio sorrindo, meio aconselhando. &lt;span style="color: #cc9933;"&gt;- Antes morrer tendo bebido um último refrigerante que ficar com vontade para a eternidade!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Verdade é que aquele foi meu primeiro refrigerante, mas preferi não dizer nada. Apreciei cada gota daquela bebida única. Seu cheiro doce fez olfato enlouquecer, enquanto suas pequenas bolhas espumantes dançavam em minha garganta e me faziam rir. Thompson me olhou com uma careta, provavelmente me achando um doido, mas eu estava me divertindo, e até o barulho da latinha abrindo tinha sido hilário. Estávamos quase acabando nosso banquete, completamente atordoados, quando o homem voltou a falar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333300;"&gt;-Oba! Mais clientes!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E então nosso sangue congelou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-7615252831074091631?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/7615252831074091631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=7615252831074091631&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7615252831074091631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/7615252831074091631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2008/12/24-latinhas.html' title='24. Latinhas'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-5100246895595774010</id><published>2008-12-23T00:00:00.004-02:00</published><updated>2011-04-17T23:01:39.638-03:00</updated><title type='text'>23. Espetinhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Thompson não estava muito preocupado se encontraríamos alguém para vender todas aquelas coisas, ou mesmo se sobreviveríamos até achar alguém. Levei um bom tempo até convencê-lo a deixar a euforia de lado e se concentrar em ao menos tirar tudo aquilo dali. Foi preciso construir outro trenó improvisado, mas logo estávamos viajando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Sabe... eu tava pensando... Afinal, aquela velha, a Mary, tinha razão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Tinha?&lt;/span&gt; - falou Thompson, meio sem entender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Ela disse que eu traria a morte à cidade. Bem, a não ser que eu tenha deixado escapar algo, os piratas não foram à cidade por minha causa. Mas eu estava lá quando chegaram, então de certa forma eu sou culpado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Está preocupado com isso? Não se preocupe, a culpa não foi sua. Cedo ou tarde isso aconteceria. Estou feliz por estar vivo, e você deveria achar o mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Não, só achei engraçado lembrar disso!&lt;/span&gt; - falei descontraído. - &lt;span style="color: white;"&gt;Na verdade, nem ligo para aquela cidade. Era um amontoado de bosta, no meio do nada, de onde nada se podia tirar. Eu queria mesmo era ter explorado aquele &lt;/span&gt;&lt;span style="color: white; font-style: italic;"&gt;bunker&lt;/span&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;. Fiquei curioso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-É, pra falar a verdade, fiquei também. Ainda mais depois de ver o corpo de Domn lá... Ahh! que se dane... já era mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já estávamos viajando por mais de 8 horas seguidas, e havíamos feito apenas uma única parada para um lanche. A conversa sobre a cidade foi boa para esquentar a mente, mas estávamos entediados demais para um diálogo muito longo. O frio entrava por nossas roupas e nos deixava sonolentos, mas não podíamos parar antes de chegarmos ao esconderijo que Thompson dizia conhecer. Se parássemos para dormir em algum outro lugar teríamos de cavar um abrigo, e seríamos obrigados a deixar os snowmobiles e trenós do lado de fora, o que chamaria muito a atenção, mesmo à noite. Seguir em frente era a única opção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite começava a cair quando uma mudança na paisagem nos despertou do torpor. Alguns quilômetros adiante de nós, em cima de um morro de neve ligeiramente mais alto que os ao redor, havia um pequeno barraco. É claro que aquilo era completamente incomum, e por isso nos separamos de imediato, para que não estivessemos muito perto um do outro caso algo acontecesse. Mas não aconteceu. Ao nos aproximarmos, vimos que o barraco na verdade era uma barraquinha, e dentro dela um homem de barba branca e olhar embaçado mirava o horizonte. Thompson trazia uma antiga metralhadora AK-47, que ele tomou devidamente emprestada de um dos piratas mortos, e mirou-a para o homem enquanto chegavamos mais perto. Demorou até que o velho desse conta de nossa presença ali, e quando percebeu logo começou a falar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #333300;"&gt;-Clientes! Espetinhos de rato e iguana deliciosos! Vão levar para viajem, ou comer aqui mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;script language="JavaScript"&gt;var OB_platformType =1;var OB_demoMode = false;var OB_langJS = "http://widgets.outbrain.com/lang_pt.js";var OBITm = "1218828196634";&lt;/script&gt;&lt;script src="http://widgets.outbrain.com/OutbrainRater.js" type="text/javascript"&gt; &lt;/script&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6793555528353991854-5100246895595774010?l=nuclearmushroom.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/feeds/5100246895595774010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6793555528353991854&amp;postID=5100246895595774010&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5100246895595774010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6793555528353991854/posts/default/5100246895595774010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nuclearmushroom.blogspot.com/2008/12/23-espetinhos.html' title='23. Espetinhos'/><author><name>NUKE</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00016769561193232401</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='26' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_2dkwPbXSmMQ/SeoLwtmI04I/AAAAAAAAADM/J-zRipAe8HQ/S220/NUKE1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6793555528353991854.post-3945018222082413686</id><published>2008-12-21T15:21:00.003-02:00</published><updated>2011-04-17T23:01:27.467-03:00</updated><title type='text'>22. Ricos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Vamos voltar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Claro, vamos nessa&lt;/span&gt; - falei, fingindo não ter entendido o que ele disse, mas então completei - &lt;span style="color: white;"&gt;Tá maluco?! E aqueles caras ali atrás? Vamos pedir &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;carona&lt;/span&gt; pra eles também?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-Primeiro a gente se livra deles, depois voltamos. Eu sei de um esconderijo a umas 10 horas daqui, com combustíveis, equipamentos e suprimentos, mas precisamos de mais combustível para chegarmos lá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-E como vamos nos livrar deles?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #cc9933;"&gt;-O jipe deles não é adaptado, vê? Não tem esquis ou esteiras, são apenas correntes em volta do pneu. Assim eles só podem andar no gelo ou em terreno firme. Vamos por aqueles morros ali, onde a neve acumula e eles não podem nos seguir&lt;/span&gt; - e apontou para a encosta do rio, onde grandes bancos de neve se formavam com o vento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi preciso cerca de duas horas para conseguirmos atolar o jipe. Eles sabiam o que queríamos fazer e por isso relutavam em nos seguir de perto, mesmo quando deixávamos que se aproximassem. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Preferiram&lt;/span&gt; ficar atirando, torcendo para o vento não desviar os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;projéteis&lt;/span&gt; ou jogá-los contra nós. Mas sobrevivemos ilesos, e finalmente erraram o caminho e acabaram presos em um buraco de escombros e neve fofa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: white;"&gt;-Certo. Nos livramos deles. Mas onde vamos achar combustível, agora que a oficina está destruída?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div 
